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Pneumonia

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Definição 
 Por pneumonia, entende-se infecção do parênquima pulmonar 
com expressão clínica. 
 Nas pneumonias, bronquíolos respiratórios e alvéolos são 
preenchidos por exsudato inflamatório, comprometendo a 
função de troca gasosa. 
 A relevância epidemiológica da pneumonia reside no fato de 
ser a quarta maior causa de mortalidade global (OMS, 2016). 
Imunidade do trato respiratório 
 A etiologia da pneumonia depende da falha nos mecanismos de 
defesa do trato respiratório, tornando o parênquima pulmonar 
não-estéril. 
 Na faringe, podemos encontrar o anel linfático de Waldeyer, 
composto pelas tonsilas (faríngea, tubárias, palatinas e linguais), 
que produzem a primeira linha de defesa contra patógenos 
inalados ou ingeridos pela produção de leucócitos e linfócitos. 
 
 Além disso, o epitélio do trato respiratório apresenta diversos 
produtos antimicrobianos que agem na imunidade contra 
patógenos. 
 Enzimas antimicrobianas (lisozima, catelicidinas, 
defensinas, colectinas, lactoferrinas, fibronectina) 
 Sistema complemento 
 Imunoglobulinas A e G (MALT, BALT) 
 Outra adaptação importante 
do epitélio respiratório é o 
aparelho mucociliar, que então 
prende partículas exteriores e 
micróbios no muco, expelido a 
partir do movimento ciliar. 
 As divisões dicotômicas de 
todo o trato respiratório 
auxiliam nesse aprisionamento 
de partículas inaladas, de modo 
que elas sejam sedimentadas 
antes de atingirem os alvéolos. 
 Quaisquer patógenos que atinjam os alvéolos são fagocitados 
por macrófagos alveolares, iniciando uma resposta imune 
coordenada, com inflamação e presença de neutrófilos, 
linfócitos e imunoglobulinas para neutralização do agente 
agressor. 
 
Fatores que alteram a imunidade do trato respiratório 
 Perda ou supressão do reflexo da tosse (associado com 
etilismo e senilidade) 
 Lesão do aparelho mucociliar (associado ao tabagismo e 
doenças virais; ocasiona tosse compensatória) 
 Interferência da ação fagocítica dos macrófagos 
(associado ao etilismo e tabagismo) 
 Congestão pulmonar e edema 
 Acúmulo de secreção mucosa (obstrução brônquica) 
Classificações 
 As pneumonias podem ser classificadas pelos mais diversos 
contextos clínicos e patológicos. 
 Local de aquisição 
 Comunidade: adquirida fora do ambiente hospitalar 
 Hospitalar (nosocomial): adquirida em hospitais; 
geralmente mais grave e pior prognóstico 
 Tipo de comprometimento 
 Lobar: afecção homogênea nos lobos pulmonares; é 
relacionada com o Streptococcus pneumoniae 
 Broncopneumonia: apresenta diversos focos 
inflamatórios 
 Intersticial: afeta o interstício pulmonar (nos septos 
alveolares); é fortemente associada a viroses e 
infecção por Mycoplasma sp. 
 
 Sinais clínicos 
 Típica: apresenta sinais clínicos clássicos, com 
preenchimento alveolar por exsudato; ocorre como 
distribuição lobar ou broncopneumonia 
 Atípica: apresenta sinais clínicos atípicos, com 
acometimento do interstício pulmonar 
 Agente etiológico 
Pneumonia 
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Morfologia 
Pneumonia lobar 
 É a morfologia mais comum de pneumonias bacterianas, 
produzindo um quadro típico. 
 Podemos dividir a progressão da pneumonia lobar em quatro 
estágios: 
 Congestão 
 O lobo afetado fica pesado, vermelho e úmido, caracterizado 
histologicamente por hiperemia intensa dos capilares e edema, 
poucos neutrófilos e numerosas bactérias nos alvéolos. 
 Hepatização vermelha 
 O lobo afetado apresenta consistência hepática: firme e 
desprovido de ar. 
 Microscopicamente, podemos notar exsudação de neutrófilos, 
hemácias e fibrina preenchendo os espaços alveolares. 
 
 Hepatização cinzenta 
 Esse estágio é caracterizado pela desintegração das hemácias 
com persistência de um exsudato fibrinossupurativo. 
 A liberação de enzimas pelas células inflamatórias degrada 
fibras elásticas, tornando o parênquima friável. 
 
