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Intoxicação por rodenticidas

Resumo sobre rodenticidas anticoagulantes: mecanismo (antagonistas da vitamina K), exemplos e marcas (warfarina, brodifacoum), apresentações (pós, iscas), farmacologia (meia‑vida, dose letal), sinais hemorrágicos, exames, achados necroscópicos e risco de intoxicação secundária.

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–
 
 
 
 
 
São os venenos utilizados para fazer controle populacional 
de roedores (ratos) 
Este material falará dos rodenticidas anticoagulantes, que 
são: 
 Antagonistas competitivos da vitamina K. 
 A vitamina K é responsável pela produção de 4 
fatores da cascata de coagulação. Ao inibir a 
vitamina K, com os antagonistas, deixamos de 
produzi-los. 
Apresentações: 
✓ Pós inodoros e insípidos 
✓ Iscas prontas (mais atrativas para os roedores) 
Drogas: 
 Warfarin 
 Tomorin 
 Racumin 
 Brumoline 
 Difenacoum 
 Coumatetralil 
 Brodrracoun 
E os compostos relacionados a Idandiona: 
 Pindona 
 Clorfacinona 
 Bromadiolona 
 Difacinona 
Nomes comerciais: 
 Racumim 
 Ratum 
 Mouser 
 Ratokill 
 
✓ Ação curta 
 
 Representantes: varfarina, Dicumarol, Pindona 
 Nome comercial: Racumin (cumatetralil) 
 
✓ Intoxicação: ocorre após de 12 a 16 horas do consumo 
da droga 
✓ Duração: de 4 a 5 dias 
✓ Meia vida: 14 horas 
✓ Necessita de múltiplas doses para que o animal 
morra, visto que as primeiras doses dão apenas mal-
estar, antes que se chegue às hemorragias 
incontroláveis. 
✓ Excreção: renal 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
✓ Ação longa 
 
 Representantes: Brodifacoum, bromadilona 
 Nome comercial: Ratum (bromadifacoum) 
 
✓ Dose única = DOSE LETAL 
✓ Meia vida: 6 dias a 6 semanas 
✓ 100 vezes mais potentes que as de 1ª geração 
✓ Não há excreção, pois, o animal morre antes. 
 
Como são inibidores competitivos da vitamina K, inibem a 
formação, no fígado, de 4 fatores da cascata de 
coagulação: 
✓ Fator II 
✓ Fator VII 
✓ Fator IX 
✓ Fator X 
Em altas doses, ou uso repetido, aumentam a fragilidade 
capilar, ou seja, os vasos sanguíneos se rompem mais 
facilmente. 
Como é uma droga muito perigosa, que facilmente mata, a 
melhor solução para que não haja acidentes com esses 
produtos é não os ter na residência. 
Pode ser que o tutor uso o veneno em uma distância 
longe daquela em que o animal costuma ficar, 
porém, se o cão ou gato tiver contato com o roedor 
com vestígio da droga, eles também podem ser intoxicados, 
de forma indireta. 
Além disso, os roedores podem acabar mudando e 
transportando as iscas para lugares de acesso dos animais. 
Pode ser também que o animal venha a comer o rato 
envenenado, e assim, ele se intoxicará também. 
 
São quase que exclusivamente relacionadas à sangramentos 
e hemorragias. 
✓ Vômitos com ou sem sangue 
✓ Hematúria: urina com sangue 
✓ Taquicardia: o coração tenta compensar o pouco 
volume sanguíneo circulante batendo mais rápido 
✓ Hemorragias 
✓ Anemia 
✓ Fraqueza 
✓ Mucosas pálidas 
–
✓ Depressão: animal apático 
✓ Epistaxe: sangramento nasal 
✓ Melena: fezes com sangue 
✓ Ataxia 
✓ Estertores pulmonares úmidos: por conta do 
acúmulo de sangue na pleura 
✓ Dispneia 
✓ Hematomas externos: pele com mancha arroxeada, 
pois o sangue extravasou 
✓ Icterícia: pois as drogas atrapalham as funções 
hepáticas 
✓ Morte súbita: decorrente das hemorragias maciças 
em cavidades naturais. 
A morte ocorre rapidamente. 
Podemos fazer testes laboratoriais para confirmar o 
diagnóstico de maneira simples e fácil: 
✓ Provas de coagulação: estarão alteradas 
 
