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Histórico do SUS

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Presença significativa de curandeiros, pajés e boticários. 
Saúde pública negligenciada, já que não era de interesse 
metropolitano a colonização de povoamento, mas sim a 
de extração. 
Pajés e curandeiros: 
Restringiam-se às comunidades indígenas locais, 
atendendo os próprios nativos, quanto os portugueses 
responsáveis pela tutela e ordenação da região. 
Metodologia médica baseada em crenças xamânicas e 
uso de ervas trabalhado intrinsecamente a essas crenças. 
Boticários: 
Uso “racional” das ervas, sem raízes religiosas. 
Trabalho nômade e generalizado, sem restrição a uma 
região específica. 
Saúde existente: à mercê de cirurgiões barbeiros, 
boticários, curandeiros, rezadores e parteiras. 
Após conflitos metropolitanos internos, a corte se viu 
obrigada a fugir a então colônia. Essa vinda trouxe 
inúmeros benefícios ao solo brasileiro, uma vez que a 
infraestrutura colonial, outrora precária e mal 
conservada, precisou ser renovada para chegada da 
realeza. 
Dentre essas reformas, destaca-se o nivelamento de ruas 
para facilitar o escoamento, aterramento de pântanos e 
a construção e limpeza periódica de valas. 
Propostas de D. João VI: 
Criação das primeiras escolas de Medicina (BA/RJ) 
Criação de dois cursos de cirurgia – (BA/RJ) 
Abertura dos portos às nações amigas; 
Criação da Fisicatura – embrião da vigilância sanitária, 
consistia na fiscalização de estabelecimentos, 
regulamentação e autorização da prática terapêutica. 
Quadro sanitário totalmente negligenciado e caótico, 
com surtos e endemias de diversas doenças 
transmissíveis, trazidas inicialmente por portugueses e 
posteriormente por escravizados. 
Presença nítida de varíola, malária, febre amarela e até 
peste. 
1888: Lei Áurea. Lei de desconstitucionalização da 
escravidão no Brasil. 
Após alforria, ocorreu expulsão dos negros antes 
escravizados das grandes fazendas. Houve migração e 
formação de grandes aglomerados urbanos, constituídos 
por casas de pau-a-pique ou outros materiais precários, 
cuja segurança epidemiológica era baixíssima. 
Oswaldo Cruz e o Sanitarismo Campanhista 
Nomeado diretor geral de saúde pública, Cruz, médico 
sanitarista da época, promoveu o modelo hegemônico 
de sanitarismo campanhista para combate de doenças. 
Combate à Varíola: 
Oswaldo Cruz, de maneira autoritária, promoveu a 
vacinação compulsória da população carioca, que, 
desinformada, não aceitava a vacina. 
Médicos descrentes da eficácia da vacina promoviam a 
resistência popular à imunização. 
Combate à Peste: 
Transmitida pela pulga-preta presente em roedores, a 
peste bubônica, causada pelo patógeno bacteriano 
Yersinia pestis, foi responsável por exterminar 1/3 da 
população europeia na Idade Média. 
Para combater essa doença, o governo estimulou a caça 
aos ratos, com recompensas por cada roedor entregue 
para extermínio. Essa caça, porém, estimulou falcatruas, 
tal como o surgimento de criadouro de ratos. 
Esse surto de roedores estimulou a organização de 
esquadrões de homens vacinados para espalhar raticidas 
pela cidade, recolher lixo e até invasão de casas para 
queima de roupas e colchões. 
 
Revolta da Vacina: 10 a 16 de novembro de 1904 
Vacina obrigatória e forçada virou sinônimo de tirania, 
inflamando a população contra o regime autoritário de 
Oswaldo, além de colocar a cidade do Rio em estado de 
sítio. 
Provocou 30 mortes, 110 pessoas ficaram feridas e 945 
foram presas, dos quais 461 foram deportados ao Acre. 
Oswaldo Cruz foi afastado. 
Reforma Sanitária de Oswaldo Cruz: 
→ Registro demográfico; 
→ Introdução de um laboratório bacteriológico; 
→ Crescimento da indústria farmacêutica para 
produção de tratamentos profiláticos; 
→ Criação do Instituto Oswaldo Cruz e do 
Instituto Butantan; 
→ Erradicação da febre amarela e combate a 
doenças. 
Em 1920, após o afastamento de Oswaldo. Assume a 
diretoria de saúde e chefia do novo Departamento 
Nacional de Saúde o cientista e pesquisador Carlos 
Chagas. 
Reestruturação do modelo de saúde para criação 
propagandística voltada às mudanças e adaptação 
popular às técnicas rotineiras de ação, potencializando 
o combate a doenças. 
Propostas de educação sanitária: 
Criação de órgãos especializados na luta contra 
tuberculose, hanseníase (lepra) e IST’s. 
Assistência hospitalar, infantil e higiene industrial 
tratados como problemas individuais a serem 
combatidos. 
Expansão das atividades de saneamento básico para 
outros estados da república. Criação da Escola de 
Enfermagem Anna Nery. 
Combate a endemias rurais – valorização da economia 
rural e agropecuária. 
Tais ações foram consideradas o primeiro passo para 
institucionalização de um movimento sanitário eficaz. 
 
 
 
 
Nascimento da Previdência Social e Direitos à Saúde 
Pública 
1923: Lei Eloy Chaves: criação da previdência social: 
CAP. Após greve dos operários em 1917 e 1919. 
CAP: Organizadas por empresas, não era obrigatório. 
Exclusivas a trabalhadores urbanos até 1963. Oferta de 
assistência médica, aposentadoria e pensões aos 
operários. 
1933: criação dos IAP. Todo trabalhador de carteira 
assinada passa a ser contribuinte e beneficiário do 
sistema. Compra de serviços do setor privado. 
1943: CLT! 
1967: unificação dos IAP’s, marcada pela opção de 
compra de serviços assistenciais privados, com modelo 
hospitalocêntrico, curativista e médico-centrado. 
1977/78: Criação do INAMPS – órgão estatal prestador 
de assistência médica. 
Crise do sistema previdenciário: com a priorização da 
medicina curativa, o modelo proposto foi incapaz de 
solucionar problemas de saúde coletiva. Aumentos 
constantes do custo. 
Modelo Médico Assistencialista Privatista: Desvio de 
verba previdenciária para setor da saúde, medicina 
curativa, aumento dos custos, diminuição do 
crescimento econômico, incapacidade de atendimento à 
população marginalizada e não repasse de recursos do 
tesouro à previdência. 
Reforma Sanitária e Surgimento do SUS 
1985: fim da ditadura e eleições diretas. Tancredo. 
Projeto social de caráter global para a sociedade, com 
ampliação dos direitos de cidadania às margens do 
corpo social. 
Após a VIII Conferência Nacional de Saúde, houve o 
estabelecimento de um consenso político que permitiu a 
conformação do projeto da Reforma Sanitária: 
→ Conceito abrangente de saúde; 
→ Saúde = direito de cidadania e dever estatal; 
→ Criação do SUS após projeto ser encaminhado 
à Constituinte; 
Reflexões: 
Saúde como questão social e política, não limitada ao 
biológico nem à assistência médica (direito à saúde). 
Impulsionada pela sociedade civil, com perspectiva 
distinta das reformas setoriais. 
Descentralização: eixo de implementação do SUS.