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PAPER VARIAÇÃO LINGUÍSTICA

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e até nos deparamos com palavras em desuso que deram lugar a novas palavras.Tais mudanças ocorrem visando se adequar às novas necessidades linguísticas.
Mollica explica como ocorrem essas transformações:
Esta mudança a longo prazo, através dos séculos, não se processa de maneira instantânea ou abrupta, como se numa determinada manhã a população inteira acordasse falando de maneira diferente da do dia anterior. De fato, as mudanças linguísticas se processam de maneira gradual em várias dimensões. (MOLLICA, 2010, p.43).
Nas situações de uso, chamadas diafásicas, entram as questões de linguagem formal ou informal, exigindo adaptação da fala ao estilo dela, assim, a maneira de falar com os amigos não será a mesma que em uma entrevista de emprego.
 Outra variedade comum na língua caracteriza-se pelas diferenças entre a modalida escrita ou falada, definida como variação diamésica , nesta exitem termos e palavras que quando escrevemos usamos a norma gramatical padrão, o que não utilizamos na linguagem oral.
Considerando que toda variedade linguística atende às necessidades da comunidade dos sujeitos que a empregam, é importante destacar, de acordo com Silva (2013, p.32), que todas as variedades linguísticas se equivalem, não há nenhuma em condição superior ou inferior, mais ou menos completa, tampouco mais ou menos perfeita do que a outra. 
Assim, cada comunidade tem sua própria forma de se expressar, sua maneira particular de usar a língua. Negar essa diversidade é ignorar a riqueza de uma língua.
2.2 VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS NOS LIVROS DIDÁTICOS DE LÍNGUA PORTUGUESA
A variação linguística é uma realidade presente em toda sociedade, inclusive no contexto escolar. Sabe-se que o livro didático é um dos principais guias de orientação nas aulas de Língua Portuguesa, este pautado nas diretrizes dos PCN que orientam:
[...] é importante que o aluno, ao aprender novas formas linguísticas, particularmente a escrita e o padrão de oralidade mais formal orientado pela tradição gramatical, entenda que todas as variedades linguísticas são legítimas e próprias da história e da cultura humana. Para isso, o estudo da variação cumpre papel fundamental na formação da consciência linguística e no desenvolvimento da competência discursiva do aluno, devendo estar sistematicamente presente nas atividades de Língua Portuguesa. (BRASIL, 1998, p.82).
Portanto, o reconhecimento das variedades linguísticas é fundamental para que as escolas desempenhem seu papel principal de levar os alunos a conhecerem outras formas de falar e escrever.
O ensino da língua, assim, deve ressaltar a exposição das variantes que podem ocorrer numa comunidade linguística, sem que estas sejam rotuladas de melhores ou piores, mas sim educando para uma adequação linguística. Silva (2013, p.30) corrobora esta orientação: “Existem situações convencionadas como formais e outras como informais (familiar, pessoais ou coloquial) e cada uma exige um estilo de fala.”(SILVA, 2013, p.30).
Por isso, o estudo da variação nos LD cumpre um papel fundamental, visando desconstruir as crenças do certo e errado e contribuindo para a integração do aluno na cultura escolar.
 
3. METODOLOGIA
	A abordagem da variação linguística no contexto escolar representa um desafio para o professor e há a necessidade de repensar constantemente as práticas pedagógicas que envolvem esse tema.
Pensando nesse problema, buscamos através deste trabalho, analisar os conteúdos do Livros Didáticos de Língua Portuguesa, no que concerne às atividades pedagógicas voltados ao tema almejado.
Adotamos o método de pesquisa qualitativo, no qual a análise dos livros didáticos foram aliadas à pesquisa bibliográfica.
Optamos por analisar a coleção Tecendo Linguagens, dessa forma, são três livros analisados, (7°, 8° e 9° anos), sendo cada exemplar composto por 4 unidades.
Foi feita uma análise geral das atividades propostas em cada coleção para verificar se estas estão, e de que maneira, orientando as atividades a respeito das questões sobre variação linguística. 
	 
