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a morte dos 
protagonistas é um elemento crucial no clímax das narrativas. Portanto, em ambas as histórias, 
os casais, apesar de viverem esse amor incessante, com muita esperança e um imenso 
sofrimento, não conseguem o tão sonhado momento de viverem juntos e ambos acabam com o 
final triste e com suas mortes separando-os definitivamente. 
QUESTÕES 
1) (UEL) Sobre Amor de perdição, do escritor português Camilo Castelo Branco, assinale a 
alternativa INCORRETA: 
 a) Amor de perdição é uma novela ultrarromântica, marcada pelo sentimento passional e pelo 
idealismo amoroso, confirmando, assim, duas das principais características do período, que 
foram o subjetivismo e a luta individual do herói. 
 b) Narrada em terceira pessoa, a novela segue as convenções tradicionais da narrativa de ficção 
como a sequência temporal dos acontecimentos e a linearidade do enredo, apresentando 
também referências históricas e biográficas. 
 c) O ultrarromantismo da novela é quebrado por tendências realistas observadas no 
posicionamento da personagem Mariana e na forma pouco subjetiva como a realidade é 
tratada numa ficção documental. d) Mariana é a principal agente de comunicação entre Simão e 
Teresa, figurando como personagem auxiliar que promove a união amorosa entre os dois 
adolescentes apaixonados, embora não possa dela participar. 
 e) A personagem Mariana, encarnando o amor platônico, com pureza e resignação, e a 
personagem Teresa, representando a mulher inacessível e idealizada, encontram na morte a 
plenitude do amor idealizado, nesta novela da segunda fase romântica da literatura portuguesa. 
2) O desfecho da obra em estudo (Amor de perdição) encontra correspondência total em: 
 
a) A moreninha e Senhora. 
 b) Romeu e Julieta e Amor de salvação. 
 
 
 c) Ataliba, o Vaqueiro e Senhora. 
 d) Memórias de um Sargento de Milícias e Inocência. 
 e) Romeu e Julieta e Inocência. 
 
 3) (Mackenzie-SP) É uma característica da obra de Camilo Castelo Branco: 
 a) A influência rica, em sua poesia, de símbolos, imagens alegóricas e construções. 
 b) A oscilação entre o lirismo e o sarcasmo, deixando páginas de autêntica dramaticidade, 
vibrando com personagens que comumente intervêm no enredo, tecendo comentários 
piedosos, indignados ou sarcásticos. 
c) A busca de uma forma adequada para conter o sentimentalismo do assado e das formas 
românticas. d) O fato de deixar ao mundo um alerta sobre o mal-estar trazido pela civilização 
moderna e industrializada. e) O apego ao conto como principal realização literária, através do 
qual se tornou um dos autores mais respeitados na literatura portuguesa. 
GABARITO 
1) C 2) E 3) B 
 
 
 
CLARA DOS ANJOS 
LIMA BARRETO 
 Sobre o autor: Afonso Henrique de Lima Barreto nasceu no Rio de Janeiro, em 13 de maio 
de 1881. Filho de pais mestiços e pobres, sofreu preconceito a vida toda e bem cedo ficou órfão 
de mãe. Sempre com a ajuda de seu padrinho, o Visconde de Ouro Preto, estudou e ingressou 
na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, onde iniciou o curso de Engenharia. Em 1904, foi 
obrigado a abandonar o curso, pois seu pai havia enlouquecido e o sustento dos três irmãos 
passou a ser sua responsabilidade. 
Prestou concurso para escriturário do Ministério da Guerra e, nesta época, escrevia para quase 
todos os jornais do Rio de Janeiro. Em 1909 publicou o romance “Recordações do Escrivão Isaías 
Caminha”, que narra a trajetória de um jovem mulato vindo do interior e que sofre sérios 
preconceitos raciais. Em 1915 escreve “Triste Fim de Policarpo Quaresma” e, em 1919, “Vida e 
Morte de M. J. Gonzaga de Sá”, ambos romances apresentando nítidos traços autobiográficos. 
Foi uma pessoa engajada com os problemas sociais, raciais e culturais de sua época e, por isso, 
escreve uma obra na qual as questões do âmbito social se apresentam na vida das personagens 
e, principalmente, na maneira como o narrador conduz os eventos da trama. 
Com seu espírito inquieto e rebelde, com seu inconformismo frente à mediocridade social, se 
entrega ao álcool. Suas constantes depressões o levam duas vezes para o hospício. Faleceu no 
Rio de Janeiro, no dia 01 de novembro de 1922. 
Movimento literário: pré-modernismo. 
SOBRE A OBRA: É um romance póstumo de Lima Barreto: o livro foi concluído em 1922 – ano 
em que o autor faleceu – e publicado apenas em 1948. O livro Clara dos Anjos leva o nome da 
protagonista: a pobre mulata Clara, filha do carteiro, que mora na periferia do Rio de Janeiro e 
que vive trancada debaixo da saia da sua mãe, Dona Engrácia. Mesmo com tanta vigilância, a 
mocinha acaba iludida pelo malandro sem caráter Cassi Jones, seduzida, grávida e abandonada 
ao desespero. 22 Sim, está revelado o fim da trama. Mas a verdade é que desde o começo do 
livro você, leitor, sabe que isso vai acontecer, uma hora ou outra. Mas não tem nada que se 
 
