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HEPATITE B CONGÊNITA

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HEPATITE B CONGÊNITA 
 
1 CONCEITO 
A hepatite B congênita é uma afecção causada pelo vírus da hepatite B (VHB) que 
possui tropismo pelo fígado, ou seja, as células do fígado possuem receptores 
que interagem que as proteínas virais do VHB. Essa doença é adquirida pelo feto, 
em meio intrauterino, através da passagem placentária. 
 
2 ETIOLOGIA 
O vírus da hepatite B chamado VHB/HVB é da família Hepadnaviridae é um 
envelopado com genoma de DNA que possui tropismo pelas células hepáticas. O 
período de incubação varia de 30 a 180 dias, mas a replicação começa com a 
ligação do virion ao hepatócito, e por isso, o período de transmissibilidade começa 
muitas semanas antes do início dos sintomas e vai até enquanto persistirem os 
antígenos de superfície. Quando o antígeno de superfície persiste por mais de 24 
semanas, anuncia-se a cronificação da infecção. A hepatite crônica causada 
pelo HVB pode evoluir para cirrose e óbito por insuficiência hepática, sendo a 
maior causa de hepatocarcinoma (HCC) no mundo. O HBV é considerado um 
vírus bastante infectivo e sabe-se que uma única partícula viral é capaz de infectar 
o ser humano. 
 
3 EPIDEMIOLOGIA 
A hepatite B é uma problemática mundial em saúde pública, apesar da 
existência de uma vacina segura e eficaz desde 1981. Estima-se que existam 400 
milhões de carreadores do VHB no mundo e que 15 a 40% desses perecem 
anualmente de doenças hepáticas relacionadas à ação do vírus. Segundo o MS 
no Brasil no período de 1999 a 2018, foram notificados 233.027 casos 
confirmados de hepatite B no Brasil; desses, a maioria está concentrada na região 
Sudeste (34,9%), seguida das regiões Sul (31,6%), Norte (14,4%), Nordeste 
(9,9%) e Centro-Oeste (9,1%). O Brasil é classificado de maneira geral como um 
país de baixa-intermediária prevalência de infecção pelo VHB, contudo, os 
Estados da Amazônia ocidental (Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima) detém 
prevalência alta. 
 
 
 
4 TRANSMISSÃO 
As duas principais vias de transmissão vertical do VHB são a transmissão 
intrauterina e a perinatal, sendo que esta corresponde a 95% dos casos e se dá 
pela exposição a fluídos e sangue contaminados durante o trabalho de parto ou 
no período do pós-parto. O mecanismo para infecção inclui microtransfusões 
durante o trabalho de parto, infecção após a ruptura de membrana, contato 
direto de mucosas com secreções ou sangue infectado no trato genital. A 
hepatite B congênita, que corresponde de 5-10% dos casos, é a infecção 
adquirida pelo feto, no meio intrauterino, através da via hematogênica 
transplacentária sendo a mãe contaminada pelo VHB. Quando a infecção aguda 
ocorre no primeiro trimestre de gestação, o risco de transmissão para o feto é 
de 10%, sendo que caso ocorra no segundo ou terceiro trimestre, esse risco 
sobe para 60%. Caso a gestante seja portadora crônica da infecção pelo VHB 
sendo HBsAg/HBeAg reagentes, e a imunoprofilaxia não é realizada, mais de 
90% das crianças irão desenvolver infecção aguda pelo VHB e poderão progredir 
para a infecção crônica com suas complicações na fase adulta. Quanto a 
contaminação via aleitamento materno, não há evidências suficientes até o 
momento que indiquem um risco adicional atribuído a ele e, portanto, a OMS 
(Organização Mundial da Saúde), não o contraindica, mesmo em recém-nascido 
que não tenha sido imunizado 
 
5 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS 
A infecção aguda durante a gestação não está relacionada efeitos teratogênicos 
(mal formações) no feto, mas há relatos de baixo peso ao nascer, 
prematuridade e morte fetal ou perinatal quando o quadro está relacionado ao 
uso de drogas. O quadro clínico do recém-nascido (RN) portador variar de 
quadros assintomáticos até quadros de hepatite fulminante. Esta última é 
incomum, mas pode ocorrer especialmente em crianças nascidas de mães 
HBsAg-positivas e HBeAg negativas. O quadro clínico agudo nas crianças é 
semelhante aos adultos, podendo se manifestar com icterícia, febre, astenia, 
artrite, exantema, náuseas e desconforto em hipocôndrio direito. Essas 
manifestações geralmente desaparecem depois de um a três meses, mas alguns 
pacientes apresentam fadiga persistente, mesmo após a normalização das 
 
 
concentrações séricas das transaminases. A proporção de pacientes que evoluem 
para hepatite crônica é muito maior em recém-nascidos, aproximadamente 90%. 
O quadro clínico da infecção crônica é, na grande parte dos casos, 
assintomático e a criança pode se desenvolver normalmente. A infecção crônica 
está também associada a manifestações extra-hepáticas, como poliartrite nodosa 
e glomerulonefropatia. 
 
