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Apostila Concreto_2019 (1)

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como a sua 
resistência mecânica. Ao se oxidar, a armadura sofre uma expansão que tende a expulsar o cobrimento 
de concreto. Uma vez expulso este cobrimento, o processo de oxidação é acelerado. Do ponto de vista 
estrutural, a oxidação da armadura tem duas implicações. Uma delas é a redução da seção transversal 
das barras, pois o aço vai sendo aos poucos transformado em óxido de ferro, produto final da corrosão. 
Por outro lado, o acúmulo deste material na interface da armadura com concreto gera uma camada que 
reduz a aderência. Esta perda de aderência pode até mesmo ser mais prejudicial que a redução da seção 
transversal das barras(i). 
Além do efeito de oxidação da armadura, outras patologias podem surgir nas estruturas de 
concreto tais como a despassivação por carbonatação ou por elevada concentração de íons cloretos 
(ambos induzindo a corrosão da armadura). Além delas, o concreto simples pode sofrer ainda processo 
de deterioração provocado pela reação álcali-agregado ou pela expansão provocada pela presença de 
sulfatos. Todas elas devem ser evitadas num projeto de estruturas de concreto e, em maior ou menor 
grau, interferem na resistência mecânica das peças estruturais. 
1.3 FISSURAÇÃO DO CONCRETO ARMADO 
O concreto armado pode sofrer um processo de fissuração de duas formas: fissuras por retração 
acelerada do concreto e fissuras por tensões de tração superiores à resistência mecânica do concreto 
Curso de Concreto Armado - Notas de Aula - Capítulo 1 7 
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endurecido. No primeiro caso, as fissuras podem surgir ainda no concreto plástico ou no concreto 
endurecido caso as deformações da estrutura sejam impedidas. No segundo caso, as fissuras aparecem 
devido às tensões que surgem na peça quando ela é solicitada. 
As fissuras podem ser nocivas ou não à estrutura. Como é praticamente impossível evitar a 
formação de fissuras no concreto armado, deve-se limitar sua abertura quando da peça em serviço. A 
justificativa para o aparecimento inevitável de fissuras reside no fato que o concreto fissura com 
pequenas deformações. Caso as peças de concreto fossem dimensionadas para evitar a formação de 
fissuras, as deformações correspondentes no aço seriam muito inferiores aquelas necessárias para o 
perfeito aproveitamento da sua capacidade resistente. Se assim fosse, o custo das estruturas de 
concreto armado seria tão elevado que inviabilizaria o seu emprego. 
Como não é possível evitar a formação de fissuras, deve-se controlar sua abertura de modo a 
evitar a penetração de agentes agressivos ao concreto que podem provocar a despassivação da 
armadura e sua consequente oxidação. Além disso, fissuram muito abertas e visíveis podem transmitir 
uma sensação de insegurança aos usuários de uma edificação e são pouco estéticas. 
1.4 VANTAGENS E DESVANTAGENS DO CONCRETO ARMADO 
As principais vantagens do concreto armado dizem respeito à economia, variedade de formas, 
facilidade de execução, manutenção de baixíssimo custo, resistência a efeitos térmicos, atmosféricos e 
desgastes mecânicos e ao fato de resultar em uma estrutura monolítica (única) o que não ocorre com as 
de aço, madeira e pré-moldado. Há aderência entre o concreto já endurecido e o lançado 
posteriormente. 
A economia do concreto armado vem da disponibilidade em abundância e a preços 
relativamente baixos de seus componentes, principalmente dos agregados. É verdade que outros custos 
devem ser somados quando da análise econômica do concreto, tais como custos de fôrmas de madeira, 
escoramentos, transporte etc. Porém, por qualquer lado que se olhe, o concreto armado ainda é mais 
econômico que seu principal concorrente, as estruturas metálicas. 
Devido à facilidade de moldagem do concreto, as estruturas de concreto armado podem admitir 
as mais variadas formas, adaptando-se com facilidade às exigências arquitetônicas. Além disso, elas 
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apresentam grande resistência ao fogo, ao desgaste mecânico e às intempéries, necessitando de baixa 
manutenção. Outro fator importante é que a resistência do concreto aumenta com o tempo, garantindo 
uma maior reserva de segurança à estrutura. 
