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Concentração e Diluição da Urina

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Concentração e Diluição da Urina 1
Concentração e Diluição da 
Urina
A concentração de sódio e a osmolaridade da água é feita pela ingestão de 
líquido e pela excreção renal de água. Ambas as regulações são importantes 
para o funcionamento normal das células do corpo, que devem estar banhadas 
por um líquido extracelular com concentração relativamente constante. 
Lembrado que osmolaridade é determinada pela quantidade de soluto dividida 
pelo volume do líquido extracelular.
Os rins excretam o excesso de água pela produção 
de urina diluída
Excesso de água no corpo e queda da osmolaridade = excreção de água = 
urina com baixa osmolaridade = mais clara.
Falta de água e aumento da osmolaridade = reabsorção de água = urina com 
alta osmolaridade = mais escura.
Importante destacar que os rins possuem a capacidade de excretar uma urina 
mais concentrada ou menos concentrada sem alterar a reabsorção de solutos, 
como sódio e potássio..
ADH
Quando ocorre aumento da osmolaridade, a hipófise posterior secreta mais 
ADH, o que aumenta a permeabilidade dos túbulos distais e ductos à água, 
permitindo a reabsorção maior de água, diminuindo o volume urinário, porém 
não altera a excreção renal dos solutos.
Em momentos de diminuição da osmolaridade e excesso de água, a secreção 
de ADH diminui e portanto, aumento do volume urinário.
Mecanismos renais para a excreção de urina diluída
Após a ingestão de água em excesso, o rim elimina do corpo esse excesso, 
porém sem aumentar a excreção de solutos.
Túbulo proximal: nesse segmento do néfron, o líquido tubular continua 
isosmótico em relação ao plasma, visto que a reabsorção de água e solutos 
são equivalentes. Osmolaridade: 300 mOsm/L.
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Ramo descendente da alça de Henle: nesse segmento, devido a maior 
reabsorção de água e quase nada de soluto, o líquido tubular fica mais 
concentrado e atinge a mesma concentração que o interstício da medula renal, 
que é hipertônico.
Ramo ascendente da alça de Henle: aqui, o líquido tubular começa ficar mais 
diluído devido a alta reabsorção de sódio, cloreto e potássio, principalmente no 
segmento espesso. Osmolaridade ao chegar no túbulo distal: 100 mOsm/L.
Túbulos distais e coletores na ausência de ADH são praticamente 
impermeáveis à agua e ocorre reabsorção adicional de cloreto de sódio, 
tornando o líquido tubular ainda mais diluído. Osmolaridade: 50 mOsm/L.
Os rins conservam água excretando urina concentrada
Em momentos que a quantidade de água no corpo diminui, os rins conseguem 
reabsorver ainda mais água que foi filtrada pelos glomérulos, porém sem 
alterar a excreção de solutos, ou seja, ocorre produção de pouco volume de 
urina concentrada. Osmolaridade máxima: 1200 a 1400 mOsm/L.
Requerimentos para excreção de urina concentrada
Para que haja a excreção de urina concentrada, deve haver maior reabsorção 
de água e portanto, aumento dos níveis de ADH (aumento da permeabilidade 
nos túbulos distais e ductos coletores) e alta osmolaridade do líquido 
intersticial medular renal.
O interstício medular hiperosmótico é necessário para que quando os níveis de 
ADH aumentarem, o transporte de água por osmose possa ser feito do meio 
hiposmótico para o meio hiperosmótico e assim, a água ser reabsorvida pelos 
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vasa recta e consequentemente, a excreta de urina muito concentrada. O 
líquido intersticial medular se torna hiperosmótico através do mecanismo de 
contracorrente.
Mecanismo de contracorrente gera o interstício medular renal 
hiperosmótico
A osmolaridade no interstício medular renal é mais alta que em outros locais do 
corpo, podendo chegar em valores de 1200 a 1400 mOsm/L.
Linha de raciocínio (alta concentração de soluto no interstício medular → 
reabsorção de água por osmose)
Fatores que estão relacionados com a alta osmolaridade na medula renal:
1 alta reabsorção de sódio, por transporte ativo e reabsorção de potássio, 
cloreto e outros íons através de cotransporte, no ramos ascendente espesso 
da alça de Henle.
