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Farmacologia- Princípios da toxicologia

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Introdução 
O princípio da toxicologia considera os efeitos 
adversos dos compostos químicos, incluindo 
drogas, e de outros agentes, como toxinas 
biológicas e radiação, nos sistemas biológicos. A 
toxicidade associada à ação da droga pode ser 
geralmente caracterizada como uma extensão do 
efeito terapêutico, como a depressão fatal do SNC 
que pode acompanhar uma superdosagem de 
barbitúricos, ou como um efeito que não se 
relaciona ao efeito terapêutico, como: ex. a lesão 
hepática que pode resultar da superdose de 
acetominofeno. 
À semelhança de muitas intervenções clínicas, o 
uso de fármacos para benefício terapêutico está 
sujeito à lei das consequências não pretendidas. 
Estas – denominadas efeitos colaterais, efeitos 
adversos ou efeitos tóxicos – constituem uma 
função dos mecanismos de ação dos fármacos, da 
magnitude da dose, das características e do estado 
de saúde do paciente. 
O órgão para a expressão da toxicidade 
xenobiótica não é necessariamente o tecido ou 
órgão no qual a droga produz seu efeito 
terapêutico, nem é necessário que seja o tecido 
que possui a mais alta concentração do agente. Ex. 
✓ O chumbo se acumula nos ossos, mas não 
produz toxicidade neste local; 
✓ Certos pesticidas clorados acumulam-se no 
tecido adiposo, mas não produzem efeitos 
adversos nesses locais. Drogas como o 
acetominofeno causam necrose na porção 
centrolobular do fígado no local das 
enzimas do tipo monooxigenase que 
bioativam o analgésico. 
Chumbo 
Nos países em desenvolvimento, até 15-20% do 
retardo mental pode ser causado pela exposição 
ao chumbo. A carga da doença é muitas vezes 
subestimada pelos governantes. Centenas de 
milhões de crianças e mulheres grávidas estão 
expostas a diferentes fontes de chumbo. 
A exposição e posterior intoxicação por chumbo 
tem sido reconhecida desde os tempos antigos, 
mas alcançou proporções epidêmicas durante o 
século XX, devido ao aumento progressivo da 
produção e utilização de chumbo. A suscetibilidade 
ao envenenamento por chumbo é particularmente 
elevada entre as crianças devido ao aumento da 
exposição e absorção e sua especial 
vulnerabilidade. 
Chumbo prejudica vários sistemas orgânicos, mas 
a principal preocupação é a lesão do SNC, 
particularmente em jovens crianças que são 
expostas ao chumbo durante os períodos críticos 
de desenvolvimento do cérebro. As manifestações 
da intoxicação por chumbo são inespecíficas e a 
grande maioria das crianças pode ser assintomática 
e diagnosticada apenas por exames de rotina dos 
níveis de chumbo no sangue. 
Crianças (com início no pré-natal) estão em maior 
risco de envenenamento por chumbo porque eles 
têm a maior exposição, maior absorção, aumento 
da penetração da barreira hematoencefálica e um 
sistema nervoso em desenvolvimento, que é mais 
sensível a danos causados por este metal pesado 
poluente. Brinquedos de plástico, giz, giz de cera, 
cosméticos e tintas são alguns dos materiais que 
podem conter a substância e provocar 
intoxicação, comprometendo o desenvolvimento 
infantil 
Principais fontes de contaminação, segundo a SBP: 
✓ Ingestão ou inalação de poeira ou lascas de 
tinta antigas em mau estado de 
conservação ou durante as atividades de 
lixamento ou reformas; 
✓ Canos de água com chumbo em 
residências antigas; 
✓ Enlatados com o metal em sua 
composição; 
✓ Panelas com chumbo em suas soldas; 
✓ Brinquedos, giz-de-cera e adornos feitos 
com chumbo; 
✓ Reciclagem de baterias de chumbo de 
carros; 
✓ Medicamentos caseiros e cosméticos; 
✓ Móveis reformados 
Toxicinética 
As crianças pequenas podem absorver chumbo 
por ingestão (até 40-70% de chumbo é absorvido 
a partir do trato gastrointestinal). As mulheres 
grávidas também podem absorver até 70% de 
uma dose de chumbo via oral, apresentando, 
assim, níveis de chumbo no sangue elevados para 
o feto. As crianças também podem absorver 
chumbo por inalação (até 70% do chumbo é 
absorvido a partir dos pulmões). O metabolismo do 
chumbo é complexo e varia significativamente 
com a idade. A absorção de chumbo depende do 
seguinte: 
- O tamanho das partículas: se menos de 1 
micrômetro, 70% é absorvida pelos pulmões. 
