Logo Passei Direto

A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
4 pág.
Tônus muscular

Pré-visualização | Página 1 de 2

TÔNUS MUSCULAR 
- O tônus muscular é definido como a tensão no músculo relaxado ou a resistência ao 
movimento passivo quando não há contração voluntária 
- Até mesmo as fibras musculares aparentemente relaxadas apresentam leve tensão 
constante por meio da qual mantêm sua posição de repouso, resistem a variações de 
comprimento, evitam a mobilidade articular indevida e assumem posição de contração 
quando necessário 
- O tônus muscular é fácil de ser examinado e difícil de ser avaliado, porque se trata de 
matéria de julgamento, quando o avaliamos a experiência contribui para o exame e para a 
interpretação do estado emocional e de relaxamento do paciente, visto que um paciente 
tenso ou apreensivo pode apresentar resistência voluntária ou involuntária ao movimento 
passivo, o que pode simular aumento do tônus 
- Examina-se o tônus muscular como paciente preferencialmente em decúbido dorsal e o 
mais tranquilo possível e algumas manobras podem ser realizadas com o paciente na 
posição ortostática 
- A pesquisa do tônus muscular envolve 3 itens básicos: 
1. Inspeção 
2. Palpação muscula 
3. Mobilização passiva 
INSPEÇÃO: 
- A avaliação do tônus se inicia pela observação da postura do paciente 
- Na inspeção, com o paciente na posição de pé, se observa inicialmente a sua postura 
 A observação das características dos movimentos espontâneos das extremidades e 
as anormalidades da postura ou da posição dos membros podem indicar alteração no 
tono muscular 
 Um dos sinais mais evidentes de diminuição do tônus muscular nos membros 
inferiores é representado pela curvatura para trás da articulação dos joelhos 
- Com o paciente sentado, e colocando os antebraços apoiados sobre uma mesa, com as 
mãos pendentes, observa-se que a mão com o tono diminuído cai (sinal da mão em gota), 
este sinal também pode ser visto nos pés (sinal dos pés em gotas) quando eles ficam 
suspensos 
- O aumento do tono, ou hipertonia muscular, pode se expressar pelo relevo proeminente 
das massas musculares, com sua definição superficial bem delimitada. Porém o diagnóstico 
visual, realizado pela simples inspeção, pode ser difícil já que no indivíduo eutônico ou 
atlético, observa–se também boa definição da massa muscular superficial, sem que isso 
signifique doença 
PALPAÇÃO: 
- Deve ser realizada com o paciente deitado e o mais relaxado possível 
- Tenta-se caracterizar: 
 A consistência da massa muscular 
 A elasticidade passiva 
 O turgor dos grupos musculares apendiculares 
- Nos pacientes hipotônicos, os músculos se apresentam flácidos e amolecidos 
- Nos pacientes hipertônicos, a consistência é aumentada 
- Nos pacientes eutônicos, os músculos têm consistência elástica 
- A palpação dos músculos deve ser feita em posições diferentes, pois cada postura irá 
ocasionar uma distribuição especial do tono muscular 
MOBILIZAÇÃO PASSIVA: 
- É a fase mais importante da avaliação do tono muscular, porque afere a resistência dos 
músculos à movimentação passiva quando eles estão relaxados e sem o controle voluntário 
- Realiza se movimentos alternados de flexão e extensão nos diversos segmentos 
articulados 
- De modo geral, examina-se a mobilidade passiva das articulações do pescoço, ombros, 
cotovelos, punhos, quadril, joelhos e tornozelos, imprimindo diferentes velocidades, em 
diferentes direções e em posições distintas. A princípio, o membro é movimentado devagar e 
por toda a amplitude de movimento e, depois, em velocidades variadas 
- O examinador pode balançar o antebraço para a frente e para trás e observar a excursão 
da mão, segurar um membro e soltá-lo subitamente ou observar a amplitude de movimento 
de uma parte em resposta à percussão leve 
- O exame bilateral ajuda a comparar as diferenças de tônus nos dois lados do corpo 
- Deve-se avaliar o tônus por movimentos lentos e rápidos e na amplitude de movimento 
parcial e total, e registrar a distribuição, o tipo e a intensidade de qualquer anormalidade 
- Normalmente, nenhuma resistência deve ser encontrada 
- Quando os movimentos produzirem dor, deve-se dar uma atenção especial, pois esta dor 
pode originar forte resistência, parte voluntária e parte reflexa, contra os movimentos 
passivos 
- Algumas manobras específicas ajudam a avaliar o tônus anormal: 
TESTE DO TÔNUS DE BABINSKI: 
- Os braços são abduzidos nos ombros e os antebraços, flexionados passivamente 
nos cotovelos 
- Na hipotonia, há aumento da flexibilidade e mobilidade, e a flexão dos cotovelos 
pode alcançar um ângulo mais agudo do que o normal 
- Na hipertonia, há diminuição da flexibilidade e não é possível faze a flexão passiva 
além de um ângulo obtuso 
 
