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Farmacologia- Farmacocinética nos estágios pediátricos e geriátricos

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Introdução 
As respostas clínicas à administração de 
fármacos podem ser acentuadamente 
influenciadas tanto pela idade cronológica do 
indivíduo quanto pela maturidade relativa do 
sistema orgânico específico para o qual a droga 
está sendo utilizada. 
Existem diferenças e problemas terapêuticos 
peculiares associados ao tratamento do indivíduo 
muito jovem e do paciente idoso. 
As mudanças da função corporal relacionadas 
com a idade alteram os parâmetros 
farmacocinéticos e determinam a ação de cada 
composto, o grau de interação entre a droga e 
receptor e a absorção, a distribuição, o 
metabolismo e a excreção das drogas. 
Eliminação de drogas na 
população pediátrica 
Para estudar a eliminação de drogas em crianças, 
é mais conveniente dividi-las em cinco grupos 
etários: 
1. Prematuros; 
2 .Lactentes a termo do nascimento até o 
primeiro mês de vida; 
3 .Crianças de 1 mês a 2 anos de idade; 
4. Crianças de 2 a 12 anos de idade; e 
5. Crianças de 12 a 18 anos de idade. 
Ao nascimento, os lactentes a termo são 
capazes de metabolizar e eliminar os fármacos. 
Na maioria dos pacientes, esses sistemas não 
funcionam durante a vida fetal e, portanto, até 
mesmo ao nascimento não são muito eficientes. 
As drogas administradas à mãe também podem 
afetar os lactentes amamentados ao seio. 
As drogas são, em sua maioria, encontradas no 
leite materno em pequenas quantidades. Porém, 
diversos fármacos podem alcançar 
concentrações suficientes para exercer efeitos 
adversos no recém-nascido. 
As drogas contra-indicadas durante a 
amamentação incluem a cocaína, a ergotamina 
e a cimetidina. 
O período que se estende do primeiro mês aos 
2 anos de idade é uma fase de rápido 
crescimento e maturação. No final desse 
período, os sistemas já conseguem, em sua 
maioria, funcionar em níveis do adulto. 
Paradoxalmente, entre 2 e 12 anos de idade, a 
depuração dos fármacos aumenta 
acentuadamente e, com frequência, excede os 
valores do adulto. 
As meias-vidas são mais curtas e as necessidades 
de doses são, com frequência, maiores que as 
dos adultos. 
Dos 12 aos 18 anos de idade, começam a 
aparecer as diferenças sexuais. 
Com frequência, estas diferenças estão 
associadas a uma redução da absorção e 
eliminação de drogas no sexo feminino, em 
contraste com o sexo masculino. 
As mulheres têm menos acidez gástrica e maior 
tempo de esvaziamento gástrico. 
Os estrogênios diminuem o conteúdo hepático 
do citocromo P450 e, portanto, podem diminuir 
o metabolismo de alguns fármacos através das 
vias de Fase I. São observadas alterações cíclicas 
na filtração glomerular durante o ciclo menstrual. 
Maturação de sistemas específicos 
relacionada com a idade 
 
