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livro Anatomorfofisiologia do Sistema digestório, endócrino, urinário e reprodutor

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peristálticos que já citamos — e que ocorrem em todo o sistema digestório —, um 
outro tipo de contração intensa também pode ocorrer: a chamada contração de 
fome, que ocorre, geralmente, quando o estômago fica vazio por muito tempo 
(várias horas) (GUYTON; HALL, 2017).
Estas contrações são peristálticas rítmicas e ocorrem no corpo do estômago. 
Normalmente estas contrações são mais intensas em indivíduos jovens, sadios e 
com tônus gastrointestinal elevado e podem aumentar quando a pessoa apresenta 
níveis glicêmicos (açúcar sanguíneo) abaixo dos valores normais. Algumas 
vezes, nestas contrações, a pessoa apresenta leve a moderada dor epigástrica, 
denominadas pontadas de fome. Estas pontadas não são observadas entre 12 a 24 
horas após o indivíduo se alimentar, só sendo verificadas em períodos de jejum 
(GUYTON; HALL, 2017).
 
Agora você deve estar imaginando, “pronto, o estômago com seu pH 
extremamente ácido inicia o processo de digestão do quimo”, certo? Errado! 
A digestão do quimo no estômago é quase nula, pois, para que ocorra o 
processo de digestão, necessitaremos da participação de vária enzimas que serão 
discutidas adiante. Entretanto, vale ressaltar que enzimas, com raras exceções, 
somente são ativas em pH ideal, ou seja, em pH próximo da neutralidade, o que 
não ocorre no estômago. Assim, apenas uma pequena parte do processo digestivo 
ocorrerá no estômago (FOX, 2007).
Podemos considerar como uma exceção o pepsinogênio — forma inativa 
de enzima pepsina — que será ativado justamente em meio ácido e, assim, 
iniciará o processo de digestão proteica (FOX, 2007), este processo será abordado 
futuramente.
Vamos continuar acompanhando o processo de chegada do quimo ao 
intestino. Para isso, faz-se necessário o esvaziamento do estômago e, novamente, 
as contrações peristálticas serão responsáveis por este processo, principalmente 
com estas contrações peristálticas acontecendo no antro gástrico. A velocidade de 
esvaziamento gástrico pode acontecer em graus variados, pois é dependente da 
resistência da passagem do quimo pelo piloro (GUYTON; HALL, 2017).
Didaticamente, podemos dividir o estômago em duas porções a fim de 
entender mais claramente o processo de esvaziamento gástrico: a porção proximal 
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e assim chamada por ser de localização mais craniana e a porção distal que possui 
localização mais distante da boca. 
O esfíncter esofágico inferior (EEI) e a cárdia (região que circunda o EEI) 
possuem importantes funções neste processo. Quando ambos relaxam, ocorre 
a entrada do alimento no estômago, já a parte proximal do estômago, ou seja, 
o fundo e o corpo, são capazes de promover lentas variações de tônus, o que 
permite que estas regiões recebam e armazenem o alimento, sendo assim, capazes 
de misturá-lo com o suco gástrico possibilitando direcionar o alimento ao piloro 
(BERNE; LEVY, 2009).
Desta forma, a geração de tônus no que denominamos região proximal do 
estômago é muito importante no processo de esvaziamento gástrico, pois baixo 
tônus nessa região determina baixa pressão intragástrica e, consequentemente, 
redução na velocidade de esvaziamento gástrico (BERNE; LEVY, 2009).
A porção distal do estômago atua de maneira muito importante, tanto 
ao misturar o conteúdo gástrico, quanto para gerar a propulsão deste conteúdo 
pelo piloro em direção ao duodeno. As contrações peristálticas iniciam-se pelo 
meio do estômago e se direcionam em relação ao piloro e são fundamentais 
para o esvaziamento gástrico. O esfíncter pilórico é a junção do estômago com 
o duodeno (junção gastroduodenal). Esta região é uma área de alta pressão e de 
extrema importância para a regulação do esvaziamento gástrico.
Como será que o esvaziamento do estômago é regulado? Existem fatores 
que regulam e orientam este esvaziamento do quimo em direção ao intestino? 
Como isso ocorre? Vamos ver como esse processo se dá, detalhadamente.
