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Queimaduras

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Cirurgia Thomás R. Campos 
Plástica Medicina – UFOB 
 
QUEIMADURAS 
Tratamento das queimaduras na história: 
– Egito antigo: pelos de cabra, leite humano. 
– Grécia 4030 a.C.: gordura derretida de porco, resina com atadura. 
– Rhases (Séc IX): aplicou água gelada → precursor da Balneoterapia. 
– Fabrícius Hildado (1607): classificou a queimadura em três graus. 
– Ivo Pitanguy: médico cirurgião plástico brasileiro, único na especialidade no país na época. Realizou 
atendimento inicial aos pacientes queimados no acidente que ocorreu em 1961, no Gran Circo. A partir 
disso, ele se tornou conhecido no Brasil e no mundo. 
– 06/06/1995: criação da Sociedade Brasileira de Queimaduras. 
 
Epidemiologia 
▪ Faixa etária predominante: adultos (64,1%) 
▪ Agente mais frequente: líquido superaquecido (53%) 
▪ Local mais frequente: domicílio (80%) 
▪ A maioria dos casos são por acidente 
 
Agentes mais comuns: 
líquido superaquecido > líquidos inflamáveis > objetos sólidos 
 
Fisiopatologia 
Apesar da lesão da queimadura ser local, sistemicamente são liberados mediadores inflamatórios. Esses 
mediadores causam principalmente aumento da permeabilidade capilar durante as primeiras 24h (por isso 
o paciente fica edemaciado). Por esse motivo, é proibido dar albumina ou coloides ao paciente nas 
primeiras 24h, porque vai sair tudo e ficar sequestrado no terceiro espaço, aí você vai piorar mais ainda o 
quadro. 
 
Sequência de eventos: 
Aumento da permeabilidade vascular 
Diminuição da pressão coloidosmótica 
Edema 
Diminuição da volemia 
Aumento do hematócrito e aumento da viscosidade sanguínea 
Aumento da resistência periférica 
Diminuição do débito cardíaco 
 
CHOQUE HIPOVOLÊMICO 
 
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Classificação das queimaduras 
 
1º grau: epiderme 
2º grau: derme superficial ou derme profunda* 
3º grau: subcutâneo 
4º grau: vai até o músculo e osso 
 
 
*No bulbo piloso existem células precursoras 
capazes de se dividir e reparar o tecido. Se há 
dano no bulbo piloso, essas células serão 
perdidas, e a epiderme não será regenerada. 
 
Queimadura de 1º grau: 
 
Tratamento: emoliente, aloe vera, óleo de amêndoa → durante 02-03 dias, que é o tempo médio de 
reepitelização. 
– Não entra na fórmula de Parkland 
– Não precisa tratar com Sulfadiazina 
 
Queimadura de 2º grau: 
 
Se pegar a derme superficial, vai reepitelizar. Se pegar a derme profunda, pode ser que não reepitelize, 
porque danifica o bulbo piloso, 
Sobre as bolhas, não tem um consenso sobre romper ou não. Há quem diga que é um curativo biológico, 
então não pode romper. Há quem diga que pode ser meio de cultura, então rompe. O prof. rompe. 
 
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Queimadura de 3º grau: 
 
A pele fica com aspecto marmoráceo ou branco nacarado. 
Pode ocorrer retração pelo grau da queimadura, por isso é preciso muitas vezes escarotomias. 
 
Queimadura de 4º grau: 
 
Aqui já atinge músculo e osso. 
Alguns livros tratam o terceiro e quarto graus como sendo um só. 
 
Zonas da queimadura: 
 
Zona de hiperemia: não evolui para a necrose. 
Zona de estase: zona-alvo da ressuscitação do choque no queimado, é aqui que a gente deve intervir para 
tentar salvar essas áreas, pois podem evoluir para a necrose. 
Zona de necrose/coagulação: lesão irrecuperável. 
 
 
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Atendimento pré-hospitalar 
O atendimento pré-hospitalar segue o mesmo protocolo do trauma. A única particularidade é uma 
preparação do local do atendimento antes. Ex.: um cara com queimadura elétrica, a primeira coisa que tu 
tem que fazer é ligar pra Coelba desligar a energia. 
 
Avaliação da extensão da queimadura 
▪ Regra da palma da mão: a palma da mão (incluindo os dedos) corresponde a 1% da superfície corporal. 
Assim, é possível estimar a extensão da lesão através do “número de palmas”. 
▪ Regra dos nove: avalia a superfície corporal queimada (SCQ). 
 
▪ Tabela de Lund-Browder: classifica de acordo com a faixa etária. É mais apurada, mas o professor disse 
que não precisa saber. 
 
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Suporte hemodinâmico 
▪ Solução isotônica (SRL) entre 01 e 24h 
▪ Diurese alvo: 30-50mL/h 
▪ Coloide: 0,3-0,5 mL/kg/%SCQ 
O principal parâmetro para avaliar a efetividade terapêutica adotada, durante as primeiras 24h de 
tratamento de um paciente grande queimado é o débito urinário. 
 
Cálculos para reposição volêmica: 
– Fórmula de Parkland → 4 x peso x SCQ% 
– Fórmula de Brooke modificada → 2 x peso x SCQ% 
Você coloca metade do volume nas primeiras 8h (a partir do momento do acidente) e a outra metade 
nas outras 16h 
 
Ex.: Masc, 20a, 70kg, sofreu queimadura de 2º grau em todo o MID. Você atende esse paciente 2h 
após o acidente. Calcule a hidratação de acordo com a fórmula de Parkland: 
SCQ = 9% + 9% (anterior + posterior) = 18% 
Parkland = 4 x 70 x 18 = 5040 → 5040 mL de SRL em 24h 
2520 mL → nas primeiras 6h (porque desconta as 2h que o paciente levou pra chegar) 
2520 mL → nas outras 16h 
 
Quando transferir para o Centro de Tratamento de Queimaduras? 
1. Queimaduras de 2º grau em áreas maiores que 20% de SCQ, em adultos <50 anos 
2. Queimaduras de 2º grau em áreas maiores que 10% de SCQ, em crianças ou adultos >50 anos 
3. Queimaduras de 3º grau, em qualquer extensão 
4. Lesões em áreas nobres: face, olho, períneo, mão, pé e grande articulação 
5. Queimadura elétrica 
6. Queimadura química 
7. Lesão inalatória, ou lesão circunferencial de tórax ou de membros 
8. Doenças associadas, auto-extermínio, politrauma, maus tratos e situações sociais adversas 
 
TIPOS DE QUEIMADURAS 
Química Elétrica 
4% do total de queimaduras, com taxa de letalidade 
de 23%. O dano depende da concentração e 
quantidade do agente, extensão e penetração no 
tecido, além da interação com outras substâncias. 
Um ponto importante é não jogar uma base para 
equilibrar um ácido, porque isso faz uma reação 
endo/exotérmica que pode foder mais ainda o 
paciente. 
A conduta é lavar com água corrente por uns 20 
minutos e encaminhar para o CTQ. 
Ex.: soda cáustica, ácido hidrofluorídrico, fósforo 
branco 
São bastante comuns. Existem correntes elétricas 
alternadas e contínuas, a corrente alternada é a 
pior. Nessas queimaduras existe um ponto de 
entrada e um ponto de saída, e a corrente segue 
para as regiões