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ANAMNESE E EXAME FÍSICO EM ORTOPEDIA

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ANAMNESE E EXAME FÍSICO EM ORTOPEDIA
 Hoje nós temos que começar pela síntese básica do que eu vou pedir, que é o exame 
físico. Ninguém sabe nada sem antes saber fazer um bom exame físico e uma boa 
anamnese. Depois nós vamos trabalhar alguns tópicos:
- As artroses das principais articulações
- Doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho (DORT) e lesões por esforço 
repetitivo (LER), estão incluídas aí as tendinites, bursites, lesões de sobrecarga.
- Processos infecciosos ósseos, que são patologias bastante frequentes e por vezes 
passam despercebidas, ou seja, desde a osteomielite, que é a infecção óssea, até a 
artrite séptica, que é a infecção das articulações. São urgências e que deve ser feito o 
tratamento tão logo quanto é feito o diagnóstico.
- Lesões das regiões de crescimento da criança, que é a região que a gente chama de 
fase de crescimento, então as lesões são as epifisiólises, as lises da região de 
crescimento
- Vamos trabalhar com uma das patologias mais comuns do quadril da criança, a 
displasia de desenvolvimento do quadril, que deve ser diagnosticado ou suspeitado 
pelo médico do ESF quando ele faz os exames físicos da criança recém-nascida, a 
puericultura.
- Algias da coluna, basicamente nós vamos nos direcionar para as algias lombares, que 
são as principais e, dentre essas, os principais causadores das algias lombares, que 
são as discopatias, ou seja, o fenômeno discogênico, uma alteração do disco vertebral 
que vai levar a essa dor na região lombar.
 
 Tudo começa pela anamnese e pelo exame físico. Na verdade o exame físico da 
ortopedia compreende a simples observação do paciente, ou seja, o simples olhar o 
paciente. Aquele paciente que está entrando na sala, ele já nos traz muita informação. Por 
exemplo, aquele vovozinho que caminha corcunda. A gente já tem que pensar que ele 
possa ter uma queixa na região dorsal, ou seja, ele está apresentando uma cifose, uma 
deformidade da coluna e nós temos que pensar que pode ser simplesmente uma cifose 
postural ou esse vovozinho pode ter feito um esforço em casa e ter levantado um 
sofazinho para a patroa varrer embaixo e sentiu uma dor meio incômoda, que no outro dia 
piorou e ele pode ter feito uma fratura em um osso osteoporótico. Alguns autores 
consideram isso uma fratura patológica, porque existe uma patologia predisponente, que 
é a osteoporose, como também outros autores consideram fratura patológica apenas 
aquelas oriundas de tumores.
 Ou aquele paciente que chega mancando, ou seja, ele não consegue levantar o 
quadril. Tu já observa e percebe que aquele quadril não levanta, ele não consegue 
inclinar a pelve e dessa observação tu já pode pensar que ele tem uma patologia no 
quadril que está fazendo com que aquele glúteo médio (que é o grande responsável por 
fazer a elevação da pelve) esteja insuficiente, ou esteja de certa forma frouxo. O 
encurtamento do colo do fêmur pode provocar insuficiência nesse braço de 
alavanca, que é o glúteo médio e que se insere no grande trocânter. Isso pode fazer 
com que ele não mantenha a sua tensão e, por isso, não consiga puxar o membro 
superior com a mesma força, ou seja, não tem o braço de alavanca efetivo. Uma 
fratura consolidada de uma forma equivocada (consolidação viciosa, que é quando o 
osso quebra e consolida de forma errada, no lugar errado) pode provocar um 
encurtamento do colo do fêmur e, consequentemente, uma discrepância entre os 
membros e isso faz com que o glúteo médio se torne insuficiente.
