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Trauma Musculoesquelético

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de lesão neurológica e de trauma muscular podem exigir a amputação.
O doente portador de lesões múltiplas, que necessita de reanimação intensiva e de intervenção cirúrgica de urgência, não é candidato para reimplante.
A parte amputada deve ser lavada meticulosamente com solução isotônica (Ringer lactato) e envolta em gaze estéril embebida de solução aquosa de penicilina (100.000 unidades em 50mL). Depois, a parte amputada é envolta em toalha estéril, umedecida de maneira similar, colocada em saco plástico e transportada, com o doente, em caixa de isopor contendo gelo picado (deve-se tomar cuidado para não congelar a parte amputada).
5.3 Síndrome Compartimental
Desenvolve-se quando a pressão no compartimento ósteo-fascial do músculo é suficiente para produzir isquemia e necrose subsequente.
Perna, antebraço, pé, mão, região glútea e coxa são os mais frequentes.
Os resultados finais da síndrome compartimental não diagnosticada são catastróficos e incluem défice neurológico, necrose muscular, contratura isquêmica, infecção, consolidação lentificada de fratura e possível amputação.
Situações de alto risco:
· Fratura de tíbia e de antebraço
· Lesões imobilizadas com curativos ou aparelhos gessados apertados
· Lesões com esmagamento importante de músculo
· Compressão externa prolongada sobre a extremidade
· Aumento de permeabilidade capilar no compartimento por reperfusão de músculo isquêmico
· Queimaduras
· Exercício excessivo
Sinais e sintomas:
· Dor mais intensa do que a esperada e desproporcional ao estímulo
· Edema tenso da região comprometida
· Assimetria dos compartimentos musculares
· Dor ao estiramento passivo da musculatura afetada
· Alteração de sensibilidade
A ausência de pulso distal palpável não é achado comum e não deve ser valorizada para o estabelecimento de diagnóstico de síndrome compartimental.
Défice motor ou paralisia dos músculos envolvidos e desaparecimento dos pulsos do membro comprometido (porque a pressão compartimental excede a pressão sistólica) são sinais tardios de síndrome compartimental.
A medida da pressão intra compartimental auxilia no diagnóstico, se a pressão tecidual for superior a 30 ou 45mmHg, pode ocorrer diminuição do fluxo sanguíneo capilar capaz de provocar lesão anóxia ao músculo e ao nervo.
Todos os curativos, os aparelhos gessados e os dispositivos de imobilização aplicados sobre a extremidade comprometida devem ser soltos.
Pode ser realizada uma fasciotomia descompressiva.
O retardo na realização da fasciotomia pode resultar em mioglobinúria que, por sua vez, pode produzir insuficiência renal.
5.4 Lesão Neurológica Secundária à Fratura Luxação
Uma fratura ou uma luxação podem causar lesão neurológica significativa devido à relação anatômica ou à proximidade do nervo com a articulação.
Em qualquer doente portador de lesão músculo-esquelética, é essencial o exame minucioso do sistema neurológico.
A extremidade lesada deve ser imobilizada na posição luxada.
Depois da redução, a função neurológica deve ser reavaliada e o membro imobilizado
6. OUTRAS LESÕES DE MEMBROS
6.1 Lesões Articulares
As lesões articulares que não resultam em luxação, usualmente não comprometem a vitalidade do membro. Entretanto, tais lesões articulares podem comprometer a função do membro.
É demonstrado hiperestesia ao longo dos ligamentos comprometidos, hemartrose, movimentação passiva da articulação revelando instabilidade.
A radiografia pode permitir a identificação de pequenas fraturas de avulsão nos pontos onde os ligamentos se inserem ou se originam.
Essas articulações devem ser imobilizadas.
6.2 Fraturas
Podem estar associadas a mobilidade anormal, alguma forma de lesão de partes moles, crepitação e dor.
Demonstra dor, edema, deformação, hiperestesia, crepitação e mobilidade anormal no local da fratura.
A presença de edema, sensibilidade e deformação é suficiente para confirmar fratura.
As radiografias do provável foco de fratura devem incluir as articulações proximais e distais, a fim de excluir luxações ocultas e outras lesões concomitantes.
Após a imobilização, o estado neurológico e vascular do membro deve ser reavaliado.
7. PRINCÍPIOS DE IMOBILIZAÇÃO
A menos que estejam associadas a lesões que ponham em risco a vida do doente, as lesões de extremidades podem ser imobilizadas durante a avaliação secundária.
É obrigatório que se avalie o estado neurovascular do membro após a utilização de talas ou o realinhamento de fraturas.
O PASG não é recomendado para a extremidade inferior. Entretanto, pode ser utilizado temporariamente quando há hemorragia, com risco de vida, secundária a lesões pélvicas ou no caso de traumatismos graves de extremidade inferior associados a lesões de partes moles.
Em doentes hipotensos, se prolongada (>2 horas), a inflação dos componentes da perna pode causar síndrome compartimental.
A prancha longa costuma permitir a imobilização total do corpo da vítima. Entretanto, sua superfície, dura e não acolchoada, pode causar úlceras de pressão na região da protuberância occipital e a nível das escápulas, do sacro e dos calcanhares do doente.
Para facilitar a transferência, pode-se usar a padiola articulada (“scoop-style stretcher”) ou a manobra de rolamento lateral do doente, em bloco.
As fraturas do fêmur podem ser imobilizadas temporariamente com tala de tração.
Uma forma simples de imobilizar o membro inferior é enfaixando-o ao membro contralateral.
A perna não deve ser imobilizada em extensão completa, para imobilizar o joelho, mas permanecer em flexão de 10º aproximadamente, a fim de diminuir o estiramento das estruturas neurovasculares.
Talas em forma de goteira, longas e bem acolchoadas, feitas com papelão ou metal imobilizam fraturas de tíbia.
Fraturas de tornozelo podem ser imobilizadas com o uso de talas de papelão.
A mão pode ser imobilizada temporariamente em posição anatômica e funcional com o punho em ligeira flexão dorsal e os dedos gentilmente fletidos, em 45º, a nível das articulações metacarpo-falangeanas. Essa posição pode ser obtida através da imobilização delicada da mão sobre rolo grande de gaze, utilizando-se pequena tala de antebraço.
O antebraço e o punho são imobilizados estendidos sobre talas acolchoadas. O cotovelo é imobilizado em posição fletida, utilizando-se talas acolchoadas ou imobilizando-o contra o corpo, por meio de tipóia e de bandagens.
Lesões do ombro são tratadas com tipóia e faixas ou por curativo feito à moda de Velpeau.
8. CONTROLE DA DOR
Para aliviar a dor pode ser administrado narcóticos em pequenas doses, por via endovenosa, e repetidas à medida que for necessário.
Relaxantes musculares e sedativos devem ser administrados com prudência em doentes portadores de lesão isolada de extremidade, por exemplo, uma redução de luxação. O bloqueio neurológico regional possui papel importante no alívio da dor e na redução de determinadas fraturas.
Toda vez que se administram analgésicos, relaxantes musculares ou sedativos em doentes traumatizados, existe a possibilidade de parada respiratória.
	
	
	Gabriel GALEAZZI	5