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APOSTILA-HISTÓRIA-DA-FILOSOFIA-ANTIGA-COMPLETA-2

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de premissas verdadeiras para chegar, 
pretensamente, a conclusões, igualmente, verdadeiras. 
A dedução parte de premissas universalmente aceitas, consideradas como 
comprovadas, para analisar casos particulares, estabelecendo, por inferência, uma 
relação entre os argumentos, tentando evitar os mesmo erros do silogismo. Enumera 
as premissas para construir cadeias de pensamento que permitam conclusões, em 
concordância com a realidade observável ou perceptível. Ao contrário da dedução, a 
indução parte do particular para chegar ao universal ou a uma generalização, valendo-
se da probabilidade. 
O método típico das ciências naturais, onde as conclusões são induzidas pela 
probabilidade, muitas vezes se mostrando validas, embora nem sempre verdadeiras. 
No entanto, permite criar modelos interpretativos que ajudam a sistematizar o 
conhecimento. Já a hipótese está vinculada tanto com a dedução como com a 
https://www.todamateria.com.br/logica-matematica/
 
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indução, constitui a suposição de uma verdade, sugerida geralmente pela 
probabilidade fornecida pela indução. Porém, a hipótese é analisada, embora também 
possa ser criada, pela dedução para comprovar sua validade, confirmando ou não sua 
verdade. 
 
7 CONDIÇÕES HISTÓRICAS DO NASCIMENTO DA ANTIGA FILOSOFIA NA 
GRÉCIA E ROMA ANTIGAS E A CARACTERÍSTICA GERAL DESSA FILOSO-
FIA 
A Grécia é o berço da filosofia, o primeiro país em que nasceram e atingiram 
um alto grau de desenvolvimento suas tendências principais. A filosofia grega antiga, 
que serve de base a toda filosofia europeia posterior, nasceu no século VI A.C., 
durante o período em que se formou na Grécia a sociedade escravista de classes. 
A decomposição do regime da comuna primitiva e a passagem da sociedade 
dessas comunas sem classe à primeira sociedade classista — à sociedade escravista 
— não se efetuou pacificamente, mas através de uma aguda luta de classes. O poeta 
Teógnis de Megara (século VI A.C.) recomenda à classe recém-nascida dos 
escravistas: 
"Coloca o duro pé sobre o peito do ignaro vulgo, 
Com as brônzeas esporas, faça-o curvar-se sob o jugo! 
Não há, sob o sol que tudo aclara no vazio mundo, um povo 
Que livremente tolere as rijas rédeas dos senhores." 
 
A população do país, anteriormente livre, opunha-se, por todas as formas, à 
sua escravização. A resistência do povo grego à sua sujeição está claramente 
expressa nos monumentos da literatura da época que chegaram aos nossos dias. A 
escravidão é a forma mais desumana de exploração. O escravo é propriedade integral 
do escravista, uma "ferramenta animada", semelhante ao animal doméstico. 
"Sob a escravidão , diz Stalin, "a lei" autorizava os escravistas a matarem os 
escravos." 
 
https://www.marxists.org/portugues/dicionario/verbetes/s/stalin.htm
 
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Os escravos não tinham acesso à atividade social, política e cultural. Não 
tinham direito algum. Todavia, esse regime da mais cruel agressão e exploração foi a 
base econômica do progresso da Grécia e Roma antigas. A classe dos escravistas da 
Grécia e Roma antigas, desembaraçando-se de extenuante trabalho físico que 
descarregou sobre os ombros dos escravos, pôde dedicar-se à criação das obras de 
filosofia, de ciência e de arte que até hoje nos despertam o entusiasmo. 
A princípio, o modo de produção escravista favoreceu o desenvolvimento das 
forças produtivas, da técnica e da ciência. 
"A escravidão criou a possibilidade de uma divisão do trabalho mais amplo 
entre a agricultura e a indústria, graças à qual foi possível o florescimento do 
mundo grego antigo. 
 
