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NEGÓCIO JURÍDICO

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lei, à ordem pública ou aos bons costumes (art.122).
· Ilícitas: atentam contra proibição do ordenamento, a moral ou os bons costumes. Ex.: cláusula que obriga alguém a mudar de religião.
c.2) Quanto à possibilidade:
· Fisicamente impossíveis: não podem ser cumpridas por nenhum ser humano. Ex.: te dou 100 se tocares a lua.
· Juridicamente impossíveis: esbarram em proibição expressa do ordenamento ou fere a moral e os bons costumes. Ex.: condição de adotar pessoa da mesma idade – art.1619.
· Obs.: O art.124 trata como inexistentes as condições impossíveis e as de fazer coisas impossível, quando resolutivas. Já o art.123, considera inválidos os NJ´s cujas condições sejam impossíveis, quando suspensivas.
c.3) Quanto à fonte:
 
· Casuais: dependem do acaso, do fortuito, de fato alheio à vontade das partes. Ex.: dar-te-ei 100 se chover amanhã.
· Potestativas: decorrem da vontade ou do poder de uma das partes. Dividem-se em:
	- puramente potestativas: sujeitam todo o efeito do ato ao puro arbítrio de uma das partes, sem influência de qualquer fator externo. Ex.: “se eu quiser”. São proibidas pelo art.122, in fine.
	- simplesmente potestativas: são permitidas por dependerem não só da manifestação de vontade de uma das partes como também de algum acontecimento exterior. Ex.: dar-te-ei este bem se fores a Roma.
* Mistas: dependem simultaneamente da vontade de uma das partes e da vontade de um terceiro. Ex.: dar-te-ei tal quantia se casares com tal pessoa.
c.4) Quanto ao modo de atuação:
* Suspensiva: impede que o ato produza efeitos até a realização de evento futuro e incerto. Ex.: dar-te-ei um carro se passares no vestibular (art.125).
* Resolutiva: é aquela que, ocorrido o evento futuro e incerto, extingue, resolve o direito transferido pelo negócio. Ex.: alguém constitui uma renda em favor de outrem enquanto estudar (art.128).
6.2) Termo
· Conceito: É o dia ou momento em que começa ou se extingue a eficácia do NJ, podendo ter como unidade de medida a hora, o dia, o mês ou o ano.
· Não suspende a aquisição do direito e sim o seu exercício (art.131).
· O acontecimento é certo, não há incerteza como ocorre na condição. Ex.: dar-te-ei um carro quando fizeres 18 anos de idade.
· Condição + Termo: dou-te um consultório se te formares em medicina até os 25 anos.
· Termo Inicial (dies a quo): tem uma data determinada para o NJ começar a viger. Ex.: celebrado no dia 20/06/15, começará a viger no dia 20/07/15.
· Termo Final (dies ad quem): data em que cessará o NJ. Ex.: contrato de locação com prazo determinado.
6.3) Encargo:
· Conceito: trata-se de uma cláusula acessória às liberalidades (doações, testamentos) pela qual se impõe uma obrigação ao beneficiário.
· Ex.: doação feita a Município com a obrigação de construir um hospital, creche, etc.
· Art.136: não suspende a aquisição nem o exercício do direito, salvo quando expressamente disposto como condição suspensiva. Ou seja, o direito só é adquirido quando o beneficiário cumprir o encargo. 
Ex.: Testamento em que o testador dispõe que a pessoa somente receberá a casa se realizar uma benfeitoria.
7. Sistemas de anulação/invalidação:
· Pode ocorrer violação aos requisitos de VALIDADE.
· Essa violação poderá ser muito grave (NULIDADE) ou pouco grave (ANULABILIDADE).
7.1) Classificação:
a) Nulidade absoluta: deixa o NJ nulo. Ofende o próprio ordenamento jurídico.
b) Nulidade relativa: é a anulabilidade. Ofende o interesse do particular.
c) Nulidade Total: nada do ato poderá ser aproveitado.
d) Nulidade Parcial: princípio da conservação do NJ: só existe na nulidade parcial. Sempre se tenta conservar a parte válida.
Obs.: o art.184 define que, havendo nulidade parcial, esta não prejudicará a parte válida. Trata-se do princípio da conservação do ato ou NJ.
