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focaliza um dos problemas da 
literatura: os limites entre o real e o ficcional. Sobre esses dois territórios – o real e o ficcional –, 
considere as proposições abaixo, com base no raciocínio que o autor desenvolve no texto. 
I. Existe, para qualquer pessoa, clara demarcação entre realidade e ficção. 
II. O trabalho dos escritores de ficção situa-se no território da fantasia. 
III. O real está fora das preocupações do escritor. 
É correto o que se declara: 
a) apenas em I e II 
b) apenas em III 
c) em I, II e III 
d) apenas em II 
e) apenas em I 
2) Indique a opção em que se traduz corretamente o que Moacyr Scliar denomina de 
verdadeira aventura. 
a) Escrever textos puramente ficcionais, ou seja, literários. 
b) Criar um texto ficcional, partindo de uma notícia de jornal. 
c) Escrever sistematicamente para o jornal Folha de São Paulo. 
d) Escrever textos jornalísticos, isto é, textos não ficcionais. 
e) Escrever textos que prendam a atenção do leitor. 
GABARITO 
1) D 2) B 
ELES NÃO USAM BLACK-TIE 
GIANFRANCESCO GUARNIERI 
 
 
Sobre o autor: Gianfrancesco Sigfrido Benedetto Martinenghi de Guarnieri (1934-2006), nasceu em 
Milão (Itália). A família, fugindo do fascismo de Benito Mussolini (1883-1945), se muda para o Rio de 
Janeiro, quando Gianfrancesco tinha dois anos de idade. Aos 21 anos, mudou-se para São Paulo, onde, com 
o dramaturgo Oduvaldo Viana Filho (1936-1974), fundou o Teatro Paulista do Estudante, que em seguida 
iria se unir ao Teatro de Arena, conhecido por ser um polo de resistência cultural durante a ditadura militar 
no Brasil (1964-1989). Guarnieri atuou em dezenas de novelas, filmes e escreveu ao menos 23 peças 
teatrais. Faleceu em 2006 por complicações renais. 
Movimento literário: produção contemporânea. O teatro no Brasil, teve início no século XIX, mas 
foi em meados do século XX que a dramaturgia brasileira começou a se destacar de fato. Assim, o termo 
contemporâneo em teatro se inicia com Nelson Rodrigues, com Vestido de noiva (1943). 
 
Personagens 
TIÃO - Um jovem bonito, criado na cidade pelos padrinhos, viveu longe do morro e de seus pais por 
decorrência das prisões de seu pai, um operário que era detido por conta das greves feitas. Tião também 
se tornou operário e trabalhava na mesma fábrica que o pai, mas não concordava com o movimento 
(assumia isso abertamente) e foi taxado como “fura greve”; 
 OTÁVIO - Pai de Tião, revolucionário e grevista. Um homem que já foi preso durante manifestações na 
greve e se culpa por ter um filho que não concorda com o movimento operário. 
 ROMANA - Mãe de Tião e esposa de Otávio. Zelosa com o lar e família. Uma mulher forte que equilibra 
as tensões com a família. 
 MARIA - Noiva de Tião. Uma moça que cresceu no morro e gosta muito das pessoas que moram lá. Logo 
no início da obra, conta que está grávida de Tião e os dois engatam um noivado. 
 JOÃO - Irmão de Maria que se coloca ao lado de Tião quando este fura a greve, traindo seu pai. 
CHIQUINHO - Irmão de Tião, um adolescente que trabalha na venda do bairro e é apaixonado por 
Terezinha. 
TEREZINHA - Namorada de Chiquinho, também adolescente, que está sempre na casa da família e 
participa de todas as ocasiões importantes. 
 BRÁULIO - Amigo de Otávio que está sempre o apoiando na organização das greves. 
 JESUÍNO - Operário, trabalhador da mesma fábrica de Tião, Otávio e Bráulio. Foi convencido pelos chefes 
a se infiltrar no movimento operário e falar quem são os trabalhadores que participam. Trai os colegas, age 
com frieza e é covarde para admitir que trai os outros operários. 
SOBRE A OBRA: A peça se inicia com Maria e Tião conversando, trocando juras de amor. Namorados, 
ela está grávida e decidem se casar o quanto antes, para evitarem a conversa alheia. Há, nesse momento 
uma preocupação com as questões morais. Como se uma mulher não pudesse ter relações e um filho fora 
do casamento. Tião e o pai, Otávio, trabalhavam em uma metalúrgica. O pai sempre estivera à frente da 
luta pelos operários, por melhores salários e condições de trabalho. Em meio ao noivado de Tião, há um 
contexto de deflagração de uma nova greve. Tião, de sua parte, fica com medo de perder o emprego, pois 
 