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
	
A língua é considerada a identidade de um povo, objeto histórico e passível de de transformações. Assim, é importante dentro do contexto escolar, a exposição dos alunos às variedades linguísticas e às diversidades culturais, visando a formação integral do discente em todos os contextos sociais.
O objetivo geral do presente trabalho é investigar como se dá o tratamento da variação linguística nos livros didáticos de Língua Portuguesa e de que maneira as atividades podem ser realizadas no objetivo de uso real da língua.
Há que se destacar que o livro não é o único material do professor em sua prática pedagógica e que seu uso em sala se faz de forma não linear, podendo o uso ser alternado com outros materiais didáticos. É preciso, também, que o educador promova a integração, de modo que os alunos compreendam as diferenças na língua portuguesa.
4.1 A ANÁLISE
Considerando o livro didático um importante material de apoio no processo de ensino e aprendizagem, verificamos como este trata das variações linguísticas e como os professores adaptam seus conteúdos à realidade em sala de aula.
Para analisar as questões pertinentes à reflexão e uso da língua, selecionamos os livros didáticos de Língua Portuguesa da coleção Tecendo Linguagens, dos 7°, 8° e 9° anos do ensino fundamental.
A coleção apresenta abordagem da variação linguística de maneira semelhante nos três exemplares, diferenciando-se na opção dos gêneros textuais e nos diferentes temas conforme a faixa etária dos educandos.
Vale ressaltar que os livros apresentam essencialmente escrita de acordo com a norma padrão do português brasileiro, trazendo algumas reflexões a respeito da variedade linguística. Em certos momentos, os livros solicitam aos alunos que diferenciem a norma padrão da linguagem informal e aplicando cada uma delas em diferentes momentos.
Ao longo dos livros, outras abordagens que se referem a formas da linguagem são contempladas com explicações e exercícios, o que leva o aluno a refletir sobre a língua que fala.
 
 FIGURA 01 – ATIVIDADE NA TRILHA DA ORALIDADE (7°ano).
 FONTE: Tecendo Linguagens (2018, p.113).
 A crônica é uma das atividades que mais sugere aos alunos uma reflexão sobre a função de uma variante linguística dentro de um determinado gênero de texto. 
 
 FIGURA 02 – ATIVIDADE LINGUAGEM DO TEXTO (9° ano). 
 FONTE: Tecendo Linguagens (2018, p.159).
 Utilizando-se de diferentes gêneros, a maioria das produções textuais orientam a escrita na norma padrão da língua portuguesa, e, a fim de intensificar esta prática, solicita-se revisões e reescritas. Evidenciando-se assim, a importância da norma padrão da língua, o que nos remete a uma reflexão segundo Bagno (1999): “É claro que é preciso ensinar a escrever de acordo com a ortografia oficial, mas não se pode fazer isso tentando criar uma língua falada ‘artificial’ e reprovando como ‘erradas’ as pronúncias que são resultado natural das forças internas que governam o idioma.”( BAGNO, 1999, p.52).
Entretanto, em algumas atividades propostas, incentivam a reflexão a respeito do contexto de uso da língua, conduzidas de forma que se percebam as características estruturais do gênero, bem como suas funções comunicativas, levando o aluno assim, a escolha da linguagem mais adequada.
 
 FIGURA 03 – ATIVIDADE PRODUÇÃO DE TEXTO (9°ano).
 FONTE: Tecendo Linguagens (2018, p.118).
Nas atividades que incentivam a leitura, os alunos são estimulados a buscarem diferenças entre as linguagens oral e escrita, sem fazer discriminações ou rotular a oralidade como “errada” e a escrita como “certa”, mas, encontramos a proposta de um debate, no qual os alunos assumem papéis e discutem, um determinado assunto que foi lido.
As informações do quadro a seguir concernem ao conteúdo, às atividades propostas na prática de linguagem.

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