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APOSTILA-HISTÓRIA-DA-FILOSOFIA-ANTIGA-COMPLETA-2

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foi um regime político criado e adotado em Atenas, no 
período da Grécia Antiga. Ela foi essencial para a organização política das cidades-
estados grega, sendo o primeiro governo democrático da história. O termo 
“Democracia” é formado pelo radical grego “demo” (povo) e de “kratia” (poder), que 
significa “poder do povo”. 
Anterior a implementação da Democracia em Atenas, a cidade-estado era 
controlada por uma elite aristocrática oligárquica denominada de “eupátridas” ou “bem 
nascidos”, os quais detinham o poder político e econômico na polis grega. Entretanto, 
com o surgimento de outras classes sociais (comerciantes, pequenos proprietários de 
terra, artesãos, camponeses, etc.), as quais pretendiam participar da vida política, a 
aristocracia resolve rever a organização política das cidades-estados, o que mais 
tarde resultou na implementação da “Democracia”. De tal maneira, por volta de 510 
a.C. a democracia surge em Atenas através da vitória do político aristocrata grego 
Clístenes. Considerado o "Pai da Democracia", ele liderou uma revolta popular contra 
o último tirano grego, Hípias, que governou entre 527 a.C. e 510 a.C.. 
Após esse evento, Atenas foi dividida em dez unidades denominadas 
chamadas “demos”, que era o elemento principal dessa reforma e, por esse motivo, o 
novo regime passou a se chamar “demokratia”. Atenas possuía uma democracia 
direta, onde todos os cidadãos atenienses participavam diretamente das questões 
políticas da polis. 
https://www.todamateria.com.br/polis-grega/
 
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De tal modo, Clístenes, baseada nas legislações anteriormente apresentadas 
por Dracon e Solon, iniciou reformas de ordem política e social que resultariam na 
consolidação da democracia em Atenas. Como forma de garantir o processo 
democrático na cidade, Clístenes adotou o “ostracismo”, onde os cidadãos que 
demostrassem ameaças ao regime democrático sofreriam um exílio de 10 anos. Isso 
impediu a proliferação de tiranos no governo grego. 
Sendo assim, o poder não estava somente concentrado na mão dos eupátridas. 
Com isso, os demais cidadãos livres maiores de 18 anos e nascidos em Atenas 
poderiam participar das Assembleias (Eclésia ou Assembleia do Povo), embora as 
mulheres, estrangeiros (metecos) e escravos estavam excluídos. Diante disso, 
podemos intuir que a democracia ateniense não era para todos os cidadãos sendo, 
portanto, limitada, excludente e elitista. Estima-se que somente 10% da população 
desfrutavam dos direitos democráticos. 
Além de Clístenes, Péricles deu continuidade à política democrática. Ele foi um 
importante democrata ateniense que permitiu ampliar o leque de possibilidades para 
os cidadãos menos favorecidos. Por volta de 404 a.C., a democracia ateniense sofreu 
grande declínio, quando Atenas foi derrotada por Esparta na Guerra do Peloponeso, 
evento que durou cerca de 30 anos. 
2.7 Características da Democracia Ateniense 
 Democracia direta 
 Reformas políticas e sociais 
 Reformulação da antiga Constituição 
 Igualdade perante a lei (isonomia) 
 Igualdade de acesso aos cargos públicos (isocracia) 
 Igualdade para falar nas Assembleias (isegoria) 
 Direito de voto aos cidadãos atenienses 
 
DIFERENÇAS ENTRE A DEMOCRACIA GREGA E DEMOCRACIA ATUAL 
A democracia ateniense foi um modelo político que fora copiado por várias 
sociedades antigas, e que influencia até hoje o conceito de democracia no mundo. No 
entanto, a democracia atual é um modelo mais avançado e moderno da democracia 
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https://www.todamateria.com.br/democracia/
 
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ateniense, em que todos os cidadãos (maiores de 16 ou 18 anos), inclusive mulheres, 
podem votar e aceder a cargos públicos, sem que seja excludente e limitada. 
Além disso, na democracia ateniense, os cidadãos tinham uma participação 
direta na aprovação das leis e nos órgãos políticos da polis, enquanto na democracia 
atual (democracia representativa) os cidadãos elegem um representante. 
 
