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Peça Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão

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CASO JURÍDICO FICTÍCIO 
O Partido Progressista com representação no Congresso Nacional, por seu 
Presidente, procura você advogado do partido na intenção de que seja promovida a 
competente ação em face do descumprimento e da falta de emissão de norma 
regulamentadora do disposto no artigo 37, X, da Constituição Federal, o qual prevê a 
revisão geral anual dos servidores públicos, na mesma data e com índices idênticos, para 
reajuste anual dos servidores públicos do Estado de Santa Catarina. Alega o Partido a 
omissão do Governador do Estado de Santa Catarina, do dever de encaminhar ao Poder 
Legislativo projeto de lei que regulamente a revisão geral anual, na mesma data e sem 
distinção de índices, da remuneração dos servidores públicos daquela unidade da 
Federação, conforme o disposto no art. 37, X, da Constituição Federal. A agremiação 
política afirma que a última revisão remuneratória ocorrida naquele Estado-membro se 
deu com a edição da Lei xxx, de 10/10/2003. Sustenta que os servidores acumulam, desde 
então, sucessivas perdas salariais geradas pela inflação. Assevera que, mesmo após 
decorrido todo esse tempo, não há qualquer sinal de que o Executivo Estadual pretenda 
cumprir o ditame ora destacado. Assim, configurado o comportamento omissivo do Chefe 
do Poder Executivo catarinense, corroborado tanto pelos reajustes pontuais concedidos a 
determinadas carreiras estaduais como pela ausência, nas leis orçamentárias dos últimos 
anos, de dotações visando restituir as perdas salariais dos servidores, pretende propor ação 
para ver declarada a omissão, tendo em vista a inexistência de norma regulamentadora do 
art. 37, X, da Carta Magna, bem como o estabelecimento do prazo de trinta dias para que 
o Exmo. Sr. Governador do Estado de Santa Catarina encaminhe ao Poder Legislativo 
projeto de lei específico, destinado a fixar ou manter a periodicidade máxima de 12 meses 
para reajuste dos vencimentos. Na qualidade de advogado, redija a peça cabível 
atentando, necessariamente, para os seguintes aspectos: a) competência do órgão 
julgador; b) legitimidade; c) argumentos jurídicos pertinentes; d) tutela de urgência. 
 
 
 
 
 
 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR MINISTRO PRESIDENTE DO SUPREMO 
TRIBUNAL FEDERAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PARTIDO PROGRESSISTA, inscrito no CNPJ sob o n.º..., com sede na Rua..., n.º..., 
Bairro..., Cidade/UF..., CEP..., com representação no Congresso Nacional, neste ato 
representado pelo seu Presidente..., nacionalidade, estado civil, profissão, portador da 
carteira de identidade n.º..., expedida pelo..., inscrito no CPF/MF sob o n.º..., endereço 
eletrônico..., residente e domiciliado na Rua...; vem, por intermédio do seu advogado 
infra-assinado, conforme procuração anexa, com endereço profissional na Rua ..., n.º..., 
Bairro, Cidade/UF..., CEP... e endereço eletrônico ..., onde recebe intimações e 
notificações, com fulcro no art. 102, I, “a” da CF/88 c/c a Lei n.º 9.868/99, propor a 
presente 
 
 
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO 
COM PEDIDO DE MEDIDA CAUTELAR 
 
 
Tendo como objeto o art. 37, X da CF/88, que dispõe sobre a revisão anual geral dos 
salários dos servidores públicos. 
 
I – CABIMENTO 
A ação direta de inconstitucionalidade por omissão, regulamentada 
pela lei n.º 9.868/1999, é a ação apta a tutelar norma constitucional de eficácia limita, 
quando houver omissão e mora legislativa. 
 
O art. 37, X da CF/88, objeto de análise, dispõe: 
Art. 37 (...) 
X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o 
§ 4º do art. 39 somente poderão ser fixados ou alterados por lei 
específica, observada a iniciativa privativa em cada caso, assegurada 
revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção de índices; 
 
Note-se que o dispositivo constitucional impôs ao legislador à 
obrigação de legislar sobre a revisão geral anual da remuneração dos servidores 
públicos, ou seja, há um dever constitucional específico de legislar sobre a matéria. 
 