Outros fatores que afetam a eliminação de 
fármacos no recém-nascido 
 
Absorção 
A absorção oral das drogas é influenciada pela 
acidez gástrica e pelo tempo de esvaziamento. 
O ácido gástrico raramente é encontrado no 
estômago de lactentes com menos de 32 
semanas de gestação. 
A princípio, o ácido gástrico é secretado durante 
as primeiras horas após o nascimento e atinge 
níveis máximos nos primeiros 10 dias de vida. 
Diminui durante os próximos 20 dias de vida 
extra-uterina. 
A secreção de ácido gástrico aproxima-se dos 
limites inferiores da faixa do adulto aos 3 meses 
de idade. 
O início da secreção de ácido é frequentemente 
retardado em lactentes com início tardio da 
alimentação oral, como no caso de prematuros 
extremos e lactentes com anomalias do trato 
gastrintestinal. 
O tempo de esvaziamento gástrico no lactente 
está relacionado à sua idade e ao tipo de 
alimentação que recebe. 
As fórmulas que contêm ácidos graxos de cadeia 
longa podem retardar o esvaziamento gástrico. 
Tanto o esvaziamento gástrico quanto o 
peristaltismo do intestino delgado tendem a ser 
lentos até o final do primeiro ano de vida. 
Nas crianças de 2 a 12 anos de idade, o tempo 
de esvaziamento gástrico aumenta 
acentuadamente, assim como o fluxo sanguíneo 
esplâncnico. Essas alterações fisiológicas resultam 
em absorção mais rápida das drogas e aumento 
das concentrações sanguíneas máximas. 
Nas crianças de 2 a 12 anos de idade, durante 
este período, a redução do tempo de trânsito 
do intestino delgado pode resultar em absorção 
diminuída de alguns fármacos. 
Devido ao baixo fluxo sanguíneo do músculos 
durante o período neonatal, os fármacos 
administrados por via intramuscular sofrem 
absorção errática. 
A absorção percutânea dos fármacos pode 
apresentar problemas especiais no recém-
nascido, particularmente nos prematuros. 
A pele de um recém-nascido a termo pode 
exibir a mesma capacidade protetora que a pele 
de um adulto, o prematuro não possui essa 
barreira protetora até completar 2 a 3 semanas 
de vida. A absorção percutânea excessiva causa 
toxicidade significativa em prematuros. 
Att. 
A absorção de sabão de hexaclorofeno utilizado 
para banhar recém-nascidos resultou em lesão 
cerebral e morte. 
Os corantes de anilina nas roupas hospitalares já 
provocaram cianose secundária a meta-
hemoglobinemia, e o creme EMLA 
(lidocaína/prilocaína) pode causar meta-
hemoglobinemia quando aplicado a lactentes 
com menos de 3 meses de idade. 
A lidocaína/prilocaína não é recomendada para 
uso em bebês prematuros ou naqueles com 
menos de 12 meses de idade ou que estejam 
recebendo drogas indutoras de meta-
hemoglobinas como, por exemplo, a fenitoína, 
pois a o-toluidina, uma amina metabólita da 
prilocaína, pode induzir meta-hemoglobinemia. 
Cianose resistente ao tratamento com oxigênio 
e uma diferença entre as leituras de amostragem 
arterial e oximetria de pulso podem ser pistas 
diagnósticas. 
Em 2016, Kuiper-Prins et al. divulgaram o caso de 
um menino de 12 dias com meta-
hemoglobinemia após circuncisão com anestesia 
local com infiltração de lidocaína (6 mL a 1%) e 
creme tópico EMLA® (2,5% lidocaína/2,5% 
prilocaína). O paciente não tinha problemas 
respiratórios, mas uma pele notavelmente escura 
e meta-hemoglobina elevada de 49,8% (normal: 
< 1,5%). O paciente foi tratado com administração 
de oxigênio, mas a concentração de meta-
hemoglobina ainda era elevada (45%), mesmo 
após uma hora. Após a administração de duas 
doses de azul de metileno por via intravenosa 
(total de 0,7 mg/kg), a concentração de meta-
hemoglobina diminuiu para 3,3% e normalizou 
para 1,3% no dia seguinte. 
Distribuição 
A água corporal de prematuros, recém-nascidos 
e lactentes é significativamente maior que a de 
crianças de mais idade e adultos. 
Essa água corporal aumentada eleva o volume 
de distribuição do fármaco para compostos 
hidrossolúveis. Em consequência é necessário 
administrar doses de ataque no caso de alguns 
fármacos. 
As diferenças na água corporal total são 
basicamente insignificantes depois do primeiro 
ano de vida. 
Os recém-nascidos apresentam gordura corporal 
diminuída e, portanto, têm menos capacidade de 
armazenamento dos fármacos lipossolúveis. 
 
Metabolismo 
A exemplo dos adultos, o fígado é o principal 
órgão responsável pelo metabolismo das drogas 
em crianças. 
Apesar de o sistema do citocromo P450 estar 
totalmente desenvolvido ao nascimento, ele atua 
mais lentamente do que nos adultos. 
As reações de oxidação de fase I e os sistemas 
enzimáticos de desmetilação encontram-se 
acentuadamente reduzidos ao nascimento. 
Os sistemas enzimáticos de redução 
aproximam-se dos níveis dos adultos e as vias de 
metilação estão aumentadas ao nascimento, isto 
contribui frequentemente para a produção, nos 
recém-nascidos, de metabólitos diferentes 
daqueles observados em adultos. 
Ex. 
Os recém-nascidos metabolizam cerca de 30% 
de teofilina em cafeína, em lugar de derivados do 
ácido úrico, como ocorre no adulto. 
Embora as enzimas de Fase I tenham alcançado, 
em sua maioria, a atividade da álcool 
desidrogenase surge em torno de 2 meses de 
idade e só se aproxima