Primeiramente, é sabido que a velocidade e a intensidade com que ocorre 
o esvaziamento do conteúdo estomacal é regulada por sinais provenientes tanto 
do duodeno quanto do estômago, entretanto, devemos ressaltar que os sinais 
provenientes do duodeno são bem mais fortes e, consequentemente, controlam 
de maneira mais efetiva a velocidade com que o quimo pode ser absorvido e 
digerido no intestino delgado (duodeno) (GUYTON; HALL, 2017).
Podemos citar, entre os fatores gástricos que promovem o esvaziamento, 
o efeito do volume alimentar gástrico e o efeito do hormônio gastrina (secretado 
pelo estômago) neste processo.
Já com relação aos fatores duodenais associados ao esvaziamento gástrico, 
podemos citar os efeitos inibitórios dos reflexos enterogástricos que possuem 
origem duodenal. Além destes, também podemos citar o feedback hormonal do 
duodeno, associado às gorduras (lipídios) e ao hormônio colecistocinina (CCK), 
estes mecanismos serão abordados mais claramente posteriormente.
Pronto! Finalmente o estômago esvaziou o seu conteúdo (quimo) no 
intestino delgado e assim será continuado o processo de digestão.
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Vale lembrar que a maior parte da digestão e absorção dos nutrientes 
ocorre no intestino delgado, logo, esta estrutura é fundamental à nossa vida. 
Embora seja possível a ocorrência de ressecções em parte do intestino delgado, 
cirurgias que comprometem drasticamente a área de absorção deste órgão são 
incompatíveis com a vida. 
O intestino delgado é composto por três partes: duodeno, jejuno e íleo. O 
duodeno possui localização retroperitoneal, ou seja, encontra-se atrás do peritônio, 
enquanto o jejuno e o íleo são estruturas envoltas pelo peritônio e encontram-
se presas pelo mesentério, a porção posterior do abdome. O comprimento do 
intestino delgado é de aproximadamente 3m no indivíduo vivo, mudando para 
aproximadamente 6m após a morte, em função da perda do tônus da musculatura 
lisa (TORTORA; DERRICKSON, 2016).
Uma vez que o quimo chegou ao intestino delgado, ele deve seguir seu 
caminho em direção ao intestino grosso para posterior eliminação dos restos não 
absorvíveis (fezes). Os movimentos peristálticos, assim como no restante do tubo 
digestório, seguem no intestino delgado, o quimo é impulsionado no intestino 
delgado por meio de ondas peristálticas que ocorrem em qualquer parte desta 
porção do intestino, e são ondas que se movem a velocidades lentas entre 0,5 a 
2cm/s (GUYTON; HALL, 2017).
Estas ondas peristálticas são fracas e costumam cessar depois de percorrer 
uma distância de 3 a 5cm. Isto faz com que o quimo demore muito tempo para 
percorrer o intestino delgado, logo, o tempo necessário para o quimo percorrer 
todo o intestino delgado, ou seja, do piloro até a válvula ileocecal e entrar no 
intestino grosso, é de 3 a 5h (GUYTON; HALL, 2017).
DICAS
Vamos observar como acontece o peristaltismo intestinal in vivo? Acesse o 
vídeo pelo endereço http://bit.ly/2Ppa2h8 e observe o peristaltismo intestinal durante uma 
cirurgia!
Vale lembrar que o peristaltismo no intestino delgado é aumentado após 
as refeições. Isto é devido a uma série de fatores, tais como a entrada do quimo no 
duodeno, o que leva a distensão da parede do duodeno, ao reflexo gastroentérico 
ocasionado pela distensão estomacal, além de uma série de hormônios que 
modificam esta atividade peristáltica, como a gastrina, a colecistocinina (CCK), a 
insulina e o neurotransmissor serotonina (GUYTON; HALL, 2017).
Estes hormônios e a serotonina, são capazes de intensificar a motilidade 
gastrointestinal e são secretados durante o processo de passagem do alimento 
pelo tubo digestório, assim como os hormônios secretina e glucagon que são 
capazes de inibir a motilidade do intestino delgado (GUYTON; HALL, 2017).
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Alguns destes hormônios serão discutidos posteriormente no decorrer do 
livro. 
O objetivo do peristaltismo não está somente em levar o quimo em direção 
ao intestino grosso (ceco), mas, também, possibilitar a distribuição do quimo

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