6 DIAGNÓSTICO 
O diagnóstico de hepatite B aguda é realizado pela detecção de HBsAg e IgM 
anti-HBc (anticorpo IgM para o antígeno do núcleo da hepatite B). O HBeAg é o 
marcador de replicação viral, e por isso, positivo na fase inicial da doença, em 
seguida converte-se para negativo, sendo possível detectar o anticorpo anti-
HBe. O diagnóstico da infecção crônica por VHB é feito pela persistência de 
HBsAg por mais de seis meses, sendo que IgG anti-HBc é positivo, enquanto 
que IgM anti-HBc é negativo. Quanto à infecção pelo VHB, deve ser feita a 
pesquisa do HBsAg em todas as gestantes no primeiro trimestre da gestação 
ou no início do pré-natal. Gestantes que não fizeram a pesquisa durante o pré-
natal, devem realiza-la no momento da admissão hospitalar para o parto. 
 
 
 
Legenda: HBsAg, antígeno de superfície do vírus da hepatite B; VHB, vírus da 
hepatite B; Anti-HBc anticorpo contra o antígeno nuclear da hepatite B (HBc); IgG, 
imunoglobulina G; IgM, imunoglobulina M; HBeAg, antígeno pré-nuclear de 
replicação viral; Anti-HBe, anticorpo contra o HBeAg; Anti-HBs, anticorpo contra o 
HBsAg. 
 
7 TRATAMENTO 
São necessários cuidados sintomáticos e nutrição adequada. Uma vez 
adquirida a infecção, nenhuma terapia previne o aparecimento da hepatite 
subclínica crônica. 
Todas as crianças com infecção crônica por HBV devem ser imunizadas com 
a vacina contra a hepatite A. 
 
8 PREVENÇÃO 
Uma das maneiras mais eficaz de se prevenir a infecção por Hepatite B é a 
vacinação. Sem a imunoprofilaxia, mais de 90% dos infantes infectados por suas 
mães HBeAg/HBsAg se tornarão pacientes crônicos. Isso pode ser explicado 
pela grande quantidade de vírus transmitidos para o neonato com um sistema 
imune imaturo. Outras estratégias para a redução do risco de transmissão é a 
imunoprofilaxia com HBIg e a utilização de lamivudina ou telbivudina no final da 
gestação para reduzir a viremia, mas não há consenso de quando essas 
estratégias adicionais devam ser utilizadas. 
RECÉM-NASCIDOS CUJAS MÃES SÃO HBSAG-POSITIVAS: 
O Ministério da Saúde recomenda que todos os recém-nascidos devem ser 
vacinados nas primeiras vinte e quatro horas de vida, de preferência nas 
primeiras doze horas, uma vez que a vacinação contra a hepatite B nas primeiras 
horas após o nascimento é altamente eficaz na prevenção da transmissão vertical 
do vírus da hepatite B. Deve-se administrar também imunoglobulina humana 
específica (HBIG 0,5ml), preferencialmente nas primeiras doze horas e no 
máximo até sete dias após o nascimento, sendo que a vacina e a imunoglobulina 
devem ser aplicadas em locais diferentes do corpo. 
O esquema preconizado é de três doses da vacina contra a hepatite B nos 
intervalos adequados: 0, 1 e 6 meses. Se o recém-nascido pesar menos de 
2000g, deve-se administrar uma quarta dose, pois se acredita que a resposta à 
https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/doen%C3%A7as-infecciosas/imuniza%C3%A7%C3%A3o/vacina-contra-hepatite-a-hepa
 
 
vacina é menor. As doses seguintes da vacina são ministradas com a idade de 
30 dias (ou por ocasião da alta hospitalar) e depois 2 outras doses 1 a 2 meses 
e 6 meses após a dose dos 30 dias. 
Recomenda-se testar o HBsAg e anti-HBs aos 9 e 15 meses para todos os 
neonatos nascidos de mães positivas para HBsAg. A positividade