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ATIVIDADE INDIVIDUAL 
 
Matriz de atividade individual 
Disciplina: Novo Código de Processo Civil Módulo: 
Aluno: Juliana da Silva Piolla Turma: 01 – Business Law 
Tarefa: 
Decisão do juiz 
Decisão de Saneamento e Organização do Processo 
 
Vistos. Trata-se de Ação pelo procedimento comum com pedido declarório e de obrigação de fazer, 
cumulado com indenizatório. 
 
Em breve síntese, a Autora Sol alega o descumprimento, pela Ré Lua, de cláusula contratual de 
exclusividade que obrigaria esta última a adquirir apenas produtos da Autora até junho de 2018. Acostou à 
Inicial cópia do contrato celebrado entre ambas e e-mails que demonstram a quebra da exclusividade, bem 
como o preço pago pela Ré nos produtos de terceiros. 
 
Tendo restado infrutífera a audiência de mediação realizada, a Ré Lua apresentou Contestação, na qual 
reconheceu a validade da cláusula de exclusividade, mas argumentou que apenas deixou de comprar 
produtos da Autora, pois esta não conseguiu fornecê-los no prazo necessário. Em réplica, a Autora negou a 
ocorrência de atraso na entrega dos produtos. 
 
Intimadas a especificarem as provas que desejam produzir, (i) a Autora requereu a produção de prova 
testemunhal, a fim de comprovar a compra de produtos de terceiros pela Ré; e (ii) a Ré requereu a 
realização de perícia, a fim de demonstrar qual o prazo adequado para entrega dos produtos. Requereu, 
ainda, a inversão do ônus da prova, a fim de que a Autora ficasse incumbida de demonstrar a data da 
entrega dos produtos nos meses anteriores a fevereiro. 
 
Vieram-me, então, os autos conclusos. 
 
É O BREVE RELATÓRIO. DECIDO. 
 
As partes são legítimas e estão devidamente representadas, demonstrando o interesse no julgamento do 
feito. 
 
Inicialmente, destaco que, nos termos do artigo 370 do Código de Processo Civil, “Caberá ao juiz, de ofício 
ou a requerimento da parte, determinar as provas necessárias ao julgamento do mérito”. Trata-se do 
Princípio da livre admissibilidade da prova e do livre convencimento do juiz, amplamente reconhecido pela 
 
 
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doutrina e jurisprudência: 
 
“Não configura o cerceamento de defesa o julgamento da causa sem a produção de 
determinada prova, quando o tribunal de origem entender que o feito foi corretamente 
instruído, declarando a existência de provas suficientes para o seu convencimento. 
Hão de ser levados em consideração o princípio da livre admissibilidade da prova e do livre 
convencimento do juiz, que, nos termos dos arts. 370 e 317 do Código de Processo 
Civil/2015 (art. 131 do CPC/1973), permitem ao julgador determinar as provas que 
entende necessárias à instrução do processo, bem como o indeferimento daquelas que 
considerar inúteis ou protelatórias. (...)” 
(AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 1.327.012 – PR, Relator Ministro Luis Felipe 
Salomão, Dje 04/09/18). 
 
No caso em análise, a Ré reconheceu a validade da cláusula de exclusividade inserida no contrato 
celebrado com a Autora, razão pela qual entendo que não remanesce qualquer controvérsia a esse 
respeito. Neste cenário, nos termos do artigo 356, incisos I e II, do Código de Processo Civil, acolho o 
pedido declaratório formulado na Inicial e declaro válida a referida cláusula. 
 
Passando à análise das provas indicadas pelas partes, entendo desnecessária a prova testemunhal 
pretendida pela Autora, uma vez que a Ré admitiu ter deixado de comprar seus produtos, além de os e-
mails acostados à Inicial serem suficientes para demonstrar a aquisição de produtos de terceiros. Trata-se, 
assim, de fato incontroverso e que prescinde de dilação probatória, de modo que indefiro o requerimento, 
nos termos dos artigos 370, parágrafo único, e 374, inciso III, do Código de Processo Civil: 
 
Art. 370. (...) 
Parágrafo único. O juiz indeferirá, em decisão fundamentada, as diligências inúteis ou 
meramente protelatórias. 
Art. 374. Não dependem de prova os fatos: (...) 
III - admitidos no processo como incontroversos; 
 
Portanto, fixo como relevante ponto fático controvertido a existência ou não de atraso na 
entrega dos produtos. 
 