 
possa fazer além de ler, impotente e angustiado, o triste fim da mocinha. Inclusive, somente 
tristes fins podem vir do escritor Lima Barreto, um homem bem-humorado, mas desiludido do 
mundo, tão consciente das hipocrisias e injustiças do Brasil que da sua pena escorre uma crítica 
ácida aos costumes. Logo, o ambiente e a vida das pessoas são retratados com riqueza de 
detalhes para aproximar o leitor da realidade de cada personagem, seus pensamentos, suas 
inquietações, suas vitórias e frustações. O realismo-naturalismo, que influenciava o autor, 
aparece como cientificista e determinista, transmitindo a impressão de que as ações dos 
personagens são frutos de leis naturais: suas características hereditárias, do meio e do 
momento histórico em que vivem. 
 
A história é dividida em dez capítulos, que serão resumidos abaixo: 
I. Apresentação de Joaquim e sua família, além de seus amigos mais próximos. Durante o 
jogo de cartas, seu amigo Lafões sugere a Joaquim que Cassi Jones, mestre de violão e 
de modinhas, toque no aniversário de Clara, a duros protestos de Marramaque, que 
conhecia a má fama do rapaz. 
II. Apresentação de Cassi Jones e sua família 
III. É narrada a história de vida de Marramaque. Expõe a ocasião em que Cassi Jones 
contribuiu para o assassinato de uma mulher casada e foi parar na cadeia, momento em 
que conheceu Lafões, amigo de jogo de Joaquim, que foi preso por uma briga de bar. O 
malandro fingiu ter soltado o velho e esse ficou-lhe eternamente grato. O velho faz o 
convite para Cassi tocar no aniversário da moça. Junto de seus amigos, o malandro 
comenta sobre a formosura da filha do carteiro. 
IV. É o dia da festa de aniversário de Clara. Cassi olha gulosamente para o corpo de Clara e 
canta modinhas revirando os olhos para paquerá-la. Marramaque, percebendo as 
investidas do malandro, declama um poema que insinuava injúrias olhando para o 
músico. Estava selada a antipatia entre os dois. 
V. Cassi vai fazer uma visita a Joaquim dos Anjos e os pais de clara o recebem 
desgostosos. Em seguida, decidem que o violeiro não deve voltar à casa. A menina, 
entretanto, embarcou na ilusão de ter um caso amoroso, ela queria encontrar um amor 
que a tirasse daquela vida doméstica e fica contrariada com a postura dos pais e dos 
amigos. Deixou-se levar pelas fantasias de amor e casamento e não acreditou nos 
rumores negativos sobre Cassi, devido ao romantismo exacerbado. O doutor Meneses, 
dentista, vai até a venda do bairro à procura do poeta Leonardo Flores e fica sabendo 
que alguém está juntando provas contra Cassi Jones, denúncias precisas, com datas e 
provas das barbáries do malandro. 
VI. Cassi pensa nos motivos para a antipatia dos pais de Clara e vai até a casa de Lafões 
para descobrir de quem Joaquim era amigo e qual amigo estava falando mal dele. 
Descobriu que Marramaque queria se intrometer nos seus planos de possuir Clara (seu 
único desejo era a posse, desprezava suas vítimas). Cassi descobre sobre o dossiê com 
seus crimes que andam distribuindo pela cidade e começa a planejar sua fuga