2 Transporte ativo de íons nos ductos coletores.
3 difusão facilidade de grande quantidade de ureia nos ductos coletores para 
o interstício medular.
4 Difusão de apenas pequena quantidade de água dos túbulos medulares para 
o interstício medular em proporção menor à reabsorção de solutos para o 
interstício medular.
Características especiais da alça de Henle que mantêm os 
solutos na medula renal
A principal característica desse semento que contribui para a alta 
concentração de solutos no interstício medular é a reabsorção de muitos íons 
no segmento ascendente espesso, ao mesmo tempo que é praticamente 
impermeável à agua.
Etapas para gerar um interstício medular renal hiperosmótico
É assumido que a alça de Henle seja cheio de líquido com concentração de 
300 mOsm/L (a mesma que deixa o túbulo proximal).
1 Bomba ativa de íons eleva a concentração do interstício e reduz a 
concentração tubular.
2 Estabelecimento do gradiente de concentração de 200 mOsm/L, devido 
também a difusão de íons via paracelular de volta para o túbulo que 
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contrabalança o transporte de íons para fora do lúmen.
3 Rápido equilíbrio osmótico no ramo descendente da alça de Henle devido ao 
movimento de água por osmose para o interstício e a osmolaridade do 
interstício é mantida devido ao transporte contínuo de íons para forma do ramo 
ascendente espesso.
4 Fluxo adicional de líquido do túbulo proximal para a alça de Henle, fazendo 
com que o líquido hiperosmótico, formado no ramos descendente flua para o 
ramo ascendente. 
5 O líquido chega, e com o bombeamento de íons adicionais aumenta a 
osmolaridade do interstício para 500 mOsm/L.
6 Mais soluto é bombeado dos túbulos para o interstício conforme segue na 
alça de Henle (processo se repete).
7 Osmolaridade elevada para 1200 mOsm/L a 1400 mOsm/L.
Multiplicador de contracorrente: influxo contínuo de cloreto de sódio do 
túbulo proximal para a alça de henle. Reabsorção de cloreto de sódio no túbulo 
proximal somado ao reabsorvido no ramo ascendente.
Papel do túbulo distal e dos ductos coletores na excreção de 
urina concentrada
Em altas concentrações de ADH, o túbulo coletor cortical fica mais permeável à 
agua, reabsorvendo esse solvente para o interstício cortical, e depois para os 
capilares peritubulares. É importante destacar o fato de que essa alta 
reabsorção na parte cortical e não na medular é importante para manter a alta 
osmolaridade do interstício medular renal, ocorrendo reabsorção adicional nos 
ductos coletores medulares.
Participação da ureia na formação de urina concentrada e 
contribuição para um interstício medular mais concentrado
A ureia contribui para cerca de 40% a 50% da osmolaridade do interstício da 
medula renal, quando o rim está formando uma urina muito concentrada.
Aumento do ADH → água reabsorvida no túbulo coletor cortical → 
Concentração de ureia aumenta no túbulo → líquido chega no ducto coletor 
medular interno → continua a reabsorção de água → aumenta ainda mais a 
concentração de ureia no lúmen → difusão para o interstício medular.
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O movimento simultâneo de água e ureia faz com que a concentração de ureia 
continue alta no lúmen tubular e finalmente na urina.
Recirculação de ureia
Na formação de urina concentrada e alto nível de ADH, a reabsorção de água 
no túbulo coletor cortical e medular faz com que a concentração desse soluto 
aumente no lúmen. Na presença de transportadores, a ureia é difundida para o 
interstício medular, e fração dessa ureia difundida para interstício se difunde 
para a alça de Henle voltando para o segmento espesso e assim por diante. 
Portanto, a recirculação de ureia é um mecanismo adicional para a formação de 
um interstício medular hiperosmótico.
Caso ocorra excesso de água e níveis baixos de ADH, a concentração de ureia 
diminui e ocorre menor difusão desse soluto para o interstício medular, o que 
leva à maior excreção