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AULA 3

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da economia. Caracterizada como um 
instrumento da contabilidade social, auxilia na identificação das potências 
econômicas locais, regionais, nacionais e internacionais e permite ao gestor do 
Estado observar, além do ritmo produtivo, as possibilidades para investimentos 
e parcerias visando a que produtos locais ou regionais se expandam conforme 
as demandas e possibilidades produtivas locais e regionais (recursos humanos 
e materiais para produção). Para Carvalheiro (1998, p. 140-141): 
O uso da matriz de insumo-produto difundiu-se muito nos últimos anos, 
e hoje ela é considerada um instrumento de grande utilidade para 
analisar os efeitos estruturais de choques na economia (tais como 
mudanças no preço do petróleo, alterações em tarifas, aumentos de 
salários ou variações na taxa de câmbio, por exemplo), bem como para 
fazer projeções sobre o comportamento da atividade econômica. 
Abordagens mais modernas, possibilitadas pelo avanço de técnicas 
computacionais, envolvem os chamados modelos de equilíbrio geral 
computável, envolvendo sistemas de equações simultâneas e métodos 
não lineares de estimação de parâmetros, com a finalidade de simular 
efeitos de mudanças nas políticas econômicas. O uso dos dados da 
matriz de insumo-produto permite, em conjunto com outras estimativas, 
capturar as interações entre os diversos agentes econômicos, 
simulando o comportamento de uma economia de mercado (p. 140-
141). 
O desenvolvimento econômico local é executado pela ação privada e 
também pública. O gestor público é um dos responsáveis por mensurar e 
identificar demandas e potências dentro da localidade e como essas potências 
deverão ser incentivadas e organizadas no mercado regional, nacional ou 
internacional. 
 
 
6 
A matriz hoje é utilizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada 
(Ipea)7 para a melhoria da integração produtiva brasileira e também sul-
americana. Uma questão muito importante no emprego dela é a capacidade de 
verificação de propriedades sistêmicas na área de estudo. É possível, com base 
nesses estudos, monitorar dependência, independência de produção, hierarquia 
e circulação entre setores, no plano macro e também no micro, verificando, nas 
localidades, potências e demandas de produtos e serviços locais, estimulando o 
desenvolvimento econômico com base nas necessidades locais, mas também 
aproveitando e estimulando a produção local, conectando-a no plano regional, 
nacional ou mesmo internacional. 
TEMA 5 – GRUPOS DE INTERESSE E OS STAKEHOLDERS 
Muitos termos são utilizados em diversas teorias políticas; porém, com a 
popularização da internet, diversas palavras traduzidas de outros idiomas são 
incorporadas ao repertório de diálogos sobre políticas públicas. 
A teoria dos grupos de interesse defende que grupos com identidades ou 
necessidades próximas tendem a se reunir para reivindicar aos órgãos públicos. 
Isso os leva a aumentar sua importância social e, por consequência, sua 
influência política. 
Na área privada, quando tratamos de projetos específicos, existe um 
conjunto de pessoas de interesse que podem ser representadas com a 
nomenclatura stakeholders8, conforme encontramos na obra Strategic 
management: a stakeholder approach, de Robert Edward Freeman. Nesse livro, 
o conceito está vinculado ao planejamento estratégico de negócios das 
empresas, pois os stakeholders são as “partes interessadas” em um projeto, 
ação ou similar que podem afetá-los de forma positiva ou negativa. 
Mesmo que, em diferentes autores, possam ambos os conceitos estar de 
certa forma distantes, podemos encontrar na bibliografia sobre Administração 
Pública no Brasil encontros e conexões possíveis. Tanto na área pública como 
na área privada, existem indivíduos e/ou grupos de pessoas que interagem 
 
7 Sugerimos como leitura complementar a análise da matriz insumo-produto sul-americana, 
disponível em: 
<http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=32421&Itemid=
343>. Acesso em: 28 set. 2019. 
8 O termo pode ser traduzido também do inglês como “partes interessadas”. 
 
 
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diretamente com projetos e políticas, por serem parte integrante ou interessada 
(por vezes os dois papéis) destes. 
No mundo privado, é possível compreender o desenvolvimento da análise 
dos stakeholders. Barbi ([s.d.]) resume a avaliação em quatro etapas: determinar 
quem pode afetar o projeto; identificar os pontos de contato entre os 
interessados; identificar como cada interessado pode ajudar ou atrapalhar o 
projeto; quantificar os graus de influência/poder e interesse de cada envolvido. 
Tais etapas ajudam o gestor a “mapear” indivíduos, criando uma tabela de 
possibilidades e tendências, de acordo com interesses e relações. 
NA PRÁTICA 
Para cada tema, uma situação prática pode auxiliar no entendimento do 
conteúdo ou mesmo na sua função social. Como primeiro exemplo, é necessário 
que você avalie, em dada gestão (exemplo: município, Estado ou Governo 
Federal), a forma pela qual o gestor de uma área ou o executivo entendem o 
Estado como instituição. Essa percepção auxiliará na compreensão de 
programas e ações públicas e como esse gestor espera, com base em sua visão 
de Estado, que essas políticas se desenvolvam. Por exemplo, você pode fazer 
uma análise da sua prefeitura nos seguintes termos: como o chefe do Executivo 
entende o conceito de Estado como instituição pública? 
Da mesma forma, é importante verificar as reformas do Estado nas 
instituições e os grupos de influência. 
Em uma perspectiva de gestão que pensa em uma sociedade globalizada, 
é necessário verificar em seu município como estão sendo tratadas as metas do 
milênio, ou seja, como seu município ou Estado está engajado na Agenda 2030. 
FINALIZANDO 
Esta aula foi organizada em cinco temas. O primeiro apresentou o 
conceito de Estado na perspectiva de alguns autores clássicos de diversas 
áreas. O segundo tema discutiu as reformas do Estado, considerando como 
critério as alterações de visão macroeconômicas que influenciaram e influenciam 
a organização do Estado e sua relação com outras instituições e a sociedade. 
O terceiro tema dedicou-se a tratar das metas do milênio da Organização 
das Nações Unidas (ONU) e a relação delas com a Administração Pública. O 
 
 
8 
quarto apresentou a matriz insumo-produto como instrumento de análise 
econômica e desenvolvimento social. Por fim, o quinto tema introduziu o conceito 
de stakeholder e suas possibilidades dentro da gestão pública. 
 
 
 
9 
REFERÊNCIAS 
BARBI, F. Análise dos stakeholders. Gestão de Projeto. [S.d.]. Disponível em: 
<http://www.gestaodeprojeto.info/analise-dos-stakeholders>. Acesso em: 28 set. 
2019. 
CARVALHEIRO, N. Observações sobre a elaboração da matriz de insumo-
produto. Revista Pesquisa & Debate, São Paulo, v. 9, n. 2, p.139-157, 1998. 
QUEIROZ, R. B. Formação e gestão de políticas públicas. Curitiba: 
Intersaberes, 2012.

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