 
 
TESTE DE QUEDA DA CABEÇA: 
- O paciente é colocado em decúbito dorsal, sem travesseiro, totalmente relaxado, 
com os olhos fechados e a atenção desviada 
- O examinador põe uma das mãos sob a região occipital do paciente e, com a outra 
mão, levanta subitamente a cabeça e a deixa cair 
- O normal é que a cabeça caia rapidamente sobre a mão protetora do examinador, 
mas em pacientes com rigidez extrapiramidal a queda da cabeça é tardia, lenta e 
suave em virtude da rigidez dos músculos flexores do pescoço 
- Quando há meningismo, ocorrem resistência e dor à flexão do pescoço 
 
MOVIMENTO DE PÊNDULO DAS PERNAS: 
- O paciente se senta na borda de uma mesa, relaxado e com as pernas pendentes 
- O examinador estende as 2 penas até a mesma altura horizontal e solta ou empurra 
as duas pernas para trás de maneira brusca e com mesmo impulso 
- Se o paciente estiver totalmente relaxado e for cooperativo, o normal é que haja 
oscilação das pernas, com diminuição gradual da amplitude até cessar, depois de 
seis ou sete oscilações 
- Na rigidez extrapiramidal o tempo de oscilação diminui, mas geralmente não há 
alteração qualitativa da resposta 
- Na espasticidade, o tempo de oscilação pode diminuir pouco ou não diminuir, mas 
os movimentos são espasmódicos e irregulares, o movimento anterior pode ser maior 
e mais brusco do que o posterior e pode haver um padrão em zigue-zague 
- Na hipotonia, a resposta tem amplitude aumentada e prolonga-se além do normal 
 
TESTE DE BALANÇO DOS OMBROS: 
- O examinador põe as mãos sobre os ombros do paciente e os balança para a frente 
e para trás, observando o movimento recíproco dos braços 
- Na doença extrapiramidal, há diminuição da amplitude de oscilação do braço no lado 
afetado 
- Na hipotonia, sobretudo quando associada a doença cerebelar, as excursões do 
braço são maiores do que o normal 
 
TESTE DE QUEDA DO BRAÇO: 
- O examinador eleva os braços do paciente até a altura dos ombros e os solta 
- Na espasticidade ocorre atraso do movimento descendente do braço afetado, 
fazendo com que fique suspenso por um breve período (sinal de Bechterew ou 
Bekhterew); 
- Na hipotonia, a queda é mais abrupta do que o normal 
 
POSIÇÃO DA MÃO: 
- A hipotonia, sobretudo quando associada a doença cerebelar ou coreia de 
Sydenham, pode fazer com que as mãos assumam uma postura característica 
- Com os braços e as mãos estendidos, há flexão dos punhos e hiperextensão dos 
dedos (“posição em colher”) acompanhada de hiperpronação moderada 
- Com os braços levantados acima da cabeça, a hiperpronação é exagerada e as 
palmas das mãos ficam voltadas para fora. Esse fenômeno de hiperpronação é 
diferente do sinal do desvio pronador, no qual a hiperpronação é causada por 
fraqueza dos músculos com inervação corticospinal ou por aumento do tônus dos 
músculos pronadores. 
ALTERAÇÕES DO TÔNUS MUSCULAR: 
- Podem ocorrer na presença de doenças que envolvam qualquer porção do sistema motor 
- A hipotonia pode ter como causa alteração constitucional (hipotonia dos contorcionistas) ou 
ser devida ao comprometimento do sistema nervoso periférico, desde as colunas anteriores 
da medula (neuronopatia motora, poliomielite), passando pelos nervos periféricos 
(neuropatias sensitivas, motoras ou mistas),
Página12