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Desconsideração da Personalidade Jurídica

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a limitação dos riscos 
do empreendedor ao patrimônio destacado para tal fim. Abusos no uso da 
personalidade jurídica justificaram, em lenta evolução jurisprudencial, 
posteriormente incorporada ao direito positivo brasileiro, a tipificação de 
hipóteses em que se autoriza o levantamento do véu da personalidade 
jurídica para atingir o patrimônio de sócios que dela dolosamente se 
prevaleceram para finalidades ilícitas. Tratando-se de regra de exceção, 
de restrição ao princípio da autonomia patrimonial da pessoa jurídica, a 
interpretação que melhor se coaduna com o art. 50 do Código Civil é a que 
relega sua aplicação a casos extremos, em que a pessoa jurídica tenha sido 
instrumento para fins fraudulentos, configurado mediante o desvio da 
finalidade institucional ou a confusão patrimonial. 2. O encerramento das 
atividades ou dissolução, ainda que irregulares, da sociedade não são 
causas, por si só, para a desconsideração da personalidade jurídica, nos 
termos do Código Civil. 3. Embargos de divergência acolhidos. (EREsp n. 
1.306.553/SC, Relatora Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, 
 
 
SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 10/12/2014, DJe 12/12/2014). No caso em 
exame, a Corte de origem concluiu ser devida a desconsideração da 
personalidade jurídica com base nos seguintes fundamentos (e-STJ, fls. 63-
65, sem grifo no original): Com efeito, importante destacar que a teoria da 
desconsideração da personalidade jurídica foi positivada no artigo 50 do 
Código Civil, mantidos os parâmetros anteriormente fixados na legislação 
consumerista e em outros microssistemas (Lei 8.884/94, Lei 9.605/98), in 
verbis: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, 
caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, 
pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público 
quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e 
determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens 
particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. Desta 
forma, a partir do momento em que se visualiza o abuso de direito 
caracterizado pela fraude imposta a terceiros através do véu protetivo 
da pessoa jurídica, seja com o desvio de finalidade, seja pela confusão 
patrimonial, mostra-se viável desconsiderar a personalidade jurídica da 
sociedade para atingir bens dos sócios visando a satisfação da obrigação 
que não pode ser atendida pelo patrimônio da empresa. O critério, 
portanto, é objetivo, independentemente do elemento anímico, ou seja, da 
vontade deliberada de prejudicar terceiros ou fraudar a lei. Havendo, pois, 
abuso na utilização da personalidade jurídica da empresa através de 
desvio de finalidade ou de confusão patrimonial, presente se encontram 
as hipóteses para a desconsideração. (...) Verifica-se, ainda, pelas provas 
colacionadas aos autos que a Nord Oil, empresa que atualmente encontra-se 
em plena atividade, possui como acionistas a Tamar Energia e Participações 
Ltda e o agravante Marcos Barbieux Lopes, que figura como presidente de 
ambas as empresas, além de ser sócio da Nord Oil e da Cisco Oil & 
Gás, sendo que a última integra o Grupo Gávea Oil & Gás. À luz do 
narrado, evidencia-se o abuso na utilização da personalidade jurídica da 
empresa executada, caracterizado pela confusão patrimonial, ante a 
formação de grupos econômicos por seus sócios, o que autoriza a 
desconsideração da personalidade jurídica. Ora, assim presentes os 
elementos mínimos de confusão patrimonial entre sócio e as empresas 
jurídicas em prejuízo ao exequente, além de gestão comum das empresas, a 
decisão hostilizada deve ser mantida. (...) Outrossim, para derruir a 
convicção formada, desconstituindo o acórdão estadual, seria necessário o 
 