 Resolução 
 O exsudato é clivado por enzimas proteolíticas, produzindo um 
semifluido de debris granulares que é reabsorvido, fagocitado 
por macrófagos, expectorado na tosse ou reorganizado por 
fibroblastos em massas fibromixoides. 
Broncopneumonia 
 A forma de broncopneumonia é comum em pneumonias 
bacterianas, que se disseminam pelas pequenas vias aéreas, 
criando focos inflamatórios multilobulares. Às vezes, os focos 
inflamatórios se tornam confluentes e comprometem grande 
parte do pulmão. 
 À microscopia, encontram-se hiperemia, edema e exsudato 
purulento na luz alveolar e bronquiolar, produzindo fases 
parecidas com a pneumonia lobar. 
Pneumonia intersticial 
 A pneumonia intersticial é a forma predominante das viroses e 
da infecção por Mycoplasma sp., produzindo sintomas atípicos. 
 Nessa forma, o acometimento é predominante no interstício 
alveolar, sendo observável apenas sob microscopia. 
 Os septos alveolares tornam-se alargados por edema e 
infiltrado mononuclear de linfócitos, macrófagos e plasmócitos 
 
 Os alvéolos possuem pouco ou nenhum exsudato; na 
complicação SARA (Síndrome da Angústia Respiratória Aguda), 
membranas hialinas revestem as paredes alveolares, indicando 
dano alveolar. 
 
Abcesso pulmonar 
 Como consequência de pneumonias, os abcessos pulmonares 
se desenvolvem em duas condições: 
 Infecções bacterianas com grande lesão tecidual, 
como as causadas por S. aureus e K. pneumoniae 
 Aspiração de material contaminado, como ácido 
gástrico após vômito 
 Podem se formar microabcessos até cavitações volumosas. 
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Pneumonias bacterianas 
 Entre as pneumonias bacterianas, a de maior prevalência é a 
causada pelos pneumococos, Streptococcus pneumoniae, 
ocasionando um quadro clínico típico. 
 Como observado, o padrão morfológico varia de pneumonia 
lobar à broncopneumonia. 
Streptococcus pneumoniae (pneumococo) 
 Cocos em pares Gram + 
 90% dos casos de pneumonia lobar 
 Preservação da arquitetura pulmonar 
 Vacina apenas em indivíduos com tendência à sepse 
Haemophilus influenzae 
 Bacilo Gram - com pleomorfismo (existe em forma 
encapsulada e não encapsulada) 
 A forma encapsulada possui vacina, enquanto a não 
encapsulada está se disseminando, com maior 
mortalidade em crianças 
 Broncopneumonia 
 Em adultos, prevalente em pacientes com DPOC 
Klebsiella pneumoniae 
 Mais prevalente entre as Gram - 
 Grupos de risco: desnutridos e alcoólatras crônicos 
com higiene oral precária 
 Muco espesso e gelatinoso → bactéria possui um 
polissacarídeo pegajoso de difícil expectoração 
 Necrose extensa leva à formação de abcessos e 
empiema pleural 
Pseudomonas aeruginosa 
 Predominantemente nosocomial 
 Grupos de risco: pacientes em quimioterapia, vítimas 
de queimadura e pacientes em ventilação mecânica 
 Broncopneumonia hemorrágica multifocal associada a 
hemotórax 
 Propensão a invadir vasos sanguíneos e causa 
bacteremia fulminante (achado histológico de necrose 
coagulativa com vasos sanguíneos necróticos) 
Moraxella catarrhalis 
 Forte associação com DPOC 
Legionella pneumophila 
 Aspiração de água contaminada 
 Predominância em transplantes de órgãos 
Staphylococcus aureus 
 Pneumonia secundária a partir de viroses respiratórias 
(sarampo e gripe) 
 Necrose extensa com formação de abscesso e 
empiema 
 Importante causa de pneumonia nosocomial 
Mycoplasma pneumoniae 
 Principal causador de pneumonia atípica 
Curso clínico 
 As pneumonias bacterianas causam febre elevada súbita, 
calafrios e tosse produtiva com escarro mucopurulento; 
ocasionalmente inclui hemoptise. 
 Com a antibioticoterapia, a resolução é rápida; a identificação 
do patógeno permite a administração de fármacos específicos. 
 No caso da progressão da pneumonia, pode ocorrer 
disseminação bacteriana com origem de meningite ou 
endocardite infecciosa. 
Pneumonias virais 
 Como observado, o padrão morfológico é quase predominante 
na forma de pneumonia intersticial. 
Influenza