A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
2 pág.
Atividade Importância da Antropologia para Nutrição

Pré-visualização | Página 1 de 1

Com base nos conceitos trabalhados em aula, respondam em no mínimo 1 página:
Qual a importância da “antropologia da alimentação” para a formação e atuação do nutricionista?
Leitura complementar: Diez-Garcia, Rosa Wanda. A antropologia aplicada às diferentes áreas da nutrição. In: Canesqui, Ana Maria; Diez-Garcia, Rosa Wanda. Antropologia e nutrição: um diálogo possível. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2005. 
Comer é mais que ingerir um alimento, significa também, escolhas, ocasiões, rituais, relações pessoais, sociais e culturais, que estão envolvidas naquele ato. A cultura alimentar está diretamente ligada com a manifestação desta pessoa na sociedade. 
O Alimento é um dos requerimentos básicos para a existência de um povo, e a aquisição desta comida desempenha um papel importante na formação de qualquer cultura. Os métodos de procurar e processar estes alimentos estão intimamente ligados à expressão cultural e social de um povo. Os estudos sobre a comida e alimentação se fazem relevantes, visto que podem servir como guias para o entendimento dos processos sociais, políticos, econômicos, criação de valor e construção de uma memória social.
A avaliação dos comportamentos alimentares de indivíduos e grupos transcende a análise estritamente nutricional dos alimentos, passando a se constituir como ferramenta de estudo da cultura. Isto porque a maneira como as sociedades organizam seus sistemas alimentares diz respeito a escolhas, que expressam características e diferenciações entre grupos e seus membros. Desta forma, tudo que os homens comem, assim como a qualidade e quantidade, dependem da posição que ocupam no mundo social.
É nesse sentido que Diez-Garcia (2005) apresenta em seu livro a conclusão de estudos de sociólogos e antropólogos na década de 70, sobre as classes populares de baixa renda no Brasil, considerou-se a importância da família e de seus arranjos para a sobrevivência de todos, uma vez que o pai de família é o provedor e a mulher dona de casa gerencia e controla o consumo, não sendo dispensada a colaboração dos filhos ou da mulher na composição da renda familiar.
O comer seria, então, um ato social de união e partilha, cada camada social define o que se come, onde, quando se come, com quem se come e como se come. A reunião em torno da comida resulta na afirmação dos laços sociais. Ou seja, em torno da comida também se mobiliza sentimentos de pertencimento a determinado grupo.
Diez-Garcia (2005) , citando o livro de Mintz (2001:34), lembrou que
na China, comer McDonald's é sinal de mobilidade ascendente e de amor 
pelos filhos. Onde quer que o McDonald's se instale na Ásia, as pessoas 
parecem admirar a iluminação feérica, os banheiros limpos, o serviço 
rápido, a liberdade de escolha e o entretenimento oferecido às crianças. 
Mas também percebe-se que eles gostam mais dessas coisas do que 
propriamente da comida.
É possível observar que nenhum alimento está livre das associações culturais, visto que, se por um lado existe o valor nutritivo do alimento há, por outro, um valor simbólico no ato de alimentar que torna complexa a questão, pois requer uma abordagem compreensiva. Nesse sentido, Diez-Garcia (2005) chama atenção do interesse dos antropólogos e sociólogos sobre a culinária religiosa que é cercada por rituais como é o caso do candomblé, além do interesse também nas mudanças dos espaços urbanos movidos pelas novas formas de produção e consumo de alimentos. 
Estudos dessa natureza demonstram que esse olhar multidisciplinar da relação do homem com a comida é necessária, uma vez que, além de recolher e analisar informações, é necessário interpretar os dados, para a partir daí poder tomar decisões oportunas, visando a formulação de programas de ação pública ou privada para a melhoria da saúde e bem estar de todos. 
Na prática clínica, o nutricionista deverá demonstrar interesse em todos os aspectos relacionados a alimentação do paciente. Fatores como o tempo, a condição financeira, o grupo de convívio, a facilidade de produção e a praticidade de obtenção de determinados alimentos, a apresentação dos alimentos e até mesmo se algumas práticas são fatores que podem prevenir ou gerar doenças. 
O paciente ao procurar ajuda espera que o nutricionista dê importância e atenção ao que ele relata, que leve em conta tudo o que ele tem a compartilhar. Por isso, é importante investigar quais alterações e prescrições são realmente necessárias, acessíveis e que possibilite uma real mudança do comportamento alimentar do paciente, caso contrário aquela recomendação não vai se sustentar por muito tempo.
 O aconselhamento nutricional como facilitador no processo de mudança do comportamento alimentar do paciente não pode olhar apenas os aspectos de macro e micro nutrientes, esse aconselhamento deverá estar pautado na escuta ativa, individualizada, no diálogo, sem que haja interferência na vida do indivíduo, que dê autonomia, que compartilhe conhecimento, que respeite a história, os aspectos culturais, as emoções, a memória afetiva e alimentar para que assim o paciente consiga de fato mudar seus hábitos alimentares e realizar escolhas saudáveis.