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Farmacologia- Farmacocinética nos estágios pediátricos e geriátricos

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dos níveis de adulto em 
torno de 5 anos. 
As reações enzimáticas de Fase II são 
responsáveis pela eliminação de compostos 
endógenos, como a bilirrubina, e de numerosas 
substâncias exógenas. 
A imaturidade da via de glucuronidação é 
responsável pelo desenvolvimento da síndrome 
do bebê cinzento em recém-nascidos tratados 
com cloranfenicol. 
Ex. Os prematuros e recém-nascidos que 
morreram dessa síndrome desenvolveram 
anemia e colapso cardiovascular, devido às 
concentrações sanguíneas elevadas de 
cloranfenicol não-conjugado. Foi constatado a 
meia-vida plasmática do fármaco de 26 horas 
nesses pacientes, em comparação com 4 horas 
nas crianças de mais idade. 
Ex. Os lactentes e as crianças têm maior 
capacidade de efetuar a conjugação do sulfato, 
em comparação com adultos. Então, o 
acetominofeno é excretado predominantemente 
na forma de conjugado de sulfatos em crianças, 
em contraste com o conjugado de glicuronídeo 
nos adultos. Essa sulfatação aumentada do 
acetominofeno, juntamente com o metabolismo 
diminuído através das vias do citocromo P450 e 
aumento da renovação da glutationa, possa 
explicar a hepatotoxicidade diminuída associada a 
esse analgésico em crianças com menos de 6 
anos de idade. Os sistemas enzimáticos de Fase 
II alcançam os níveis do adulto entre 3 e 6 meses 
de idade. 
Eliminação 
O fluxo sanguíneo renal, a taxa de filtração 
glomerular e a função tubular encontram-se 
reduzidos tanto em prematuros quanto nos 
recém-nascidos a termo. 
Em razão disto, os recém-nascidos, 
particularmente aqueles com menos de 34 
semanas de gestação, necessitam de intervalos 
menos frequentes entre as doses de muitos 
fármacos. 
Ex. 
Os aminoglicosídios são administrados a intervalo 
de 8 horas em crianças de mais idade, a cada 12 
horas em recém-nascidos e a cada 24 horas no 
lactente prematuro. 
Att. 
A taxa de filtração glomerular no recém-nascido 
a termo é cerca de 50% menor do que o valor 
do adulto, atinge a faixa do adulto com 1 anos de 
idade. 
O fluxo sanguíneo renal aproxima-se dos valores 
do adulto entre 5 e 12 meses. 
As funções secretoras tubulares amadurecem 
mais lentamente do que a filtração glomerular. 
A secreção e reabsorção tubulares atingem 
níveis do adulto aos 7 meses de idade. 
A eliminação renal de fármacos parece 
desempenhar um maior papel do que o 
metabolismo no recém-nascido. 
Durante o primeiro ano de vida, o lactente 
desenvolve um padrão excretor mais típico do 
adulto. 
As crianças, particularmente no primeiro ano de 
vida, apresentam problemas farmacológicos 
significativos. 
A administração de fármacos precisa ser 
individualizada para atender às necessidades 
singulares das crianças em seus vários estágios 
de desenvolvimento. 
É necessário dispensar uma atenção especial 
para as ações inesperadas e reações adversas 
dos fármacos nesses pacientes, cuja maturação 
ocorre em velocidade variáveis. 
Ao planejar a farmacoterapia para crianças, é 
importante lembrar os seguintes aspectos: 
- As crianças não são adultos pequenos; 
- Os lactentes não são crianças pequenas; 
- Os recém-nascidos não são lactentes 
pequenos; 
- Os prematuros não são recém-nascidos 
pequenos. 
Eliminação de drogas na 
população geriátrica 
Esse segmento da sociedade é o que mais 
recebe farmacoterapia, respondendo por cerca 
de mais de 25% das prescrições de fármacos. 
Em média, num hospital de tratamento agudo, 
recebe 10 medicações diferentes por dia, o que 
reflete numa maior incidência de reações 
adversas nos pacientes geriátricos do que na 
população geral. 
Com o envelhecimento, há mudanças em todas 
áreas da farmacocinética; algumas mudanças são 
clinicamente mais relevantes. O metabolismo e a 
excreção de muitos fármacos diminuem, o que 
exige que as doses de alguns fármacos sejam 
diminuídas. Toxicidade pode se desenvolver 
lentamente porque as concentrações dos 
fármacos de uso crônico aumentam para 5 a 6 
meias-vidas até alcançar um estado estável. Ex. 
certos benzodiazepínicos (diazepam, flurazepam, 
clordiazepóxido), ou seus metabolitos ativos, têm 
meia-vidas de até 96 h em pacientes idosos; os 
sinais de toxicidade podem não aparecer por dias 
ou semanas após o início do tratamento. 
