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livro Anatomorfofisiologia do Sistema digestório, endócrino, urinário e reprodutor

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todo o intestino, sendo que o peristaltismo se torna mais intenso à medida que 
chega mais quimo ao duodeno (GUYTON; HALL, 2017).
Como citado anteriormente, a maior parte da digestão de nutrientes 
ocorre no intestino delgado. Mas como isso efetivamente ocorre? Existem células 
especializadas neste processo absortivo? Existem, sim! São as células do epitélio 
intestinal que sofreram adaptações morfofuncionais e somente são encontradas 
no intestino delgado. Vimos estas adaptações das células do intestino delgado no 
tópico anterior, estas adaptações são denominadas microvilosidades.
Estas microvilosidades são capazes de promover, de maneira significativa 
o aumento da absorção de nutrientes em virtude do aumento da área absortiva e 
do número de células.
Você já ouviu falar em doença celíaca ou espru celíaco ou ainda enteropatia 
sensível ao glúten? 
Esta doença é uma enteropatia (doença dos enterócitos ou células epiteliais especializadas) 
ocasionada por alterações imunológicas do indivíduo e desencadeada pela ingestão de 
cereais que contém glúten, tais como trigo, centeio ou cevada, por indivíduos que são 
geneticamente dispostos a essa doença (KUMAR et al., 2010). Em países onde a maioria da 
população é caucasiana e de ascendência europeia, esta doença pode ser relativamente 
comum, com uma prevalência variando entre 0,5 – 1% nesta população. As figuras a seguir 
mostram a atrofia das microvilosidades intestinais que podem aparecer nesta doença, 
prejudicando intensamente a absorção de nutrientes pelos indivíduos acometidos por ela.
FIGURA – ATROFIA SUBTOTAL DE VILOSIDADES
ATENCAO
FONTE:<http://bit.ly/2YQi3zY>. Acesso em: 16 jul. 2019.
TÓPICO 2 | FISIOLOGIA DO SISTEMA DIGESTÓRIO
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FIGURA – VILOSIDADES NORMAIS EM PACIENTE APÓS 4 SEMANAS DE DIETA LIVRE DE 
GLÚTEN
FONTE: < http://bit.ly/2YYW36g>. Acesso em: 16 jul. 2019.
Agora, o quimo segue seu caminho em direção ao intestino grosso.
As principais funções do intestino grosso consistem na absorção de água e 
de eletrólitos do quimo, visando a formação de fezes sólidas, além do armazena-
mento deste material fecal até que ele possa ser expelido (GUYTON; HALL, 2017).
Neste processo de absorção de água e eletrólitos (5 a 8 litros diários apro-
ximadamente) ocorre, ainda, concomitantemente à secreção de muco e bicarbo-
nato. O objetivo desta secreção é, através de movimentos de mistura chamados 
de haustrações e movimentos peristálticos, misturar o muco e o bicarbonato aos 
restos de alimentos não absorvidos, tornando uma massa pastosa para, assim, 
facilitar a eliminação desta pelas das fezes (GUYTON; HALL, 2017).
Reflexos denominados gastrocólicos e duodenocólicos estão envolvidos 
no surgimento dos movimentos peristálticos do intestino grosso, também deno-
minados movimentos de massa. Estes reflexos, como o próprio nome sugere, são 
decorrentes da distensão tanto do estômago quanto do duodeno em decorrência 
da passagem do alimento (GUYTON; HALL, 2017).
Por fim, inicia-se o processo final da alimentação, que corresponde a de-
fecação, que nada mais é do que a expulsão dos restos alimentares não digeridos 
UNIDADE 1 | SISTEMA DIGESTÓRIO
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e, consequentemente, não absorvidos. Entretanto, as fezes não são somente cons-
tituídas por estes restos alimentares, mas também por bactérias, sais inorgânicos, 
células do epitélio intestinal descamadas (mortas), além de celulose, lipídios e 
proteínas.
De maneira geral os movimentos de massa não são capazes de provocar ne-
nhuma sensação associada à defecação; entretanto, a chegada de um determinado 
volume de fezes ao reto produz a sua distensão, o que provoca a necessidade de 
defecar. A presença dos esfíncteres anais, interno e externo, é capaz de promover o 
mecanismo de controle da defecação. O esfíncter interno do ânus não está sob con-
trole do indivíduo, ou seja, é involuntário, enquanto o esfíncter externo encontra-se 
sob controle voluntário do indivíduo (CINGOLANI; HOUSSAY, 2011).