- Idade: 40-70% é absorvido no trato 
gastrointestinal em crianças pequenas, e 10 a 20% 
em adultos. 
- A absorção é aumentada por anemia, baixos 
níveis de ferro, cálcio e zinco, e alimentos ácidos. 
Uma vez absorvido, a distribuição segue um 
modelo de três compartimentos: primeiro sangue, 
então tecidos moles, incluindo rim fígado e cérebro 
em exposição crônica os principais depósitos 
(90%) são no osso, com eliminação muito lenta. 
A eliminação é principalmente através da urina 
Tratamento 
O tratamento para intoxicação por chumbo é feito 
com o uso de quelantes*. No Brasil a experiência 
restringe-se ao uso de dimercaprol, versenato de 
cálcio e D-penicilamina, sendo os mais eficazes o 
versenato de cálcio por via parenteral e o ácido 
dimercatosuccínico por via oral. No entanto, o 
tratamento com quelantes é indicado em casos em 
que os níveis da Pb séricos > 60 μg/dl, sendo 
necessário a realização do Teste de Mobilização 
de Chumbo (TCM) antes da realização do 
tratamento. O TCM, tem por objetivo clínico 
estimar a carga corpórea de Pb, através da medida 
da quantidade de chumbo excretada na urina 
(plumbúria), a partir da administração de uma dose 
única padrão de quelante, sendo que 
tradicionalmente se usa versenato de cálcio. 
*Substância com a capacidade de fixar ions 
metálicos, formando um complexo (quelato), 
solúvel e não tóxico. Os quelantes são utilizados no 
tratamento de intoxicações por metais. 
Fármacos- Toxicidade 
Os efeitos adversos incluem desde os comuns e 
relativamente benignos até os que representam 
sério risco de lesão orgânica ou morte. Entretanto, 
mesmo os primeiros podem causar considerável 
desconforto e levar o paciente a evitar o 
medicamento ou reduzir seu uso. Além disso, em 
geral, o tipo e o risco de efeitos adversos 
dependem da margem de segurança entre a dose 
necessária do fármaco para ser eficaz e a dose 
que provoca efeitos indesejáveis. Quando a 
margem de segurança é grande, a reação (efeito 
tóxico) resulta principalmente de superdosagem; 
quando pequena ou inexistente, os efeitos 
adversos podem manifestar-se com doses 
terapêuticas. Esses princípios aplicam-se também 
aos fármacos de venda não sujeita a prescrição, 
como o paracetamol e o ácido acetilsalicílico. 
A possibilidade de um fármaco causar mais 
prejuízo do que benefício a determinado paciente 
depende de muitos fatores incluindo: 
✓ Idade; 
✓ constituição genética; 
✓ condições preexistentes; 
✓ dose do fármaco administrado e outros 
fármacos já em uso. 
Por exemplo, indivíduos muito idosos ou crianças 
muito pequenas podem ser mais suscetíveis aos 
efeitos tóxicos, devido às diferenças dependentes 
da idade no perfil farmacocinético ou nas enzimas 
envolvidas no metabolismo dos fármacos. 
“Quanto menor a potência de um fármaco, e 
maior a dose necessária, maior a probabilidade de 
que outros sítios de ação, diferentes do sítio 
primário, ganhem importância”. 
As categorias de reações adversas dos fármacos 
que resultam: 
✓ de ativação ou inibição inapropriadas do 
alvo pretendido do fármaco (efeitos 
adversos no alvo), que resultam da ligação 
do fármaco a seu receptor pretendido, 
porém em concentração inapropriada, 
com cinética subótima ou no tecido 
incorreto; 
✓ de alvos não pretendidos (efeitos adversos 
fora do alvo), causados pela ligação do 
fármaco a um alvo ou receptor não 
pretendido; 
✓ efeitos adversos mediados pelo sistema 
imune; 
✓ respostas idiossincrásicas cujo mecanismo 
não é conhecido. 
Efeitos adversos no alvo 
Efeito adverso que representar um exagero da 
ação farmacológica desejada, devido a alterações 
na exposição à substância. 
✓ Isso pode ocorrer