A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
3 pág.
Endocardite Infecciosa

Pré-visualização | Página 1 de 1

1 
Endocardite Infecciosa 
® As valvopatias são as principais causas de 
endocardite; 
® Endocardite bacteriana x endocardite 
infecciosa: 
à Preferir endocardite infecciosas porque 
existem organismos que não são bactérias 
(como os fungos) que também podem 
causar endocardite; 
® Vegetação: estrutura amorfa (junção de 
fibrina, plaquetas, bactérias, etc); 
à Alta mobilidade; 
à Pode soltar e embolizar; 
® Endarterite: é quando essa infecção 
acomete a parede de um vaso; 
® Endocardite aguda x subaguda: 
à Aguda: recente início (< 6 semanas); 
| Muita febre, estado de toxemia, 
leucocitose, sinais de marcadores de 
inflamação elevados; 
à Subaguda: > 6 semanas; 
| Condição mais insidiosa, febre baixa, 
perda de peso lenta, anemia, etc; 
® Endocardite trombótica não bacteriana 
(ETNB): 
à Não há bactérias na vegetação; 
à Marântica, de Libman-Sacks, câncer, lúpus, 
etc; 
® Fisiopatologia: 
1. Lesão predisponente: 
| Qualquer condição que possa favorecer 
a lesão do endotélio cardíaco; 
| Ex.: paciente que tem uma comunicação 
interventricular congênita, paciente c/ 
prótese, c/ estenose mitral; 
2. Lesão endotelial: 
| Geralmente deriva da anormalidade do 
fluxo (saindo de laminar p/ turbulento); 
3. Deposição de plaqueta e fibrina: 
| Trombo estéril = ETNB (s/ bactérias); 
4. Desenvolvimento de bacteremia: 
| Situações que podem levar à 
bacteremia: procedimento odontológico, 
uso de drogas injetáveis, paciente que 
faz hemodiálise, etc; 
5. Desenvolvimento da endocardite 
infecciosa; 
Da endocardite pode desenvolver: 
6. Embolização: 
| A vegetação se solta e pode migrar p/ 
qualquer parte do organismo; 
| Se a vegetação for do lado direito, o 
principal local de embolização vai ser o 
pulmão (podendo formar abcessos 
pulmonares, por exemplo); 
| Se for do lado esquerdo pode atingir 
qualquer região do corpo; 
| Leva à uma isquemia e pode resultar em 
necrose da região; 
| A embolização pode ser dispersa (ex.: 
vários pontos da perna); 
| Splinters hemorrágicos: hemorragia 
subungueal; 
® Etiologia: 
à 85% dos casos têm cultura positiva; 
à Staphylococcus aureus: 
| Mais presente em casos de endocardite 
aguda; 
à Streptococcus viridans: 
| Mais no contexto de endocardite 
subaguda; 
à Enterococcus: 
| Enterococcus faecalis; 
| Principalmente em pacientes que fazem 
procedimentos endoscópicos (ex.: 
colonoscopia); 
à Streptococcus bovis: 
| Muito encontrados em pacientes que tem 
câncer de cólon; 
à Grupo HACEK: 
| Acrônimo de 5 bactérias: Haemophilus, 
Actinobacillus, Cardiobacterium, Eikenella 
e Kingella; 
| Geralmente não crescem na cultura 
(fazem parte dos 15%, juntamente c/ 
fungos); 
à Menos comuns: Streptococcus pneumoniae 
(casos geralmente associados à 
pneumonia ou meningite), Staphylococcus 
epidermidis (pós troca de válvula), gram 
 
 
 