 
agora tem uma família para zelar. Seus temores aumentam quando três operários são previamente presos 
acusados de tumulto à ordem social, por estimularem a greve. Então, no dia marcado para o início do 
movimento, há um confronto. Tudo isso é relatado pelos personagens, ou seja, não há na peça cenas que 
ilustram tais episódios. O que mais importa é o espectador saber o que pensam os personagens. 
Nesse dia, Tião se dirige ao trabalho antes do pai. Ao final do dia, retorna e é questionado pela mãe, 
Romana, e por Maria sobre o que se passara na fábrica. Tião informa que foi tudo bem, que do total de 
trabalhadores, dezoito haviam furado o movimento e entrado para trabalhar. Ele era um desses dezoito, 
pois recebera a garantia do emprego, além de um bônus por ter furado a greve. Se isso representava, para 
ele, algo positivo, aos demais membros de sua família e amigos, isso era um problema. Otávio, de sua 
parte, fora preso juntamente com outros trabalhadores. Romana, logo que soube da prisão, desce para a 
delegacia com outras pessoas para libertá-los. 
A partir disso, Tião fica malvisto por todos, inclusive por Maria, que por ser apegada ao morro e sentir que 
ali era seu lugar fica contraria a posição dele, decidindo por não o acompanhar na cidade. 
Otávio já em casa conversa com o filho e acreditando que ele deveria ter lutado ao seu lado pelos 
trabalhadores, expulsa-o. Romana, nesse caso, entende as justificativas de ambos e acaba por não tomar 
nenhum partido. A peça termina com Chiquinho (irmão mais novo de Tião) ouvindo Nóis não usa os bleque 
tais, de Juvêncio, um sambista do morro, suposto autor do samba, que seria, na verdade, 
de Adoniran Barbosa. 
QUESTÕES 
1) (UFPR) Eles não usam black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri, texto encenado pela primeira vez em 
1958 e posteriormente adaptado para o cinema, trata da luta de classes no cenário urbano do Rio de 
Janeiro. Sobre essa obra, é correto afirmar: 
 a) O emprego da língua portuguesa em seu padrão culto nas falas dos operários atende a uma exigência 
própria da literatura e do teatro produzidos em meados do século XX. 
 b) Prevalece na peça uma visão conciliatória já que, influenciados por Tião, no terceiro ato os moradores 
do morro abandonam suas principais reivindicações. 
 c) O conflito que está no centro da ação dramática é motivado pelas diferentes opções que as 
personagens assumem perante uma greve. 
d) As personagens femininas não participam das decisões familiares nem têm opinião política, 
comportamento típico do patriarcalismo vigente naquele período histórico. 
 e) O sucesso do samba “Nós não usa black-tie” resultou em uma surpreendente ascensão socioeconômica 
para seu compositor, Juvêncio. 
2) (Positivo) A respeito de Eles não usam black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri, assinale a alternativa 
correta. 
 a) O autor da peça, que era ator, enfatizou a importância das carreiras artísticas – cinema, música – como 
meio seguro para atingir melhores condições financeiras. 
 b) Enquanto outros textos encenados pelo Teatro de Arena caracterizavam-se pelo nacionalismo, Eles não 
usam black-tie afastou-se dessa tendência, por abordar a influência da cultura norte-americana no Brasil. 
 
 
 c) Os quadros que mostram a oposição entre Otávio e seu filho Tião acontecem na fábrica, para contrastar 
com cenas mais amenas, vividas no cenário doméstico do barraco. 
d) A postura realista e a coragem de Romana são responsáveis pela manutenção da união familiar, 
ameaçada apenas pela postura conflitante de Tião, que é contra a greve. 
 e) Ao dançar gafieira e executar os sambas produzidos no morro, as personagens percebem a fragilidade 
de suas convicções em relação à luta por melhores condições de trabalho. 
 3) (UFCG) Julgue