"Sem a escravidão não teria havido o Estado grego, nem a arte e ciência 
gregas; sem a escravidão, tampouco teria existido Roma", disse Engels". 
O aparecimento da escravidão e o incremento do comércio, na Grécia e Roma 
antigas, contribuíram para a divisão do trabalho entre a cidade e o campo, fato que 
por sua vez conduziu à formação das cidades-Estados (polis). A polis grega era a 
organização política e econômica dos escravistas, destinada a prender e explorar os 
escravos e mantê-los subordinados à classe dos escravistas. Essas cidades eram 
também centros comerciais. A formação e crescimento das cidades gregas foi o fator 
que favoreceu o desenvolvimento da cultura grega. 
Nessas cidades nascem a indústria, os germes da ciência, da arte, da filosofia. 
Os comerciantes da Grécia antiga viajavam por uma série de países vizinhos (Egito, 
Pérsia, Síria), chegavam até à índia, estenderam sua atividade comercial a quase toda 
a bacia do Mediterrâneo. 
A vida política da Grécia escravista se caracterizava por uma luta de classes 
cada vez mais encarniçada e complexa entre os escravos e seus senhores, entre os 
"livre-nascidos" indigentes (camponeses artesãos) e os ricos. Existia também uma luta 
dentro da própria classe escravista, entre a elite aristocrática e os escravistas de 
origem não aristocrática. O crescimento do comércio e da indústria na Grécia e em 
suas colônias contribuiu para aumentar o papel econômico dos grupos escravistas 
não aristocráticos recém-surgidos (mercadores, comerciantes, usurários). A velha 
aristocracia de casta opunha-se, por todos os meios, ao desenvolvimento desses 
novos grupos da classe dos escravistas, privando-os até de direitos políticos. Em 
https://www.marxists.org/portugues/dicionario/verbetes/e/engels.htm
 
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resposta, os novos círculos escravistas, à medida que crescia seu papel econômico, 
manifestavam-se com mais decisão contra os aristocratas. 
Assim, nos séculos VI e V A.C., abre-se uma nova época de choques agudos 
dentro da própria classe dos escravistas. No processo desta luta, que transcorria com 
êxitos variáveis para os dois bandos, adveio, em substituição aos Estados 
aristocráticos, o Estado democrático, característico do período do florescimento da 
antiga Grécia. Durante este último regime estabelece-se, de vez em quando, o Poder 
do tirano(6). É preciso não pensar, porém, que o triunfo da democracia significasse 
liberdade para toda a população grega. A democracia grega era de caráter escravista. 
Os escravos não tinham liberdade embora constituíssem nada menos da metade da 
população da Grécia; também as mulheres eram, de fato, escravas dos maridos. 
A encarniçada luta que se travou na própria classe dos escravistas, entre a 
parte aristocrática e a democrática, repercutiu também no terreno da filosofia grega. 
Na antiga Grécia, como acentuou Lenin, lutavam duas linhas filosóficas: a linha do 
materialista Demócrito e a do idealista Platão; a primeira era defendida principalmente 
pelos grupos de escravistas democráticos, progressistas para aquela época; a 
segunda, pela aristocracia escravista. 
A particularidade principal da antiga filosofia grega é que ela foi 
preferentemente uma filosofia materialista. A maioria esmagadora das obras 
filosóficas da Grécia antiga dedica-se ao estudo da natureza. Também é verdade que, 
em múltiplas e variadas formas da filosofia grega se acham em embrião quase todos 
os tipos posteriores de concepção filosófica. Existia também na Grécia um idealismo 
muito desenvolvido. No entanto, o materialismo teve uma extensão e um 
desenvolvimento predominantes, particularmente durante o período do nascimento e 
florescimento da sociedade escravista grega. Esse fato se explica pelas necessidades 
da economia, da navegação comercial, etc., que obrigavam a classe dos escravistas 
a estudar a natureza, encaminhar a ciência num sentido que contribuísse para o 
desenvolvimento das forças produtivas, isto é, por via materialista. 
"A concepção materialista do mundo — diz Engels — limita-se simplesmente 
a interpretar a natureza tal como é, sem nenhuma espécie de acréscimos 
estranhos e, por isso. Essa concepção materialista era absolutamente logica 
e natural primitivamente entre os filósofos gregos." 
 
https://www.marxists.org/portugues/tematica/livros/historia_filosofia/01.htm#tr6
https://www.marxists.org/portugues/dicionario/verbetes/l/lenin.htm