DEMOCRACIA LIBERAL E DEMOCRACIA SOCIAL 
As concepções sobre a extensão atribuída às garantias de liberdade oscilam 
entre dois polos: o da democracia liberal e o da democracia social (socialista). Tam-
bém é o que acontece com a participação dos cidadãos dos grupos sociais e do con-
junto do povo na formação das vontades políticas. 
A democracia liberal é aquela em que o desenvolvimento das organizações 
econômicas e financeiras não está sujeito a restrições. Nela os indivíduos desfrutam 
de completa liberdade de contrato entre si. A democracia liberal se caracteriza pela 
não interferência do Estado nos assuntos econômicos e financeiros dos cidadãos. Os 
negócios estão entregues à iniciativa privada e a produção está sujeita a lei da oferta 
e da procura. 
 
3 A ORIGEM E O NASCIMENTO DA FILOSOFIA E SUA HERANÇA PARA O 
MUNDO OCIDENTAL 
A origem da palavra Filosofia é grega e composta por: 
 
Philo: amizade, amor fraterno 
Sophia: sabedoria 
 
Atribui-se a Pitágoras a invenção da palavra, no sec. V a. C.. Significa amor e 
respeito pela sabedoria, desejo pelo saber, vontade de saber e compreender a 
realidade. Com o tempo filosofia passou a designar não apenas amor à sabedoria, 
mas um tipo especial de sabedoria: aquela que nasce do uso metódico da razão. 
 
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3.1 A História da Filosofia 
Começaremos a estudar Filosofia pela sua história, caracterizando os 
diferentes períodos dentro do contexto histórico. A Filosofia é uma instituição cultural 
tipicamente grega, que surgiu em um dado momento histórico, a partir de 
determinadas condições históricas e tornou-se o modo de pensar do mundo ocidental, 
inicialmente na Europa e, com a colonização, expandiu-se para a América e o mundo. 
A Filosofia é apresentada em grandes períodos que correspondem às vezes de 
modo aproximado, aos períodos da história ocidental. 
 
Principais períodos da história da Filosofia 
1º. Filosofia Grega: História do pensamento filosófico grego, 
 
 Sec. VI ao V a.C. - Período pré-socrático 
 Sec. V ao sec. IV a. C. – Período Socrático: Sócrates e Platão 
 Sec. IV ao sec. III a.C. – Período Sistemático – Aristóteles 
 Sec. III a.C. ao sec. VI d. C. – Período Helenístico 
 
2º. Filosofia Medieval – sec. I ao sec. XIV 
3º. Filosofia Moderna - do século XVII ao século XVIII 
4º. Filosofia Contemporânea – do século XX aos dias atuais. 
 
NASCIMENTO 
A Filosofia nasce na Antiguidade, no final do sec. VI a.C, com Tales de Mileto, 
nas colônias gregas da Ásia menor, em uma cidade chamada Mileto. Os pensadores 
perguntavam sobre o mundo questões como: 
 
Por que tudo muda?Por que se nasce e morre? Por que tudo se multiplica? Por que o 
dia vira noite? O que é a água, o fogo? Como surgiu? De que é feito? Por que 
semelhantes dão origem a semelhantes? De onde vêm os seres? Para onde vão os 
seres? 
 
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O PENSAMENTO MÍTICO 
Em um período anterior ao surgimento dos primeiros filósofos, todas as 
explicações eram dadas pela mitologia, lendas, tradições. Era em um momento em 
que o homem estava fortemente ligados à terra, às arvores, aos rios, às montanhas, 
à natureza. O homem vivia em tribos. Não se fazia distinção entre o real e o irreal. A 
explicação de toda realidade universal era baseada na imaginação e no sobrenatural. 
O pensamento mítico consiste em uma forma pela qual um povo explica 
aspectos essenciais da realidade em que vive: a origem, o funcionamento e os 
processos do mundo e da natureza, suas origens e seus valores. O mito é um 
discurso, uma narrativa imaginaria e ficcional. Pertence às tradições culturais e não 
são elaborados por uma pessoa. Faz parte da tradição cultural e representa a própria 
visão de mundo das pessoas. O mito não tem um fundamento, não se submete à 
críticas e aos questionamentos. São simplesmente aceitos como parte da experiência 
real. 
O mito explica a realidade por meio do sobrenatural, do mistério, do símbolo, 
do divino. O mito