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DIREITO PENAL

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de reparação de danos, mas apenas os efeitos penais e a execução da pena
- PRINCIPIO DA CONTINUIDADE NORMATIVA E ABOLITIO CRIMINIS-
Com a abolitio criminis haverá a revogação do tipo penal e a revogação material, ou seja, além da revogação de determinado artigo de uma lei, a conduta nele descrita também deixará de ser considerada crime de forma absoluta no ordenamento jurídico; 
Já a continuidade normativa, apresenta uma situação distinta: haverá a revogação formal do tipo penal, mas a conduta descrita pelo tipo penal revogado passará a se inserir em outro tipo penal, havendo, desse modo, a revogação formal, mas não a revogação material. 
Nesse sentido, quando houver a continuidade típico-normativa não há o que se falar em abolitio criminis.
Resumindo, o princípio da continuidade típico-normativa consiste em uma alteração geográfica: O tipo penal é revogado, entretanto a conduta descrita passa a ser disciplinada por outro tipo penal. 
Ex: Atentado Violento ao pudor antes previsto pelo art. 214 do Código Penal, foi revogado e passou a estar inserido no art. 213 do mesmo Código, mas sob perspectiva de crime de estupro.
B) Novatio legis in Mellius / Lei Penal Benéfica
Corresponde à retroatividade, situação em que surge uma nova lei que, apesar de não retirar determinado crime do ordenamento jurídico, apresenta-se mais benéfica ao réu, devendo ser aplicada aos fatos ocorridos antes de sua entrada em vigor. 
Somente a partir do momento em que uma nova lei entra em vigor é que ela deve ser aplicada. Desse modo, assim como ocorre em relação à lei que seja prejudicial ao réu, lei posterior benéfica que foi publicada, mas que ainda não se encontra em vigor, também não poderá ser aplicada durante o período de vacatio legis para beneficiar o réu.
Quando houver dúvida a respeito de se a nova lei beneficia ou prejudica o réu, o próprio agente poderá ser consultado a fim de que escolha a aplicação que entende lhe ser mais favorável, o juiz poderá, no dia do julgamento, perguntar ao réu qual lei ele prefere que lhe seja aplicada.
A retroatividade da lei benéfica, seja por meio da abolitio criminis ou da novatio legis in mellius, desconstitui a coisa julgada, sendo aplicada em qualquer momento a fatos ocorridos antes da sua entrada em vigor.
QUAL JUÍZO COMPETENTE PARA APLICAR A ABOLITIO CRIMINIS E A LEI MAIS FAVORÁVEL? 
- Durante o inquérito policial e durante a ação penal – 1º instância- Compete ao juiz natural do 1º grau de jurisdição a aplicação da abolitio criminis e da lei mais favorável. 
- Durante ação penal que se encontre em fase de recurso, compete ao Tribunal em que esteja sendo analisado o referido recurso. 
- Durante a fase de execução da pena, após o trânsito em julgado da condenação criminal, compete à Vara de Execuções Criminais – Sum. 611 STF- 
LEX TERTIA
A lex tertia é a “terceira lei” que consiste na combinação de duas leis penais.
Ex: Determinado indivíduo pratica um crime X sob a vigência da Lei A, que determina para o ato a pena de reclusão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, sem multa. Entre a data da prática do crime e a data do julgamento surge a Lei B, que revoga a Lei A, determinando, agora, que a pena referente à conduta praticada pelo sujeito será a de reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos, com multa.
Em situações como essa, apesar de a nova lei apresentar uma situação mais benéfica, ela traz consigo um dispositivo desfavorável ao réu que não existia na lei anterior, nesse caso, a multa. 
Nesse sentido, deveria ser solicitado ao juiz que, no que concernisse à pena privativa de liberdade, fosse aplicada a Lei B e no que concernisse à pena de multa, fosse aplicada a Lei A, extraindo-se o que há de mais benéfico em cada uma dessas leis e, portanto, formando uma terceira lei.
Porém, o entendimento predominante do STJ é o de que não se admite a combinação de leis. SUM 511 STJ! 
ULTRATIVIDADE DA LEI PENAL
De acordo com o disposto pela Constituição Federal em seu art. 5º, inciso LX: 
Art. 5º (...) XL – a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu.
Desse modo, tem-se a retroatividade da lei penal benéfica e a irretroatividade da lei penal gravosa ao réu. 
Assim, caso uma conduta tenha sido praticada sob a vigência da Lei X e, posteriormente, entre em vigência a Lei Y, considerada mais gravosa e, portanto, consistente em uma novatio legis in pejus, esta será irretroativa, de modo que deverá ser aplicada ao agente a lei vigente à época dos fatos, isto é, a Lei X, mesmo após ela ter sido revogada.
Com a irretroatividade da novatio legis in pejus ocorrerá a presença da ultratividade da lei penal mais benéfica, situação em que a lei mais benéfica tem aplicação aos fatos ocorridos durante sua vigência mesmo após sua revogação. 
OBS: Cabe apontar que, caso a Lei Y fosse mais benéfica em relação à situação apresentada, ela retroagiria; sendo aplicada aos fatos ocorridos antes de sua entrada em vigor.
OBS 2: observe que tanto a ultratividade como a retroatividade, irão se referir à lei mais benéfica ao réu.
SUM. 711
Crime continuado: Ocorre quando o agente, por meio de mais de uma ação, pratica mais de um crime da mesma espécie. Entretanto, pelas condições de tempo, lugar e modo de execução, as condutas posteriores são compreendidas como continuidade da primeira.
 Art. 71. Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes, devem os subsequentes ser havidos como continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois terços.
Crime permanente: corresponde ao crime cuja consumação se prolonga no tempo. 
É o que ocorre em relação ao crime de sequestro ou de cárcere privado: a partir do momento em que se priva a liberdade da vítima e com ela se permanece sequestrada/privada por um período de quatro meses, por exemplo, o crime estará sendo consumado por todo esse período de tempo.
SUM. 711: A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência.
OBS: Na hipótese de o agente iniciar a prática de um crime permanente sob a vigência de uma lei, vindo o delito a se prolongar no tempo até a entrada em vigor de nova legislação, aplica-se a última lei, mesmo que seja a mais severa. 
LEI EXCEPCIONAL OU TEMPORÁRIA
As leis excepcionais ou temporárias correspondem a leis que irão apresentar um prazo preestabelecido de sua vigência, ou seja, irão vigorar apenas por um determinado período de tempo.
Cabe apontar que as leis excepcionais ou temporárias são:
A) Autorrevogáveis: a própria lei temporária ou excepcional irá dispor sobre o momento em que deixará de estar em vigor 
OBS: A lei excepcional corresponde a uma lei que irá existir e terá aplicação prática durante um período excepcional/anormal, como durante o período de guerra, de calamidade pública ou de calamidade de saúde pública.
OBS: Diferente das leis temporárias, as leis excepcionais não possuem uma data certa de término: estas durarão enquanto a situação excepcional persistir.
Art. 3º, CP: A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência.
B) Ultrativas: a lei temporária ou excepcional se aplica aos fatos ocorridos durante sua vigência mesmo após ter sido revogada, ainda que seja prejudicial ao réu.
LEIS INTERMEDIÁRIAS
A lei penal intermediária consiste na lei benéfica que teve vigência após a prática do ato, porém foi revogada antes do julgamento do réu. – STF
LUGAR DO CRIME
Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado.
Lugar do crime é tanto aquele em que ocorreu a ação ou omissão, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado.