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Distrofia Muscular de Duchenne e de Becker

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Elany Portela 
Distrofias Musculares de Duchenne e 
de Becker 
Distrofina 
 
É uma das maiores proteínas existente 
nos seres humanos, expressada 
predominantemente em músculos lisos, 
esqueléticos e cardíacos, assim como em 
alguns neurônios. No músculo esquelético 
a distrofina faz parte do complexo 
distrofina-glicoproteína (DGC). 
Esse complexo exerce importantes 
funções: 
1. Manutenção da integridade da 
membrana muscular, por meio da ligação 
do citoesqueleto de actina à matriz 
extracelular. 
2. É necessário no posicionamento das 
proteínas do complexo no sarcolema. 
A função de muitas proteínas do 
complexo é desconhecida, mas sua 
associação com diversas distrofias 
musculares indica que elas são essenciais 
ao complexo. 
Causas 
DMD e DMB são doenças genéticas do 
tipo monogênica recessiva ligada ao X, 
causada por uma mutação no gene DMD 
localizado no braço curto do cromossomo 
X, em uma região denominada Xp21. O 
gene DMD é responsável pela expressão 
da distrofina.. 
As mutações que causam a DMD podem 
ser grandes deleções (60-65%), grandes 
duplicações (5-10%) e pequenas deleções, 
inserções ou mudanças de nucleotídeos 
(25-30%). 
Um terço das causas de DMD são 
mutações novas e não de pacientes com 
mães portadoras 
As mutações de novo aparecem com 
frequência parecida durante a 
ovocitogênese e a espermatogênese, as 
grandes deleções, em sua maioria, 
ocorrem durante a ovocitogênese e a 
maioria das mudanças de nucleotídeos 
aparecem na espermatogênese 
A DMD possui um fenótipo mais agressivo 
que a DMB devido a mutação ser do tipo 
frameshift. Esse tipo de mutação provoca 
mudanças no códon e na matriz de leitura, 
logo a distrofina vai ser completamente 
alterada, podendo gerar um códon de 
 
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parada prematuro, resultando em um 
encurtamento da proteína. 
A DMB também ocorre por grandes 
deleções (60%), mutações pontuais (34%) 
ou duplicações parciais dos genes (6%). 
No entanto, a DMB se diferencia da DMD 
por ser mais branda, isso ocorre devido a 
sua mutação ser do tipo in frame, na qual 
apenas ocorrem mudanças nos 
aminoácidos da cadeia, ao contrário do que 
ocorre em DMD, onde a ordem da matriz 
é modificada inteiramente. 
Herança 
A herança é do tipo monogênica recessiva 
ligada ao x. 
 
Esse tipo de herança afeta mais homem, 
porque no homem ele apenas possui um 
X, sendo, por isso, necessário apenas 1 alelo 
mutante. Já a mulher possui 2 X, 
necessitando ter homozigose recessiva 
para manifestar a doença. 
Não há transmissão do gene de pai doente 
para filho do sexo masculino, porque o pai 
passa para o filho o cromossomo Y. 
Tem a presença de gerações nas quais a 
doença se omite quando os genes são 
passados por mulheres portadoras. 
Uma mulher que teve filho do sexo 
masculino com Duchenne, pode não ser 
portadora, por que um terço de Duchenne 
a causa é mutação na gametogênese, 
tanto na gametogênese feminina como na 
masculina. 
A mulher pode apresentar sintomas 
graves da doença caso: 
1. O cromossomo X que carrega o 
alelo DMD normal for inativado acima 
do limiar das células em algumas 
mulheres heterozigóticas. 
2. Se ela tiver só um cromossomo 
X(síndrome de Turner) e ele tiver a 
mutação para a DMD. 
3. Se os seus dois cromossomos X 
estiverem afetados 
Para mulheres também é importante 
lembrar que o mosaicismo da linhagem 
germinativa dificulta a ocorrência da 
doença. 
No mosaicismo germinativo, alguns oócitos 
e células espermáticas são mutadas, 
enquanto outras estão normais. 
Geralmente, uma pessoa que só tem este 
tipo de mosaicismo, não vai apresentar 
sintomas, visto que a mutação não está 
presente nas células somáticas. 
Se a mutação for transmitida a 
descendência o filho não vai ser mosaico 
como o pai, pois todas as suas células vão 
estar mutadas. 
 