Absorção 
Apesar da diminuição relacionada à idade na área 
da superfície do intestino delgado, o 
esvaziamento gástrico tardio e o aumento do pH 
gástrico, as alterações na absorção dos fármacos 
tendem a ser clinicamente irrelevantes na maioria 
dos fármacos. 
Uma exceção clinicamente relevante é o 
carbonato de cálcio, que requer um ambiente 
ácido para uma absorção ideal. Assim, os 
aumentos no pH gástrico — que podem estar 
relacionados com a idade (como na gastrite 
atrófica) ou com fármacos (como com os 
inibidores da bomba de prótons) — podem 
diminuir a absorção de cálcio e aumentar o risco 
de constipação. 
Portanto, pacientes idosos devem utilizar sal de 
cálcio (p. ex., citrato de cálcio), que se dissolve 
mais facilmente em um ambiente menos ácido. 
Outro exemplo da absorção alterada com o 
aumento do pH gástrico é a liberação precoce 
de formas de dosagem com revestimento 
entérico (p. ex., ácido acetilsalicílico com 
revestimento entérico, eritromicina com 
revestimento entérico), aumentando o risco de 
efeitos adversos gastrointestinais. 
Distribuição 
Com a idade, ocorre geralmente o aumento da 
gordura corporal, enquanto o volume líquido 
corporal diminui. Maior nível de gordura aumenta 
o volume de distribuição dos fármacos altamente 
lipofílicos (p. ex., diazepam, clordiazepóxido) e 
pode aumentar as meias-vidas de eliminação. 
A albumina sérica diminui (hipoalbuminemia) e o 
alfa 1-ácido glicoproteico aumenta com a idade, 
mas o efeito clínico dessas alterações sobre a 
ligação farmacológica no soro varia dentre os 
diferentes fármacos. 
Em pacientes com doença aguda ou 
desnutrição, a redução rápida da albumina sérica 
pode intensificar o efeito do fármaco porque as 
concentrações séricas dos fármacos não ligados 
(livres) podem aumentar. Ex. A fenitoína e 
varfarina são fármacos com alto risco de efeitos 
tóxicos quando o nível de albumina sérica diminui. 
Att. Com frequência, o nível plasmático de uma 
droga livre ativa é uma função direta do grau de 
sua ligação às proteínas plasmáticas. 
Nos seres humanos verifica-se um declínio em 
torno de 20% bem documentado na 
concentração plasmática de albumina, 
relacionado com a idade, devido a uma taxa 
reduzida de síntese hepática de albumina. 
Metabolismo 
Além das alterações no metabolismo que 
ocorrem em consequência da atividade das 
enzimas hepáticas, o metabolismo pode ser 
afetado por uma redução na massa, volume e 
fluxo sanguíneo hepáticos. 
As vias de oxidação de fase I diminuem com a 
idade, enquanto as vias de conjugação de fase II 
permanecem inalteradas. 
O metabolismo hepático geral de muitos 
fármacos através do sistema da enzima 
citocromo P-450 diminui com a idade. Para 
fármacos com redução de metabolismo 
hepático, a depuração normalmente diminui em 
30 a 40%. 
Teoricamente, deve-se reduzir as doses de 
manutenção do fármaco de acordo com esse 
porcentual; no entanto, a taxa de metabolismo 
dos fármacos varia significativamente de um 
indivíduo para outro, e deve-se individualizar o 
ajuste da dosagem. 
Meias vidas plasmáticas 
O metabolismo de primeira passagem 
(metabolismo, tipicamente hepática, que ocorre 
antes de um fármaco alcançar a circulação 
sistêmica) também é afetado pelo 
envelhecimento, uma redução de cerca de 
1%/ano após os 40 anos. Assim, para uma dada 
dose oral, os idosos podem ter concentrações 
circulantes mais elevadas dos fármacos. 
Exemplos importantes de fármacos com alto 
risco de efeitos tóxicos incluem nitratos, 
propranolol, fenobarbital e nifedipina. 
 
Excreção 
A eliminação renal de substâncias estranhas 
pode modificar-se acentuadamente com a idade 
em