A esse respeito, a Ré requereu a produção de prova pericial “para demonstrar qual foi o prazo adequado 
para recebimento dos produtos”, além de pleitear a inversão do ônus da prova, a fim de que a Autora fique 
responsável por demonstrar a data da entrega nos meses anteriores a fevereiro. 
 
Salvo melhor juízo, entendo que a prova pericial é inadequada para demonstrar os pontos salientados pela 
Ré, especialmente à luz do disposto no artigo 464, § 1º, inciso I, do Código de Processo Civil: 
 
Art. 464. A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação. 
§ 1º O juiz indeferirá a perícia quando: 
I - a prova do fato não depender de conhecimento especial de técnico 
Isto porque não foi indicado qualquer aspecto técnico envolvido na questão do atraso da disponibilização 
dos produtos e que justifique a nomeação de Expert. 
 
Deste modo, considerando que o ponto permanece controvertido e tendo em vista que o artigo 370 do 
Diploma Processual permite ao magistrado que designe, de ofício, as provas que entender necessárias, 
determino às partes que, no prazo de cinco dias: 
 
a) Apresentem os documentos que entendam pertinentes para demonstrar a data de 
disponibilização dos produtos nos meses de fevereiro e março; e 
b) Indiquem eventuais testemunhas que tenham conhecimento acerca dos fatos em 
debate. 
 
A realização da prova pericial fica indeferida por ora, ressalvando-se a possibilidade de produção da prova 
caso a Ré justifique e demonstre, também no prazo de cinco dias, qual a sua pertinência. 
 
Por fim, no tocante à redistribuição do ônus da prova pretendida pela Ré, entendo que, além de não ter 
sido demonstrado o preenchimento dos requisitos do artigo 373, § 1º, do Código de Processo Civil, as 
datas de entrega dos produtos nos meses anteriores a fevereiro não são objeto desta demanda. Isto 
porque o que se discute são os atrasos nos meses de fevereiro e março, tornando-se irrelevante perquirir 
se os prazos foram cumpridos antes de fevereiro de 2018. 
 
Diante de todo o exposto: 
 
1) Nos termos do artigo 356, incisos I e II, do Código de Processo Civil, declaro, desde 
já, a validade da cláusula de exclusividade inserida no contrato celebrado entre a 
Autora e Ré; 
2) Indefiro a prova testemunhal requerida pela Autora, por se tratar de fato 
incontroverso e que prescinde de dilação probatória; 
3) Indefiro, por ora, a realização da prova pericial requerida pela Ré, requerimento este 
que poderá ser reavaliado, caso a Ré demonstre, no prazo de 5 dias, a pertinência da 
diligência pretendida; 
4) Determino a produção de prova documental e testemunhal para elucidação da 
questão relativa ao atraso na entrega dos produtos, devendo as partes, em 5 dias, 
juntarem os documentos pertinentes e apresentarem o rol de testemunhas. 
 
Cumpridas as determinações acima, voltem os autos conclusos para prosseguimento. 
 
Int. 
 
 
 
 
 
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Referências bibliográficas 
 
ALMEIDA, Diogo. Novo Código de Processo Civil. Conteúdo online disponível 
em: http//www.ls.cursos.fgv.br. Acessado em 29/11/2020. Rio de Janeiro: FGVOnline, 2020. 
 
“Saneamento e Organização do Processo no CPC/15” - Conteúdo online disponível em: 
https://migalhas.uol.com.br/depeso/235256/saneamento-e-organizacao-do-processo-no-cpc-15 . 
Acessado em 30/1/2021 
 
Britto, Cezar e Coêlho, Marcus Vinicius Furtado – A Inviolabilidade do Direito de Defesa, 3ª Edição – 
Editora Del Rey, Belo Horizonte, 2012 
 
Bueno, Cássio Scarpunella – Direito Processual Civil, 7ª Edição, Editora Saraiva, 2014

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