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O PROBLEMA DA VIOLÊNCIA

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O PROBLEMA DA VIOLÊNCIA
A questão das imagens e da mídia
- Guy Debord e o acúmulo de imagens na Sociedade do espetáculo
- O caso Eloá:
https://www.youtube.com/watch?v=4IqIaDR_GoQ
Violência como organização social
- Giorgio Agamben e o Estado de Exceção
“O Estado de Emergência não é um escudo para o Estado de Direito, como disseram alguns. A história ensina que é verdade exatamente o contrário. Todos deveriam saber que é justamente o Estado de Emergência previsto pelo artigo 48 da República de Weimar que permitiu que Hitler estabelecesse e mantivesse o regime nazista, declarando, imediatamente depois da sua nomeação como chanceler, um estado de exceção que nunca foi revogado. Hoje, quando nos surpreendemos que tais crimes puderam ser cometidos na Alemanha, esquecemo-nos de que não se tratava de crimes, que era tudo perfeitamente legal, porque a Alemanha estava em um Estado de Exceção, e as liberdades individuais estavam suspensas. Por que o mesmo cenário não poderia se repetir na França? (...).
No Estado de Segurança, o pacto social muda de natureza, e as pessoas que são mantidas sob a pressão do medo estão prontos para aceitar qualquer limitação das liberdades.”
Violência como cura
- Psiquiatria, Choque e Lobotomia, Pedagogia, o educar, surras “corretivas”, higienização étnica...
Existe violência legítima?
- A defesa, a revolução, o cangaço, a resistência...
Se a contradição for o pulmão da história, o paradoxo deverá ser, penso eu, o espelho que a história usa para debochar de nós. Nem o próprio filho de Deus salvou-se do paradoxo. Ele escolheu, para nascer, um deserto subtropical onde jamais nevou, mas a neve se converteu num símbolo universal do Natal desde que a Europa decidiu europeizar Jesus. E para mais inri, o nascimento de Jesus é, hoje em dia, o negócio que mais dinheiro dá aos mercadores que Jesus tinha expulsado do templo. Napoleão Bonaparte, o mais francês dos franceses, não era francês. Não era russo Josef Stálin, o mais russo dos russos; e o mais alemão dos alemães, Adolf Hitler, tinha nascido na Áustria. Margherita Sarfatti, a mulher mais amada pelo antissemita Mussolini, era judia. José Carlos Mariátegui, o mais marxista dos marxistas latino-americanos, acreditava fervorosamente em Deus. O Che Guevara tinha sido declarado "completamente incapaz para a vida militar" pelo exército argentino. Das mãos de um escultor chamado Aleijadinho, que era o mais feio dos brasileiros, nasceram as mais altas formosuras do Brasil. Os negros norte-americanos, os mais oprimidos, criaram o jazz, que é a mais livre das músicas. No fundo de um cárcere foi concebido Dom Quixote, o mais andante dos cavaleiros. E cúmulo dos paradoxos, Dom Quixote nunca disse sua frase mais célebre. Nunca disse "Ladram, Sancho, sinal que cavalgamos". "Acho que você está meio nervosa", diz o histérico. "Te odeio", diz a apaixonada. "Não haverá desvalorização", diz, na véspera da desvalorização, o ministro da Economia. "Os militares respeitam a Constituição", diz, na véspera do golpe de Estado, o ministro da Defesa. Em sua guerra contra a revolução sandinista, o governo dos Estados Unidos coincidia, paradoxalmente, com o Partido Comunista da Nicarágua. E paradoxais foram, enfim, as barricadas sandinistas durante a ditadura de Somoza: as barricadas, que fechavam as ruas, abriam o caminho. – Eduardo Galeano