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GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL 
SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE 
SUBSECRETARIA DE ATENÇÃO À SAÚDE 
DIRETORIA DE ASSISTÊNCIA A URGÊNCIAS E EMERGÊNCIAS 
SERVIÇO DE ATENDIMENTO MÓVEL DE URGÊNCIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE URGÊNCIAS E EMERGÊNCIA 
 
CONDUTOR 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BRASÍLIA – 2012 
 
 1 
 
Apresentação 
 
 
 
 Esta apostila foi elaborada com o objetivo de fornecer informações básicas sobre atendimento pré-
hospitalar aos profissionais da área de saúde que participarem do curso de reciclagem do SAMU 192 – DF. 
 A teoria terá grande valia associada à prática, e o treinamento diário aliado ao interesse pessoal serão 
indispensáveis. 
 O sucesso depende do trabalho em equipe! 
 
 
 
DIURE – Direção de Assistência às Urgências e Emergências 
Drª Marinice Cabral 
 
 
 
Gerência de Apoio ao Serviço Móvel de Urgência - SAMU 192 DF 
Dr. Rodrigo Caselli Belém 
 
 
 
Núcleo de Educação em Urgência - NEU 
 Dr. Marcio Martins Melo 
 
Revisado: Junho de 2012 
 
Drª Daniela Moreira 
 
Drª Sandra Monteiro 
 
 
 
 2 
 
 Introdução e legislação do APH 
 
 
 Breve histórico dos serviços de Atendimento Pré-Hospitalar 
 
 
A origem dos serviços de atendimento pré – hospitalar está intimamente relacionado as guerras.Um 
veículo, destinado a transportes de pacientes, havia sido criado em 1792, por Dominique Larrey, o cirurgião 
da Grande Armada de Napoleão Bonaparte. Nesta ocasião criou-se a palavra ―ambulância‖ (do latin 
Ambulare-―deslocar‖) designado uma estrutura relativamente fixa, correspondendo a um hospital de 
campanha, com ambulâncias móveis. Larrey atendia aos feridos ―debaixo de fogo inimigo‖, iniciando no local 
o tratamento precoce, como suturas, incisões em partes lesadas, imobilizações e, quando necessário, 
amputações. Optando pelo tratamento no local, observam-se maiores chances de sobrevida. 
A partir de 1893 o Senado da jovem República Brasileira, aprova a Lei que pretendia estabelecer o 
socorro médico de urgência na via pública, sendo encomendadas da Europa várias ambulâncias. 
Estas ambulâncias foram consideradas por muito tempo, mais como Sistema de Transportes do que 
como unidade de atendimento e cuidados precoces, diferente da utilização que teve principalmente nas 
guerras. Freqüentemente as gerências das frotas de ambulâncias sequer estavam ligadas diretamente ao 
Serviço de Saúde, mas aos Serviços Municipais de Transporte, quando não diretamente aos gabinetes do 
executivo. Muitas vezes eram utilizadas como moeda política, distribuídas com grande alarde, pois se 
constituíam em ―out-door móvel‖, com grande identificação do doador, e também do governante local que a 
havia conseguido. 
No entanto, os veículos escolhidos, em sua grande maioria eram relativamente apropriados apenas 
para o transporte de pacientes em boas condições, pois a altura, e o espaço físico, não permitiam sequer 
que o paciente pudesse fazer uso de ―soro fisiológico E.V.‖, ou uso de O2, no caso de paciente crítico. 
A função de transporte foi que cumpriam até recentemente, independente do estado do paciente. Na 
ausência do médico, era o motorista destas ―ambulâncias‖, sem nenhum treinamento específico, quem 
transportava sozinho os pacientes até os hospitais, e durante o transporte ocorriam mortes, muitas vezes 
constatadas no momento da chegada nos hospitais. Em 1998 a Resolução CFM N
o 
1.529 passa a definir 
―ambulância‖ como sendo aquele veículo destinado exclusivamente ao transporte de enfermos. 
O modelo francês nasceu da necessidade sentida dos médicos ―anestesistas – reanimadores‖, 
responsáveis pelo atendimento às urgências,que começaram a sair nas ambulâncias, pois perceberam que 
tanto 
nos casos clínicos como no trauma, se medidas terapêuticas fossem tomadas no local, as chances de 
sobrevida e redução de seqüelas aumentavam. 
Este tem como pilar o médico, tanto na Regulação do Sistema como no atendimento e 
monitoramento do paciente, até a recepção hospitalar e é um serviço ligado ao Sistema de Saúde, 
hierarquizado e regionalizado, sempre ligado aos Centros Hospitalares. 
O modelo americano trabalha com paramédicos, que tem um programa de formação extenso (3 anos 
após o término do 2º grau). A guerra do Vietnã resultou em uma grande experiência para os EUA na 
formação de paramédicos, por ser uma guerra de guerrilha, e ser, portanto impossível contar com 
profissionais em todas as frentes de combates. Soldados foram treinados no primeiro atendimento, foram 
delegadas ações até então exclusivamente médicas, e equipamentos de fácil transporte também foram 
desenvolvidos. 
No Brasil, a ―atenção pré-hospitalar‖ foi exercida de forma incipiente, fragmentada e desvinculada da 
saúde, tradicionalmente pelos profissionais bombeiros, que foram historicamente reconhecidos como 
responsáveis por esta prática, em decorrência da inexistência de política pública da área da saúde nesta 
área. 
Para a população leiga e infelizmente também profissionais de saúde, os termos ―resgate‖, 
―ambulância‖, atendimento pré-hospitalar‖ ―socorro‖, entre muitos outros, são utilizados indiscriminada e 
aleatoriamente , evidenciando não uma confusão meramente semântica, mas um total desconhecimento 
sobre como, o que, e quem procurar em determinadas situações de segurança ou agravos à saúde. 
A ação de resgatar, ou seja, de ocupar-se em libertar as pessoas de algo que as prende como 
acidentes automobilísticos, ou situações ameaçadoras e na prevenção de situações que podem piorar sua 
segurança individual, assim como aos demais que se encontram a sua volta, exercida de forma 
constitucional pelos bombeiros, profissionais da segurança púbica, é freqüentemente confundida com as 
ações dos profissionais da saúde, que trabalham no que diz respeito à saúde do indivíduo e coletividade, 
 