 
revolvimento fático-probatório, o que é vedado na via eleita, ante a 
incidência do Enunciado sumular n. 7/STJ. A propósito: AGRAVO 
INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. 
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. ART. 50 DO 
CÓDIGO CIVIL. REQUISITOS. AUSÊNCIA. REEXAME. 
FUNDAMENTOS. SÚMULA Nº 7/STJ. 1. Recurso especial interposto 
contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 
(Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. O entendimento do 
Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que a desconsideração da 
personalidade jurídica a partir da Teoria Maior (art. 50 do Código 
Civil) exige a comprovação de abuso, caracterizado pelo desvio de 
finalidade ou pela confusão patrimonial, pelo que a mera inexistência 
de bens penhoráveis ou eventual encerramento irregular das atividades 
da empresa não justifica o deferimento de tal medida excepcional. (...) 
4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1679434/SP, Rel. Ministro 
RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 
21/09/2020, DJe 28/09/2020) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO 
REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. 
CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. DESCONSIDERAÇÃO DA 
PERSONALIDADE JURÍDICA. AUSÊNCIA DE PROVA 
SUFICIENTE. APELO NOBRE. 1) RECURSO MANEJADO SOB A 
ÉGIDE DO CPC/73. 2) VIOLAÇÃO DO ART. 535, II, DO CPC. 
OMISSÃO INEXISTENTE. (...) 4. O Tribunal local dirimiu a controvérsia, 
reconhecendo a falta de preenchimento dos requisitos necessários para a 
desconsideração da personalidade jurídica, com base nas provas dos autos. 
A reforma de tal entendimento atrai o óbice da Súmula nº 7 do STJ. 4.1. O 
entendimento da Corte local está em conformidade com a jurisprudência 
desta Corte, no sentido de que a dissolução irregular da sociedade 
empresarial, por si só, não é causa para a desconsideração da 
personalidade jurídica. Aplicação da Súmula nº 83 do STJ. (...) 6. Agravo 
regimental não provido. (AgRg no AREsp n. 719.286/SC, Relator Ministro 
MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 14/6/2016, DJe 
21/6/2016) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO 
ESPECIAL. DIREITO CIVIL. DESCONSIDERAÇÃO DA 
PERSONALIDADE JURÍDICA. INVIABILIDADE. INTELIGÊNCIA DO 
ART. 50 DO CC/2002. APLICAÇÃO DA TEORIA MAIOR DA 
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. 
 
 
INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DESVIO DE 
FINALIDADE OU DE CONFUSÃO PATRIMONIAL. 
PRECEDENTES. AGRAVO NÃO PROVIDO. (...) 4. A mera 
demonstração de inexistência de patrimônio da pessoa jurídica ou de 
dissolução irregular da empresa sem a devida baixa na junta comercial, 
por si sós, não ensejam a desconsideração da personalidade jurídica. 
Precedentes. (...) 7. Agravo interno não provido. (AgRg no AREsp n. 
347.476/DF, Relator Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, 
julgado em 5/5/2016, DJe 17/5/2016). Ante o exposto, em juízo de 
reconsideração, conheço do agravo para negar provimento ao recurso 
especial. Publique-se. Brasília, 13 de maio de 2021. MINISTRO MARCO 
AURÉLIO BELLIZZE, Relator”. (STJ - AgInt no AREsp: 1580544 RJ 
2019/0269127-5, Relator: Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Data 
de Publicação: DJ 19/05/2021) 
“DECISÃO: Trata-se de recurso extraordinário com agravo contra decisão 
de inadmissão do recurso extraordinário. O apelo extremo foi interposto com 
fundamento na alínea a do permissivo constitucional. O acórdão recorrido 
ficou assim ementado: MEDIDA CAUTELAR FISCAL PREPARATÓRIA. 
LEI Nº 8.397/92. DÉBITOS SUPERIORES A 30% DO PATRIMÔNIO. 
ESVAZIAMENTO PATRIMONIAL. CARÊNCIA DA AÇÃO 
AFASTADA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PARCELAMENTO. 
A medida cautelar fiscal se destina tão somente a preservar a higidez do 
crédito tributário. Assim como as demais cautelares, pretende apenas 
resguardar o direito do credor, não sendo ato expropriatório de bens, não 
violando o direito de propriedade, o princípio do devido processo legal, do 
contraditório e da ampla defesa (art. 5º, XXII, LIV e LV da CF), e quaisquer 
outros preceitos da Constituição Federal. A existência de débito em 
montante superior a 30% do patrimônio do devedor (art. 2º, VI, da Lei 8.397, 
de 1992), aliada à constatação de indícios que apontam a intenção de 
inadimplemento do débito, autoriza a cautelar