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Vigiar e Punir - Panoptismo (RESUMO)

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VIGIAR E PUNIR

Panoptismo – Instituições completas e austeras

CURSO DE SERVIÇO SOCIAL

SOCIOLOGIA CONTEMPORANEA 

GUILHERMINA DE OLIVEIRA MOTA

(Resumo)


O PANOPTISMO


O inicio do capitulo se dá através da explicitação de como era exercido o poder quando uma cidade era “fechada” por causa da peste, sendo um exemplo de dispositivo disciplinador.

O panoptismo em si é uma construção que separa, e que mantém uma vigilância constante, estas construções podem ser constatadas em escolas, presídios, entre outras instituições, desta forma o vigiado sabe que existe alguém o observando, embora não consiga vê-lo, é o que vai ser chamado funcionamento automático do poder.

Entretanto, o panóptico não pode ser entendido apenas como uma construção, mas, como um diagrama de um mecanismo no poder levado à sua ideal, pois consegue ter inúmeras aplicações é como uma distribuição dos indivíduos em relação mutua.

Ele é [ressalvadas as modificações necessárias] aplicável a todos os estabelecimentos onde, nos limites de um espaço que não é muito extenso, é preciso manter sob vigilância um certo número de pessoas.


 Não há consequentemente, risco de que o crescimento de poder devido a maquina panóptica possa degenerar em tirania; o dispositivo disciplinas será democraticamente controlado, pos será sem cessar acessível “ao grande comitê do tribunal do mundo” ou seja, é controlável pela sociedade inteira.

Havia duas imagens da disciplina. Em um extremo, a disciplina-bloco, a instituição fechada, estabelecida à margem, e toda voltada para funções negativas: fazer parar o mal, romper as comunicações, suspender o tempo. No outro extremo, com o panoptismo, temos a disciplina-mecanismo: um dispositivo funcional que deve melhorar o exercício do poder tornando-o mais rápido, mais leve, mais eficaz, um desenho das coerções sutis para uma sociedade que está por vir. Essa modificação de modelos é histórica, sendo estas acompanhadas de processos mais profundos.

1) A inversão funcional das disciplinas:

Em seu inicio tinha como função principal fixar as populações inúteis ou agitadas, evitar as inconvenientes de reuniões muitos numerosas. Foram então desenvolvidas as escolas da província ou as escolas cristãs elementares, com desculpa de que os pobres tinham três inconvenientes: a ignorância de Deus, a preguiça e as formações de tropas de mendigos, sempre prontos a provocar desordens públicas e “que só servem para esgotar os fundos do Hotel-Dieu”.

As disciplinas funcionam cada vez mais como técnicas que fabricam indivíduos úteis.

2)A ramificação dos mecanismos disciplinares:

É a era de desinstitucionalização da disciplina, por exemplo, a escola cristã não formava apenas crianças dóceis, como também criava mecanismos para vigiar os pais.

 é preciso se informar direito de que maneira se comportam em casa, se mantêm paz entre si e com os vizinhos, se têm o cuidado de criar os filhos no temor de Deus... Se não deitam os filhos crescidos de sexo diferente juntos e com eles, se não há libertinagem e carícias nas famílias, principalmente para com as filhas crescidas. Se há duvidas de que sejam casados, é preciso pedir-lhes uma certidão de casamento.

3) A estatização dos mecanismos de disciplina:


É quando a polícia é criada. O poder policial deve-se exercer “sobre tudo”: a massa dos acontecimentos, das ações, dos comportamentos, das ações, dos comportamentos, das opiniões –” Tudo que acontece”; o objeto da polícia são essas “coisas de todo instante”, essas “coisas à toa”.

Deve ser como um olhar sem rosto que transforme todo o corpo social em um campo de percepção: milhares de olhos postados em toda parte, atenções móveis e sempre alerta, uma longa rede hierarquizada, que comporta para Paris os 48 comissários, os 20 inspetores, depois os “observadores”, pagos regularmente, os “moscas abjetas” retribuídos por dia, depois os denunciadores, qualificados de acordo com a tarefa, enfim as prostitutas.

Pode-se então falar, em suma, da formação de uma sociedade disciplinar nesse movimento que vai das disciplinas fechadas, espécie de “quarentena” social, até o mecanismo indefinidamente generalizável do “panoptismo”. 



Capítulo I 

Instituições completas e austeras


A prisão é menos recente do que se diz quando se faz datar seu nascimento dos novos códigos. A forma prisão preexiste à sua utilização sistemática nas leis penais, se elaboram, por todo o corpo social, os processos para repartir os indivíduos, fixá-los e distribui-los espacialmente, classificá-los, tirar deles o máximo de tempo e o máximo de forças, treinar seus corpos, codificar seu comportamento contínuo, mantê-los numa visibilidade sem lacuna, formar em torno deles um aparelho completo de observação.

Na passagem de dois séculos, uma nova legislação define o poder de punir como uma função geral da sociedade que é exercida da mesma maneira sobre todos os membros todos os seus membros, e na qual cada um deles é igualmente representado;

Conhecem-se todos os inconvenientes da prisão, quando não inútil. E, entretanto, não “vemos” o que pôr em seu lugar.

A prisão não deve ser vista como uma instituição inerte, que volta e meia teria sido sacudida por movimentos de reforma. A “teoria da prisão” foi seu modo de usar constante, mais que sua crítica incidente – uma de suas condições de funcionamento. 

                                  ****

A prisão, local de execução da pena, é ao mesmo tempo local de observação dos indivíduos punidos. Em dois sentidos. Vigilância é claro. Mas também conhecimento de cada detento, de seu comportamento, de suas disposições profundas, de sua progressiva melhora; as prisões devem ser concebidas como um local de formação para um saber clínico sobre os condenados.

O que implica em dois dispositivos essenciais. É preciso que o prisioneiro possa ser mantido sob um olhar permanente; é preciso que sejam registradas e contabilizadas todas as anotações que se possa ter sobre eles.

Trata-se de qualquer maneira de fazer da prisão um local de constituição de um saber que deve servir de principio regulador para o exercício da prática penitenciária. A prisão não tem só que conhecer a decisão dos juízes e aplica-la em função dos regulamentos estabelecidos: ela tem que coletar permanentemente do detento um saber que permitirá transformar a medida penal em uma operação penitenciária; que fará da pena tornada necessária pela infração uma modificação do detento, útil para a sociedade.

O correlativo da justiça penal é o próprio infrator, mas o do aparelho penitenciário é outra pessoa; é o deliquente, unidade biográfica, núcleo de periculosidade, representante de um tipo de anomalia.