Patologias que afetam o esfíncter externo podem ocasionar incontinência 
fecal, tais como lesão cirúrgica ou obstétrica, prolapso retal ou até mesmo doen-
ças capazes de causar danos aos nervos sensoriais e motores, como a neuropatia 
diabética, por exemplo (BERNE; LEVY, 2009).
Finalmente, acompanhamos todo o percurso daquele “prato de macar-
rão” citado no início do tópico por nosso sistema digestório, aproveitando o que 
deveria ser aproveitado e eliminando o que não foi absorvido. Agora, no próximo 
tópico desta unidade, vamos observar mais de perto como ocorrem os processos 
bioquímicos e enzimáticos envolvidos na digestão e absorção de nutrientes.
Antes, vamos ver um pouco mais do que a ciência tem recentemente pes-
quisado. Você já leu ou ouviu falar sobre o transplante de fezes? Parece nojento 
à primeira vista, não é? Mas novas pesquisas têm demonstrado que esta técnica 
pode ser promissora para o tratamento de diversas doenças!
IMPORTANT
E
O transplante de fezes, apesar de não parecer muito convidativo inicialmente, 
parece ter um futuro promissor no tratamento de doenças do trato gastrointestinal, 
principalmente, mas esta técnica polêmica, também poderá ser utilizada no tratamento de 
doenças, como esclerose múltipla, doença de Crohn e, até mesmo, doença de Parkinson! 
Separamos duas reportagens que se encontram nos links a seguir para que você possa ler 
um pouco mais sobre como é feito e o que promete este transplante. 
http://bit.ly/2Z3o2N6
http://bit.ly/2Z7wK0Z
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RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• Movimentos peristálticos são extremamente importantes para a condução do 
alimento pelo sistema digestório.
• Esfíncteres esofágicos desempenham importantes funções para o 
direcionamento do alimento no sistema digestório.
• O estômago exerce importantes funções fisiológicas e bioquímicas.
• Movimentos peristálticos e a manutenção do tônus gástricos são extremamente 
importantes no processo de esvaziamento gástrico.
• Reflexos enterogástricos possuem importante participação no esvaziamento 
gástrico.
• Microvilosidades são fundamentais no processo de absorção de nutrientes pelo 
intestino delgado.
• O intestino grosso participa fundamentalmente do processo de absorção de 
água e eletrólitos e da formação das fezes.
• O mecanismo de controle de defecação está associado aos esfíncteres anais 
interno e externo.
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1 Analise a afirmativa e a justificativa da sentença a seguir:
 Movimentos peristálticos são movimentos coordenados e exclusivos da 
musculatura esquelética fazendo com que o bolo alimentar seja impulsionado 
por todo o tubo esofágico em direção ao estômago, POIS estes movimentos 
ocorrem em decorrência da contração da musculatura esofágica posterior 
ao bolo alimentar, o que faz com que o mesmo seja empurrado adiante.
 Com base na sentença anterior, responda:
a) ( ) Afirmativa e justificativa estão corretas.
b) ( ) Afirmativa está correta e justificativa está errada.
c) ( ) Afirmativa e justificativa estão erradas.
d) ( ) Afirmativa está errada e justificativa está correta.
e) ( ) Afirmativa e justificativa não possuem nenhuma correlação entre si.
2 O estômago, apesar de possuir um pH extremamente baixo, o que 
impossibilita as ações de enzimas digestivas (com exceção da pepsina), 
que devem possuir pH ótimo (neutro) para desenvolver a sua ação, possui 
diversas outras funções que visam facilitar o processo de digestão e absorção 
de nutrientes. Com relação às funções do estômago, assinale a alternativa 
correta:
a) ( ) Secreção do hormônio colecistocinina (CCK).
b) ( ) Secreção de Vitamina B12.
c) ( ) Secreção de H+.
d) ( ) Reabsorção de água.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
3 É sabido que fatores provenientes tanto do estômago quanto do duodeno 
são capazes de promover a regulação da velocidade de esvaziamento 
gástrico. Com base nestas informações, relacione as colunas, assinalando, 
posteriormente, a alternativa correta:
I- Fatores gástricos. 
II- Fatores intestinais. 
( ) Gastrina.
( ) CCK.
( ) Volume

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