	NULIDADE
	ANULABILIDADE
	Também chamada de nulidade absoluta
	Também chamada de nulidade relativa
	Violação da ordem pública (ordenamento jurídico)
	Violação do interesse particular
	Alegação de qualquer interessado/MP/juiz de ofício
	Alegação somente da parte interessada
	Ação declaratória de nulidade
	Ação anulatória
	Não há prazo. O que é nulo nunca se convalida
	Prazo decadencial de 4 anos.
	Arts.166 e 167
	Art.171
	Sentença declaratória
	Sentença desconstitutiva
	Efeito ex tunc
	Efeito ex nunc
	Não produz efeitos, salvo os putativos (para o 3º de boa-fé)
	Produz efeitos até a data da sentença
7.2) Anulabilidade (defeitos/vícios do nj):
Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico:
I - por incapacidade relativa do agente;
II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores.
* Vício social: fraude contra credores
* Vícios de consentimento: todos os outros
* ocorrem quando a ofensa atingir interesse particular, sem estar em jogo interesses sociais.
* será considerado válido se a parte interessada não agir no prazo definido para conformar-se com a situação – são vícios que admitem confirmação.
# PRAZOS:
- Para todos os vícios, o prazo decadencial é de 4 anos, contados da data de realização do NJ.
- Exceção: coação, em que o prazo começa a contar de quando cessou a coação.
- No silêncio da lei, o prazo é de 2 anos.
A) Incapacidade relativa do agente (art. 171, I):
B) Erro (art.171, II):
- Consiste numa falsa representação da realidade em que o agente engana-se sozinho.
Ex.: compro um relógio achando que é de ouro. O vendedor não me induziu ao erro, apenas se silenciou. A pessoa erra sozinha.
- 2 requisitos: essencial ou substancial (art.139) + escusável ou perdoável.
Ex.: se na vitrine o relógio está com o preço muito baixo e ainda assim eu acho que é de ouro, não é erro perdoável. O erro esdrúxulo não é caso de anulabilidade.
C) Dolo (art.171, II):
- É o artifício ou expediente astucioso empregado para conduzir alguém à prática de um ato que prejudique e aproveite ao autor do dolo ou a 3º.
F) Lesão (art.171, II):
- Ocorre quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta (art.157).
- Elementos: PREMENTE NECESSIDADE OU INEXPERIÊNCIA + ONEROSIDADE EXCESSIVA. Portanto, na lesão, não há dolo.
- Enunciado 150, JDC: “A lesão de que trata o art.157 do Código Civil não exige dolo de aproveitamento”.
- Objetiva evitar o enriquecimento sem causa, fundada em negócio totalmente desproporcional (“negócio da China”).
- Ex.: contratos de financiamento de casa própria em que a parte se obriga a pagar prestações muito altas e com juros abusivos.
- Gera a anulabilidade do NJ.
G) Fraude contra credores (art.171, II):
- É a atuação maliciosa do devedor em estado de insolvência ou na iminência de assim tornar-se, que dispõe de maneira gratuita ou onerosa o seu patrimônio, para afastar a possibilidade de responderem os seus bens por obrigações assumidas em momento anterior à transmissão (art.158).
Ex.: A, tendo conhecimento da iminência do vencimento de dívidas em seu nome, em relação a vários credores, vende a B imóvel de seu patrimônio, havendo conhecimento deste do estado de insolvência, estará configurado o vício social a acometer esse negócio jurídico.
- Elementos: INTENÇÃO DE PREJUDICAR CREDORES + ATUAÇÃO EM PREJUÍZO DOS CREDORES.
- Em regra, é necessário o conluio fraudulento entre aquele que dispõe do bem e aquele que o adquire. Exceção: em casos de disposição gratuita de bens ou de remissão (perdão) de dívidas, não é necessário o conluio fraudulento, bastando o evento danoso ao credor (art.158).
- É cabível, por parte do credor, o ajuizamento de ação anulatória (ação pauliana ou ação revocatória).
7.3) Nulidade (arts. 166 e 167):
A) O que é a simulação?
- É um NJ aparentemente normal, mas que em verdade não pretende atingir o efeito que deveria produzir (A e B em conluio para fraudar C).
- É uma declaração falsa, enganosa, da vontade, visando aparentar negócio diverso do efetivamente desejado.
- É uma desconformidade consciente da declaração, realizada de comum acordo com a pessoa a quem se destina,