In casu, os servidores do Estado de Santa Catarina, até a presente data, 
não tiveram a revisão geral anual dos últimos anos por ausência de lei específica. A 
última revisão remuneratória se deu com a edição da lei xxx, de 10/10/2003 e desde 
então os servidores estaduais acumulam perdas salariais sucessivas em decorrência da 
inflação. 
 
Ademais, é notável a mora legislativa, uma vez que se passaram mais 
de 15 (quinze) anos desde a última revisão geral anual, bem como o dispositivo 
constitucional está em vigência desde 1988, ou seja, foi ultrapassado um período 
razoável para a edição da lei. 
 
Assim, uma vez demonstrados a mora legislativa e o dever de legislar, 
a ação direta de constitucionalidade por omissão se mostra a melhor solução para o 
caso. 
 
 
II – LEGITIMIDADE ATIVA 
A legitimidade ativa para a propositura da Ação Declaratória de 
Inconstitucionalidade por Omissão toma assento no art. 103, da CF/88, in verbis: 
Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação 
declaratória de constitucionalidade: (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 45, de 2004) 
 I - o Presidente da República; 
II - a Mesa do Senado Federal; 
III - a Mesa da Câmara dos Deputados; 
IV a Mesa de Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa do 
Distrito Federal; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 
2004) 
V o Governador de Estado ou do Distrito Federal; (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 45, de 2004) 
VI - o Procurador-Geral da República; 
VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; 
VIII - partido político com representação no Congresso Nacional; 
IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. 
O Partido Progressista possui a legitimidade ativa estampada no inciso 
VIII do art. 103 da CF, tendo em vista a sua representação no Congresso Nacional. 
 Destaca-se que a legitimidade do Partido Progressista se classifica 
como legitimidade universal, conforme entendimento desta Corte Suprema no julgamento 
da ADI 1396, sendo, portanto, desnecessária a demonstração de pertinência temática entre 
a constitucionalidade suscitada e a atividade desenvolvida. 
 
 
III – LEGITIMIDADE PASSIVA 
Em relação à legitimidade passiva não há grandes dúvidas. Nas ações 
de constitucionalidade não há uma lide, tampouco há partes. In casu, a demanda se 
move em relação ao objeto questionado, qual seja, a omissão legislativa quanto à edição 
de lei específica de que se trata o art. 37, X da CF/88. 
No entanto, como é notório, a iniciativa de lei relacionado aos 
servidores estaduais cabe ao chefe do poder executivo estadual, portanto, necessário de 
faz a intimação do Governador do Estado de Santa Catarina para que se manifeste na 
presente demanda, ante a sua omissão em deflagrar a iniciativa de lei relacionado à 
revisão geral anual. 
 
IV – FUNDAMENTOS 
A revisão anual geral, prevista no art. 37, X da CF/88, pode ser 
classificada como um meio para assegurar o direito a irredutibilidade dos vencimentos 
dos servidores públicos, previsto no art. 37, XV da CF/88. 
 
Conforme já salientado, até a presente data não houve a edição de lei 
referente a revisão geral anual dos vencimentos dos servidores públicos do Estado de 
Santa Catarina. A última revisão ocorreu no ano de 2003, com a edição da lei xxx, e 
desde então os servidores vem sofrendo com perdas salariais sucessivas. 
 
Ora, como é notório, a iniciativa de lei relacionado aos vencimentos 
dos servidores públicos estaduais incumbe ao chefe do poder executivo estadual, que 
até a presente data se manteve inerte, ou seja, estamos diante de omissão qualificada do 
Governador do Estado de Santa Catarina. 
 
Note-se que sem a edição de uma lei referente a revisão geral anual, 
os vencimentos dos servidores públicos estaduais irão se esvaziando aos poucos em 
decorrência da inflação e, consequentemente, isso ocasionará diretamente