 Tem paciente que chega caminhando e arrastando a ponta do pé porque ele não 
consegue puxar o pé dele pra cima. Aí o paciente senta na tua frente e diz que sente uma 
dor na região lombar e que desce pra membro inferior, essa dor já é de longa data e 
esporadicamente ele sentia as pernas perderem as forças e ele caía no chão. Agora, 
de uns tempos pra cá, ele não consegue mais levantar a ponta do pé. Eu já tenho que 
pensar, observando o modo como esse paciente entrou, que ele possa estar tendo uma 
lombociatalgia, que é aquela dor lombar que se irradia para toda região do trajeto do 
ciático, sendo sempre inferior distal à articulação do joelho e que esteja levando a um 
déficit de força e motricidade. O fato de levantar, fazer a dorsiflexão, é uma função de L4 
e L5. Então ele tem uma hérnia discal que está comprometendo essa função de força e 
motricidade e provavelmente vai estar comprometendo os reflexos profundos. Se a gente 
fizer um reflexo patelar (a raiz responsável por isso é L4), ele pode ter uma hiporreflexia 
ou uma arreflexia completa. Então toda a observação do paciente é importante.
 Aquela paciente que chega cambota, com os joelhos tortos pra 
fora. A gente chama isso de genu varum. Essa paciente pode ter 
tido tanto uma fratura que alterou o eixo dos membros inferiores, 
como essa paciente pode ter sofrido de uma patologia das fises do 
crescimento na infância pela sobrecarga de peso, começado a 
caminhar antes da idade correta e pelo peso excessivo em cima 
dessa fises de crescimento numa idade precoce, lesou. Essa 
patologia se chama Doença de Blount e faz com que os joelhos 
criem deformidade em varum e que a fise de crescimento medial 
se lesione e pare de crescer, enquanto a fise lateral continua 
crescendo, então os joelhos curvam pra fora. Inclusive não é 
incomum você ver a criancinha de 3 aninhos já com os joelhos varos. 
Normalmente é uma criança gordinha e que começou a 
caminhar antes do tempo. Também tem o fator raça associado, 
pois é mais comum em pessoas negras.
 Mas também pode ser um fenômeno de degeneração, um 
processo crônico degenerativo das articulações sinoviais, que 
nós conhecemos por artrose. Mais especificamente no joelho, 
gonartrose.
 Um paciente de 20 anos de chega deambulando, claudicando, 
com dor no quadril esquerdo. Ao avaliar tu tem que pensar que 
esse paciente possa ter uma necrose avascular da cabeça do 
fêmur, possa ter uma insuficiência do glúteo, um processo crônico degenerativo… Tem 
uma doença que causa necrose avascular da cabeça do fêmur na infância com etiologia 
ainda desconhecida e que se chama doença de Legg-Calvé-Perthes, porque foi 
descrita ao mesmo tempo por 3 pessoas em 3 pontos diferentes do mundo.
 Deve-se fazer um estudo do movimento da articulação, dos graus que ela consegue 
abrir, fechar, rotar interno e externo, aduzir e abduzir.
 A ortopedia-traumatologia é um grande sítio de atestados para o INSS. Vocês já devem 
ter visto filmagem de algum paciente que entrou mancando de muleta, conseguiu o 
benefício e saiu caminhando com as duas pernas e jogando as muletas dentro do carro. A 
ortopedia tem muito paciente que realmente precisa, que realmente sente dor, que está 
com algum problema, mas também tem muito paciente tigre, que quer atestado, que quer 
se encostar.
Todos nós temos os nossos 
joelhos levemente valgizados num 
ângulo em torno a 5° a 7°, que é 
o considerado normal. Na 
população feminina, um 
pouquinho mais, de 7° a 10°, ou 
seja, é um pouco mais valgo o 
joelho das mulheres que os dos 
homens.
 Também a ortopedia é uma das maiores ciências em que nós vamos ter as patologias 
psicossomáticas. Paciente somatizando, estressado, aquela mulher com problemas 
conjugais, que só pensa em faxinar, que chora pelos cantos porque os filhos foram 
estudar fora e não tem mais ninguém em casa. E isso começa a estourar onde? Dói a 
coluna, dói o quadril, dói aqui, dói ali. E aquela dor que sobe e desce aqui nas costas e 
salta pra ponta dos dedos. Outra grande característica desses mesmos fenômenos é 
gástrico: dói o estômago, tem refluxo… doenças funcionais.
 A anamnese na nossa área é extremamente dirigida. Ela deve ser feita através de 
perguntas diretas e criteriosas:
• Localizar a gravidade da queixa
• O quanto incomoda?
• O quanto está limitando as atividades do cotidiano ou a 
atividade laboral desse paciente?
• Quando começou? Após um trauma, após um esforço, do 
nada?
• Foi uma patologia que começou insidiosa? Ou de forma lenta, 
gradual e