2 
negativos (pacientes imunodeprimidos, 
hospitalizados, em UTI) e fungos 
(vegetações muito grandes, não responde 
bem à antifúngicos, o tratamento de 
escolha é cirúrgico); 
® Quando pensar em um paciente c/ 
endocardite: 
à Febre sempre é um sinal central, sem causa 
óbvia (pneumonia, infecção urinária); 
® Etiologia: ENDOCARDITE AGUDA 
à Staphylococcus aureus; 
à Enterococcus; 
à Streptococcus pneumoniae; 
® Etiologia: ENDOCARDITE SUBAGUDA 
à Streptococcus viridans; 
à Streptococcus bovis; 
à Enterococcus faecalis; 
® Etiologia: USUÁRIO DE DROGAS 
à Nesses casos, é adquirida através da pele, 
então as câmaras mais acometidas são as 
direitas e a valva é a tricúspide; 
à Staphylococcus aureus; 
à Streptococcus pneumoniae; 
à MRSA: 
| Geralmente em pacientes que já fizeram 
uso de antibióticos mais simples 
(resistente a meticilina, oxacilina); 
| Tratar c/ vancomicina (associada a outro 
antibiótico); 
® Etiologia: VALVA PROTÉTICA 
à < 1 ano da cirurgia; 
à Staphylococcus epidermidis; 
à Staphylococcus aureus; 
à Gram negativos; 
à Fungos; 
® Quadro clínico (agudo): 
à Febre (geralmente alta); 
à Sudorese profusa; 
à Calafrios; 
à Sopro sistólico; 
® Manifestações embólicas/vasculares: 
à Hemorragias subungueais (splinters 
hemorrágicos); 
à Petéquias subconjuntivais; 
à Manchas de Janeway (palmas das mãos e 
planta dos pés); 
à Embolia e abcesso pulmonar; 
® Fenômenos imunológicos: 
à Nódulos de Osler (acomete os dedos, 
muito dolorosos); 
à Manchas de Roth (vistas na retina); 
à Glomerulonefrite; 
® Achados laboratoriais: 
à Anemia (90% dos casos); 
à Provas de atividade inflamatória (­ VSH e 
­ PCR); 
à Leucocitoses (endocardite aguda); 
à Achados c/ prevalência < 50%: 
| Fator reumatoide (50%); 
| Hipergamaglobulinemia (30%); 
| Hipocomplementenemia (10%); 
® Diagnóstico (critérios de Duke): 
à Maiores: 
| Método de imagem positivo; 
| Hemoculturas positivas; 
| Presença de sopro novo; 
à Menores: 
| Fatores predisponentes (já teve 
endocardite, tem prótese, tem CIV, 
usuário de drogas, etc); 
| Febre; 
| Fenômenos vasculares; 
| Fenômenos imunológicos; 
| Evidência microbiológica (não critério 
maior); 
à P/ fechar diagnóstico precisa: 
| 2 maiores; 
| 1 maior + 3 menores; 
| 5 menores; 
® Detalhando os critérios maiores: 
à Hemocultura: 
| Agente etiológico típico (ex.: S. viridans): 
2 amostras positivas; 
| Agente etiológico qualquer: culturas 
persistentes (+ de 3 culturas positivas); 
 
 
 
3 
| Coxiella burnetti (febre Q): 1 amostra 
positiva (ou sorologia IgG > 1:800); 
à Ecocardiograma (principalmente o ECO 
transesofágico): 
| Massa oscilante (vegetação típica); 
| Abcesso; 
| Deiscência de prótese (quando a prótese 
começa a se soltar); 
à Regurgitação valvar nova: 
| Sopro novo ou piora de um já existente; 
® Detalhando os critérios menores: 
à Predisposição: 
| Uso de drogas injetáveis ou cardiopatia 
predisponente; 
à Febre: > 38°C; 
à Fenômenos embólicos/vasculares: 
| Embolização, aneurisma micótico, 
hemorragia conjuntival, hemorragia 
intracraniana e Janeway; 
à Fenômenos imunológicos: 
| Fator reumatoide, glomerulonefrite, Osler 
ou Roth; 
à Culturas que não preenchem os critérios 
maiores; 
® Se tiver mais de uma manifestação na mesma 
categoria, conta apenas um; 
® Tratamento (pensar no agente etiológico): 
à S. viridans ou S. bovis: 
| Penicilina cristalina (4/4h por 4 semanas); 
| Penicilina cristalina + gentamicina (8/8h 
por 2 semanas); 
| Ceftriaxona (4 semanas); 
| Vancomicina (12/12h por 4 semanas); 
à S. aureus: 
| Oxacilina (4/4h por 6 semanas) + 
gentamicina (8/8h por 5 dias); 
| Cefalotina (8/8h por 6 semanas) + 
gentamicina (8/8h por 5 dias); 
| Vancomicina (12/12h por 6 semanas); 
à Enterococcus: 
| Penicilina cristalina (4/4h por 6 semanas) 
+ gentamicina (8/8h por 6 semanas); 
| Vancomicina (12/12h por 6 semanas); 
à S. epidermidis: 
| Vancomicina (12/12h) + rifampicina (8/8h 
por 6 semanas) + gentamicina (8/8h por 
2 semanas); 
| Rifampicina: impede a formação do 
biofilme que atrapalha a ação dos 
outros antibióticos; 
® Se o sopro aumentar na inspiração está 
acometendo a valva tricúspide (manobra 
de Rivero Carvalho); 
® Indicações de cirurgia: 
à ICD (IC descompensada); 
à Endocardite fúngica; 
à Complicações mecânicas (abcesso, leak 
paravalvar, fístulas intracardíacas, BAVT); 
à EI em prótese c/ < 2 meses; 
à EI por gram negativo em portadores de 
prótese; 
à Bacteremia persistente > 10 dias; 
à Embolia séptica recorrente, vegetações 
>10mm; 
® Profilaxia: 
à Amoxicilina (2g, 1h antes do 
procedimento); 
à Indicações: próteses, EI prévia, cardiopatia 
cianótica (como tetralogia de Fallot) não 
operada, operada nos últimos 6 meses ou 
c/ correção parcial; 
® SEMPRE colher hemocultura;