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DIREITO PENAL ESPECIAL

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apenas. Mas de tanto torturar, matou. – Competência: Juiz
IV) À traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido.
A traição é uma qualificadora subjetiva, ou seja, não se comunica no concurso de pessoas.
Para que se tenha a qualificadora da traição, é necessário que seja depositado uma especial confiança no autor e que ele (autor) venha a trair essa confiança. A qualificadora da traição é um crime próprio.
Obs.: Crimes próprios só podem ser praticados por pessoas que tenham uma qualidade específica.
· A emboscada é uma tocaia. Ex: João passa todos os dias em determinada estrada. Maria fica aguardando-o passar, assim que ele passa, Maria atira em sua direção e acaba matando João.
· Mediante dissimulação: João é membro de um site de encontros. Neste site, há a foto de uma mulher de nome Maria. João se interessa por Maria. João e Maria dão match. Maria convida João para ir até a sua casa. Quando João chega à casa de Maria, ele não encontra Maria, ele encontra um desafeto dele, e esse desafeto mata João. É um crime de enganar para matar uma pessoa, ou seja, o sujeito engana para colocar a pessoa numa situação que dificulte a sua defesa. 
· Traição, emboscada, ou dissimulação são fórmulas casuísticas, são recursos que dificultam ou tornam impossível a defesa do ofendido. “Outro recurso que dificulte torne impossível a defesa do ofendido”: Fórmula genérica. Aplica-se a interpretação analógica.
V – Para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime.
Esta qualificadora é chamada de qualificadora de conexão. O indivíduo pratica o homicídio porque há um outro crime que ele quer praticar para assegurar a execução, ocultação, impunidade ou vantagem de outro crime.
O crime “para assegurar a execução” é chamado de conexão teleológica (finalidade), ou seja, pratica um homicídio para praticar outro crime. 
Ex: A quer sequestrar a filha de um empresário. Para isso, ele mata o segurança para sequestrar a filha do empresário. Matou o segurança para assegurar a execução de outro crime.
O homicídio teológico é praticado antes da prática de outro crime. Nas outras hipóteses (a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime), chamadas de conexão sequencial, o homicídio é praticado após um crime antecedente.
FEMINICIDIO FEMICIDIO
O FEMICÍDIO é um homicídio no qual uma mulher seja vítima, é um homicídio contra a mulher por razões da sua condição de ser do sexo feminino. O autor do feminicídio pode ser homem, pode ser mulher, mas a vítima necessariamente tem que ser uma mulher.
Qualquer homicídio no qual uma mulher venha a ser vítima, é FEMICÍDIO. 
 Um transexual, transgênero, um travesti pode ser vítima de feminicídio?
Não se aplica a transexual, transgênero ou travesti, visto que, ainda não há um posicionamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou do Supremo Tribunal Federal (STF).
§ 2º-A Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve: 
I – Violência doméstica e familiar; 
II – Menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
OBS: Não configura Bis In Idem motivo torpe e feminicídio (Sum. 625 STJ)
VII) Contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição:
É o denominado homicídio funcional e exclui parentes por afinidade (sogro, sogra, genro, nora, cunhado, cunhada) e filho adotivo, embora na CF seja equiparado a filho legítimo (art. 227, § 6º).
OBS: Homicídio familiar não qualifica o homicídio (já tem agravante – art. 61, II, CP)
CP, art. 121. § 4º No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as consequências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante.
Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos.
 OBS: Para que haja aumento de pena, tem que o autor conhecer a condição da idade da vítima. 
 OBS: Considera-se milícia privada agentes de segurança que, fora da sua função, passam a atuar sobre determinada área, exigindo da população vantagem financeira para subsidiar uma suposta segurança não institucional.
HOMICIDIO CULPOSO
Negligência: Não tomar atitude esperada, é o descuido, desatenção. Não age como deveria. 
Imprudência: Ação precipitada, sem cautela. Age, mas com atitude sem cautela. 
Imperícia: Inaptidão, falta de qualificação técnica.
Crimes que não admitem tentativa: 
- O homicídio culposo, uma vez que não há intenção de gerar um resultado, 
- E o crime preterdoloso: lesão corporal seguida de morte, quando a intenção era gerar uma lesão corporal, mas, por conta do excesso, a vítima vem a falecer.
PERDÃO JUDICIAL
CP, art. 121. § 5º Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as consequências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária.
OBS:
· O perdão judicial somente é possível no homicídio culposo. 
· A natureza jurídica é uma causa extintiva da punibilidade, art. 107, IX, CP. 
· A análise do caso concreto é realizada pelo juiz. 
· É cabível perdão judicial no homicídio culposo praticado na direção de veículo automotor – art. 302, CTB.
INDUZIMENTO, INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO AO SUICIDIO OU A AUTOMUTILAÇÃO (Art. 122, CP)
O Pacote Anticrime adicionou a automutilação. 
Mas... O que é Automutilação?
Automutilação é qualquer comportamento intencional praticado pelo agente que busca gerar lesão à sua integridade física, é uma pessoa que não pretende praticar suicídio, mas quer infringir na sua pessoa alguma dor ou algum tipo de lesão à sua integridade física. 
OBS: A automutilação não é, necessariamente, a mutilação de seus próprios membros, pois inclui qualquer conduta que venha prejudicar a sua integridade física.
Suicídio, tentativa de suicídio, automutilação e tentativa de automutilação não são crimes. A lei incrimina a atitude daquele que induz, instiga ou presta um auxílio material para que alguém pratique suicídio ou automutilação O princípio da alteridade dispõe que só existe infração penal no Direito Penal Brasileiro se
a conduta atingir bens jurídicos alheios.
 Os atos de induzir ou instigar são chamados pela doutrina de participação moral, enquanto prestar auxílio é a participação material.
E qual a diferença entre induzir e instigar? 
Induzir é criar a ideia na mente da vítima, e instigar é reforçar uma ideia preexistente.
O auxílio material precisa ser: auxílio secundário e auxílio eficaz. 
Secundário porque aquele que presta o auxílio não pode praticar a conduta principal; e eficaz porque precisa ser o auxílio efetivamente usado pela vítima.
OBS: Caso o agente induza e também preste o auxílio a vítima, ele exerceu dois verbos-núcleos do Direito Penal, mas praticou apenas um crime do art. 122. A classificação desse artigo é um tipo misto alternativo, isto é, ainda que mais de uma conduta seja praticada, se ele for praticado no mesmo contexto fático contra a mesma vítima, há somente um crime.
A doutrina entende que essas condutas do art. 122 devem ser praticadas contra pessoas determinadas.
A pena deste crime é de reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos o que torna um crime de menor potencial ofensivo pois a pena máxima não é superior a 2 anos.
Antes da alteração do art. 122, ele era chamado de crime condicionado à produção do resultado naturalístico, isto é, o agente que praticava induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio somente respondia por esse crime se a vítima efetivamente morresse ou se sofresse lesão corporal grave ou gravíssima da tentativa de suicídio praticada