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Peça Ação Declaratória de Constitucionalidade

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de 
controvérsia na jurisprudência dos tribunais nacionais, não há dúvidas quanto a sua 
constitucionalidade, conforme será demonstrado a seguir. 
A referida lei tem como objetivo preservar a moralidade administrativa, 
princípio estampado no art. 37, caput, do CF/88. A moralidade administrativa, além de 
princípio que rege a administração pública, também é um requisito específico para o 
exercício de um mandado político, conforme disposto no art. 14, §9º da CF/88, in verbis: 
 
Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio 
universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, 
e, nos termos da lei, mediante: 
(...) 
§9º Lei complementar estabelecerá outros casos de 
inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a 
probidade administrativa, a moralidade para exercício de 
mandato considerada vida pregressa do candidato, e a 
normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do 
poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou 
emprego na administração direta ou indireta 
(Grifos nossos) 
 
A referida lei não estipula nada contrário à Constituição Federal. Em 
verdade, a Lei Complementar n.º 135/2010 apenas regulamenta o que a CF dispõe. Assim, 
a idoneidade moral de eventual candidato estaria afastada nos casos em que houvesse 
condenação em segunda instância ou colegiado em rejeição de contas públicas, perda do 
cargo público ou impedimento de exercício de profissão por violação de dever ético-
profissional. 
No mesmo sentido, não há que se falar que a Lei Complementar n.º 
135/2010 acarreta em violação à segurança jurídica, uma vez que nenhuma pessoa é 
obrigada a se candidatar, ou seja, nenhuma pessoa tem o direito inato e inalienável a se 
candidatar. A pessoa só estará apta a se candidatar quando preenchidos os requisitos 
estabelecidos pela lei, passando pelo crivo da Justiça Eleitoral, onde será aferida a 
capacidade eleitoral passiva da pessoa. 
Ademais, deve ser descartado de plano eventual arguição de violação 
do princípio da presunção de inocência, positivado no art. 5º, LVII da CF/88, tendo em 
vista o seu direcionamento voltado para o direito penal, e não para o direito eleitoral. 
Note-se que a Lei Complementar n.º 135/2010 em nenhum momento ocasiona na 
inelegibilidade definitiva do possível candidato. Novamente, é apenas a efetivação do 
disposto no art. 14, §9º da CF. 
Por último, mas não menos importante, destaca-se que o argumento 
adotado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe ao afirmar que a Lei Complementar 
n.º 135/2010 viola a irretroatividade da lei mais gravosa, previsto no art. 5º, XL da CF/88, 
não merece amparo, tendo em vista que a lei não afeta eleições pretéritas legítimas à sua 
vigência, apenas cria mecanismos a fim de se evitar que agentes desprovidos de 
idoneidade moral concorram à mandatos em antes terem cumprido suas respectivas 
sanções. 
 
 
V – MEDIDA CAUTELAR (TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA) 
A medida cautelar em sede de ação declaratória de constitucionalidade 
está disciplinada no art. 21 da lei n.º 9.868/1999, in verbis: 
 
Art. 21. O Supremo Tribunal Federal, por decisão da maioria 
absoluta de seus membros, poderá deferir pedido de medida 
cautelar na ação declaratória de constitucionalidade, consistente 
na determinação de que os juízes e os Tribunais suspendam o 
julgamento dos processos que envolvam a aplicação da lei ou do 
ato normativo objeto da ação até seu julgamento definitivo. 
 
Como toda medida cautelar, devem ser demonstrados dois requisitos: o 
perigo de dano na demora (periculum in mora) e a probabilidade do direito (fumus boni 
iuris). 
No presente caso, o perigo de dano na demora (periculum in mora) se 
mostra evidente, uma vez analisado que, enquanto pendente de julgamento a presente 
ADC, outros processos continuarão a tramitar nas instâncias inferiores podendo surgir 
diversos entendimentos conflitantes dentro dos tribunais, afetando a segurança jurídico 
quanto à matéria ora discutida. 
Quanto à probabilidade do direito (fumus boni iuris), não restam 
dúvidas quanto à constitucionalidade da Lei Complementar n.º 135/2010, pelas próprias 
razões já expendidas. 
 
VI – PEDIDOS 
Ante o exposto, requer: 
a) A concessão da medida cautelar para que os julgamentos de todos os 
processos que versem sobre a aplicação da Lei Complementar n.º 
135/2010 sejam suspensos, até o julgamento definitivo da presente 
ação; 
b) A notificação do Presidente da República e do Congresso Nacional para 
que prestem informações, conforme art. 6º da lei 9.868/1999; 
c) A oitiva do Procurador-Geral da República para intervir como custos 
legis na presente ADC, nos termos do art. 19 da lei 9.868/1999; 
d) A procedência do pedido com a consequente declaração de 
constitucionalidade da Lei Complementar n.º 135/2010, com efeitos ex 
tunc, erga omnes e vinculante 
 
V – DAS PROVAS 
Requer a produção de todas as provas em direito admitidas, em 
especial a prova documental, na amplitude do art. 20, §1º da lei 9.868/1999. 
 
 
VI – DO VALOR DA CAUSA 
Deixa de atribuiu valor à causa, em razão da impossibilidade de 
quantificar o seu conteúdo econômico. 
 
 
Termos em que 
Pede deferimento. 
 
Local, (Dia), (Mês) de (ano) 
Nome do Advogado 
OAB/UF no ...