Seu peso próprio elevado, contudo, constitui sua principal desvantagem, seguida de 
dificuldades para reformas ou demolições e o baixo grau de proteção térmica que oferece às 
construções. Algumas dessas desvantagens podem ser minimizadas. Por exemplo, o seu peso próprio 
pode ser reduzido empregando agregados leves (mais especificamente, a argila expandida). 
Usualmente são obtidos concretos leves estruturais com massa específica seca variando de 1300 kg/m3 
a 1900 kg/m3. Esses valores são inferiores aos encontrados nos concretos normais, cuja massa 
específica seca varia de 2200 kg/m3 a 2400 kg/m3. No caso do concreto armado, estes valores podem 
chegar a 2500 kg/m3 devido à presença da armadura. 
Com relação às dificuldades de demolição e reforma, o emprego de estruturas pré-moldadas de 
concreto podem minimizar este problema. Neste caso, as ligações entre as peças devem ser feitas, 
preferencialmente, com parafusos para possibilitar a desmontagem. Quanto à baixa proteção térmica, 
isto pode ser facilmente resolvido revestindo a estrutura com argamassas isolantes, como as feitas com 
Vermiculita Expandida. 
No Brasil, o projeto de estruturas de concreto armado deve obedecer à NBR 6118:2014, 
atualmente em processo revisão, em fase de consulta pública. Outras normas internacionais 
importantes são o ACI 318, do American Concrete Institute, adotado Estados Unidos. Essa norma é 
utilizada como referência nos demais países da América do Norte e em alguns países da América 
Latina, Ásia e Oceania. . O CEB90, código do Comité Euro-International du Béton e o EUROCODE 2 
são adotados na Europa e utilizados como referência também no Brasil. 
1.5 CARACTERÍSTICAS E PROPRIEDADES MECÂNICAS DO 
CONCRETO EM COMPRESSÃO 
A resistência à compressão constitui uma das mais importantes propriedades mecânicas do 
concreto e sua determinação se dá através de ensaios de resistência normalizados (NBR5738, 
NBR5739, NBR12655). 
Curso de Concreto Armado - Notas de Aula - Capítulo 1 9 
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A resistência à compressão é obtida de ensaios em corpos-de-prova padronizados, sendo usual 
no Brasil os cilíndricos com 15 cm de diâmetro e 30 cm de altura. Também são empregados em 
concretos de alta resistência os corpos-de-prova cilíndricos com 10 cm de diâmetro e 20 cm de altura. 
Outras dimensões podem ser empregadas desde que seja respeitada a relação de 1:2 entre o 
diâmetro e a altura do cilindro. Esta relação surge para evitar a influência do atrito que surge durante o 
ensaio entre os pratos do equipamento de ensaio e o corpo-de-prova. Este atrito tende a exercer uma 
ação de confinamento nas extremidades dos corpo-de-prova, aumentando a resistência final do 
concreto. Além disso, o diâmetro do corpo-de-prova deve ser igual ou maior que quatro vezes o 
diâmetro máximo do agregado. 
Na Europa, principalmente na Alemanha, é usual o corpo-de-prova cúbico com lados de 20 cm. 
A resistência do concreto medida por este corpo-de-prova tende a ser maior que a obtida do corpo-de-
prova cilíndrico em virtude das forças de atrito que surgem no prato do equipamento já mencionadas. 
As resistências obtidas em corpos-de-prova cilíndricos e em corpos-de-prova cúbicos podem ser 
relacionadas entre se como mostrado na Tabela 1.1 Nesta tabela, os coeficientes apresentados fazem a 
conversão da resistência dos corpos-de-prova para o cilíndrico com medida de 15 cm x 30 cm. 
Tabela 1.1 – Coeficientes médios para conversão da resistência para cilindros de 15 cm x 30 cm. 
Forma do corpo de prova (cm) Coeficiente médio de conversão 
Cilíndrico 10 x 20 0,97 
Cilíndrico 15 x 30 1,00 
Cilíndrico 25 x 50 1,05 
Cilíndrico 45 x 90 1,15 
Cúbico 15 x 15 x 15 0,80 
Cúbico