 3 
sendo o atendimento pré-hospitalar de urgência/emergência aquele realizado por profissionais da saúde com 
determinados equipamentos e capacitados e autorizados a realizarem determinados procedimentos, que 
procuram levar à vítima nos primeiros minutos após ter ocorrido o agravo à sua saúde, sendo necessário 
prestar-lhe atendimento e transporte adequados até um serviço de saúde que possa dar a continuidade ao 
atendimento devido. 
Analisando estas ações, diferenciadas, porém complementares, entendemos que devam atuar de 
forma integrada em benefício do cidadão, respeitados os distintos papéis de cada um. 
O papel de um Serviço de Atendimento Pré-Hospitalar pode ser entendido em duas dimensões: Uma 
primeira, enquanto Unidade de produção de serviços de saúde, portanto, num papel assistencial, e uma 
segunda, enquanto instância reguladora da assistência ás urgências, portanto num papel regulatório, do 
Sistema de urgência, abrangendo o conceito de ―observatório de saúde‖ . 
Ele tem por missão prestar assistência pré-hospitalar a pacientes vítimas de agravos agudos à 
saúde, de natureza clínica ou traumática, além das parturientes, no momento e no local da ocorrência do 
agravo, transportando estas vítimas, segundo critérios técnicos internacionalmente aceitos, de forma segura, 
até aqueles serviços de saúde, que possam melhor acolher cada paciente naquele momento, respondendo 
de forma resolutiva às suas necessidades, dando continuidade à assistência. Trata-se, portanto, de uma 
atenção cuja abordagem é individualizada, ou seja, contempla prestação de serviços a pacientes assistidos 
individualmente. Constitui-se num importante elo de ligação entre os diferentes níveis de atenção do 
Sistema. 
Os Sistemas de Atendimento pré-hospitalar tem por missão, diminuir o intervalo terapêutico para os 
pacientes vítimas do trauma e urgências clínicas,possibilitando maiores chances de sobrevida, diminuição 
das seqüelas, e garantir a continuidade do tratamento