✓ Aumento do tempo de coagulação: pois não estão 
sendo formados os 4 fatores da cascata da 
coagulação 
 
✓ Redução da agregação plaquetária 
 
✓ Aumento do tempo da protrombina: essa 
protrombina é uma das responsáveis pela 
coagulação do sangue, e com alterações na cascata 
de coagulação, ela demora mais para fazer sua 
ação 
 
✓ Diminuição do hematócrito: devido às hemorragias 
 
Também ajudam a fechar o diagnóstico após a morte do 
animal, onde teremos os seguintes achados: 
✓ Hemorragias generalizadas 
✓ Muito sangue 
✓ Coração arredondado e flácido: depende do tempo, 
isso pode ocorrer devido a perca excessiva de sangue, 
onde o coração tende, por esforço compensatório, 
ter suas fibras mais esticadas para que consiga 
captar o maior volume de sangue possível (paredes 
finas e flácidas) 
✓ Necrose hepática determinada por hipóxia: pois não 
chega sangue (com O2) suficiente, e o fígado é um 
tecido que precisa ser muito bem oxigenado pois tem 
alta metabolização 
✓ Hemopericárdio: extravasamento de sangue no 
pericárdio 
✓ Hemoperitônio: extravasamento de sangue para o 
peritônio 
✓ Anamnese e histórico: essencial as informações 
vindo por parte do tutor para entender com o que 
o animal pode ter tido contato 
✓ Exame clínico: o animal tem aspecto de anêmico, 
desidratado, com alterações respiratórias e 
hematomas na pele. 
✓ Hemograma: revela alterações no número de 
plaquetas e nos fatores e tempo de coagulação 
✓ Raio X e ultrassom: para ver o aspecto morfológico 
dos órgãos e ver se tem líquido livre em cavidades 
✓ Urinálise: para constatar a presença de sangue na 
urina 
✓ Necropsia: achados antes descritos 
✓ Testes toxicológicos: um exemplo é pegar um 
fragmento de fígado, mandar para o laboratório e 
isolar o veneno, visto que é nesse órgão que ele age. 
Apesar de ser extremamente específico, demora. 
✓ Diagnostico diferencial: Aflatoxicose, leptospirose, 
acidente ofídico, trombocitopenias e envenenamento 
por hidrocarbonetos, são situações que, em menor 
grau, também causarão algum tipo de hemorragia. 
Deve-se atentar, pois são tratamentos muito 
distintos. 
O que dará segurança ao diagnóstico diferencial é a 
anamnese. 
 
O tratamento principal é a vitamina K, já que os venenos 
são antagonistas dela 
 
Aqui temos a administração desde os graus mais graves até 
os mais suaves, sendo que para os mais leves é possível até 
administrar junto da comida em via oral: 
 
 
Transfusão sanguínea (200 ml/kg de PV): é essencial, visto 
que não adianta apenas dar vitamina K se o volume 
sanguíneo está muito baixo 
Expansores plasmáticos: é como se fornecesse uma bolsa de 
plasma superconcentrado (hipertônico), e a alta 
concentração de proteínas plasmáticas puxa o líquido dos 
tecidos adjacentes, do interstício de volta para os vasos. 
Hidratação: essencial pois o animal perdeu muito sangue 
(líquido). Fazemos através da fluidoterapia 
Administrar carvão ativado: a fim de tentar bloquear a 
absorção de mais veneno pelos animais 
Manutenção do mínimo de estímulos possíveis para o animal 
permanecer quieto: já que o animal está tendo hemorragias 
e possível fragilidade capilar. O animal estressado tente a 
se locomover e se movimentar muito na internação do 
hospital/cíclica, o que pode favorecer novamente a perda de 
sangue.