 
 
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DMD: 
1 a cada 3500 homens possuem 
1/3 dos afetados é dado por mutações e 
2/3 é passado por mães portadoras 
A maioria das mulheres portadoras não 
possuem manifestações clínicas, apesar de 
cerca de 70% possuem níveis um pouco 
altos de creatina quinase sérica 
DMB 
Afeta 1 a cada 18000 homens. 
Mutação 
 
Na DMD, o quadro de leitura do RNAm não 
é mantido, levando à produção de uma 
proteína altamente truncada, que é 
rapidamente destruída pela célula 
(mutação em frameshift). 
Os diferentes tipos de deleção afetam de 
forma diferente a evolução do quadro 
clínico da doença. Deleções na região de 
ligação da distrofina a outras proteínas 
implicam em um caso grave de DMD. 
A Distrofia Muscular de Becker se 
diferencia por sua evolução mais lenta e 
início tardio quando comparada à DMD. 
Além disso, uma diferença estrutural entre 
as distrofias consiste na diferença entre as 
consequências da proteína distrofina. . 
Na distrofia de Duchenne, a leitura do gene 
é inteiramente alterada (frameshift) e ela 
gera códon de parada prematuro, por isso 
que geralmente a proteína é encurtada ou 
ela pode não gerar esse códon, fazendo 
com que a proteína não seja formada. 
Na DMB não ocorre mudança de matriz 
de leitura, e esta afeta apenas aminoácido, 
retirando ou adicionando um códon à 
distrofina (in-frame) 
Sinais e Sintomas 
DMD 
No sexo masculino 
Normalmente começam na infância. 
Período neonatal: hipotonia prolongada. 
 
Nos estágios pré-clínicos e iniciais da 
doença, o nível sérico de creatina quinase 
é muito elevado. 
Fraqueza no período de 3 a 5 anos de 
idade. 
Há dificuldade para aprender a andar. 
Anomalias na marcha entre os 3 a 5 anos 
de idade. 
Marcha anserina., podendo gerar escoliose. 
 
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Aos cinco anos, a maioria utiliza a manobra 
de Gowers. 
Entre os 5 a 10 anos há pseudohipertrofia 
na panturrilha. 
A marcha equina inicia-se normalmente 
aos 7 ou 8 anos de idade 
É necessário o uso órteses para a marcha. 
 
Aos 12 anos de idade o paciente irá para a 
cadeira de rodas., desenvolvendo 
contraturas e escoliose. 
Normalmente, não são capazes de andar 
após os dezesseis anos de idade. 
A degeneração e fraqueza muscular 
começa com os músculos da cintura dos 
quadris e os flexores do pescoço. A 
fraqueza muscular envolve 
progressivamente a cintura dos ombros e 
os músculos dos membros distais e tronco. 
Cérebro é afetado, ocorrendo diminuição 
moderada do QI. 
Maioria morre por insuficiência pulmonar e 
pneumonia. 
Idade média de morte é de 18 anos. Os 
afetados raramente sobrevivem até a 
terceira década. 
Quase 95% dos pacientes com DMD têm 
algum comprometimento cardíaco. 
Insuficiência cardíaca se desenvolve em 
quase 50% dos pacientes. 
Complicações na musculatura lisa são 
raras, estas incluem dilatação gástrica e 
paralisia do íleo e da bexiga. 
No sexo feminino 
A idade de início e a gravidade da DMD 
depende do grau de desvio da inativação 
do cromossomo X. 
Se o cromossomo X, o qual carrega o alelo 
mutante de DMD estiver ativo na maior 
parte das células, as mulheres vão 
desenvolver sinais de DMD. 
Se o cromossomo X que carrega o alelo 
normal de DMD estiver em sua maior 
parte ativo, as mulheres terão pouco ou 
nenhum sintoma da DMD. 
Independentemente dos sintomas clínicos 
de fraqueza no músculo esquelético, a 
maior parte das mulheres portadoras tem 
anomalias cardíacas. 
Os sinais e sintomas são leves e não 
progressivos, se comparadas com os 
indivíduos do sexo masculino. 
Ocorre fraqueza muscular. 
Há aumento da creatina quinase sérica. 
É muito comum em uma mulher 
portadora de 50 anos, começar a 
desenvolver doenças cardiovasculares, 
 
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Elany Portela 
justamente por ela ser portadora de 
mutação na distrofina. 
 
DMB 
Tem a progressão mais lenta e. o início 
dos sinais e sintomas é mais tardio. 
Os sintomas começam em torno dos 10 
anos de idade. 
Não tem hipotonia prolongada e, sim, 
fraqueza muscular. 
Quando o paciente com DMD já está na 
cadeira de rodas, o paciente com DMB vai 
demorar a ter que usá-las, cerca dos 17 
anos de idade. 
Alguns pacientes não precisarão de