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Cultura de Massa

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Cultura de Massa
A Cultura de Massa surge com a ascensão do capitalismo moderno. Assim 
como a produção de bens de consumo começou a se dar em larga escala, a 
cultural também passou por este mesmo processo. Diversos pensadores 
analisaram as implicações deste fenômeno na sociedade.
Muito se confunde o conceito de “cultura de massa” com o de “cultura 
popular”. Ambos remetem à ideia de quantidade, mas em cada caso a 
produção cultural implica características ideológicas e políticas bem distintas. 
Muitas vezes recriminada e considerada "de baixa qualidade", a cultura popular 
é marginalizada. Já a cultura de massa reproduz uma lógica hegemônica.
Cultura de Massa e Indústria Cultural
A Cultura de massa é um produto da Indústria Cultural e pode ser vista como a 
massificação da cultura com fins mercadológicos. Nela, a arte se reproduz por 
vias técnicas e está focada no lucro. Isso faz com que ela perca autenticidade, 
pois as produções cinematográficas, televisivas e musicais, neste contexto, 
estão voltadas para o mercado.
Críticos da Escola de Frankfurt perceberam que a apropriação e transformação 
da cultura em produto era uma tática de reprodução do sistema capitalista. 
Theodor Adorno e Max Horkheimer foram alguns dos responsáveis por mostrar 
como a cultura produzida nos moldes capitalistas atendia a interesses de 
mercado, assim como as consequências desse processo.
Walter Benjamin também discutiu este processo, que chamou de 
“transformação da cultura em mercadoria”. Para ele o cinema e a fotografia 
eram exemplos do ápice de desenvolvimento tecnológico, fundamentais, 
portanto, para a expansão da indústria cultural.
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Mas como funciona a Cultura de Massa?
O mercado atende aos anseios do sistema capitalista investindo na 
produção de elementos culturais em larga escala. Esse processo culmina 
na produção, compra e venda não só destes produtos, mas também de um 
certo estilo de vida relacionado a eles.
A lógica capitalista preza pelo consumo e por isso não vê distinção de 
individualidades ou gostos estéticos. A ideia principal é a reprodução do 
consumo dos mesmos produtos para a maior parte da população, 
funcionando como uma ideologia.
Misturando elementos da cultura clássica e da cultura popular, surge uma 
ética na produção da cultura que atende aos interesses de diversos 
grupos. Isso acontece em larga escala, fazendo com que a indústria 
cultural foque na venda compulsiva de seus produtos.
Reproduzindo ideais capitalistas, a própria cultura se torna uma espécie de 
propaganda. Além de atender a uma certa lógica do consumo, funciona 
também como ideologia, criando um novo padrão de vida a ser alcançado.
A cultura de massa pode ser facilmente 
identificada por:
Racionalidade econômica na arte e na cultura
Padronização dos bens culturais de consumo
Separação entre os agentes produtores e consumidores
História e Desenvolvimento
Em contextos pré-industriais, comunidades locais eram responsáveis por 
mobilizar e reproduzir conhecimentos, formas de arte e de cultura, próprias de 
seus territórios. Um bom exemplo de cultura popular seria o folclore nacional. 
Nestes moldes, a cultura não era vista como um produto ou fonte de lucro.
As relações de produção eram bem diferentes das que vimos depois da 
revolução industrial. Uma das maiores mudanças trazidas pela cultura de 
massa na sociedade foi transformar os consumidores em reprodutores de um 
mesmo padrão de vida e de consumo.
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Fordismo
A partir da primeira guerra mundial, sobretudo nos Estados Unidos, com a 
ascensão do modelo fordista de produção, a cultura de massa chega a 
diversos setores da sociedade. Buscando dar vazão à produção crescente, era 
preciso elaborar campanhas publicitárias eficientes, que induzissem a 
população ao consumo.
Os produtos vendidos, além de associados a sua utilidade, eram vendidos 
como ideias de status, baseadas em valores culturais. Desta forma, a esfera da 
produção cultural começava a convergir com a esfera da produção de bens 
materiais. Além da publicidade, a racionalidade econômica dominava a 
produção cultural.
Assim, a publicidade deixava de ser apenas um veículo de venda de produtos, 
tornando-se ela própria também um produto. Destaca-se nesse período o 
crescimento de gravadoras e estúdios cinematográficos, que comercializavam 
músicas e filmes, de acordo com o que fosse capaz de gerar mais lucro.
A ideia de hegemonia cultural começa a se propagar em um contexto de 
intensa expansão do sistema capitalista, ainda no século XIX, como 
consequência das novas tecnologias do período. Mas, esse processo de 
propagação cresce principalmente com o advento da Guerra Fria, durante a 
segunda metade do século XX.
Guerra Fria
Durante a Guerra Fria havia um cenário de intensa competição articulado pelos 
principais detentores do poder econômico e industrial da época: Estados 
Unidos e União Soviética. Essas duas frentes competiam por formas de 
dominação econômicas e ideológicas que revolucionaram o conceito de arte e 
cultura global.
A União soviética foi responsável pelos primeiros estudos de cinema como 
forma de arte e propaganda ideológica. A tensão com os EUA foi produtiva em 
várias aspectos do desenvolvimento cultural e tecnológico. O jogo Tetris, por 
exemplo, se tornou um clássico. Poucos sabem, mas trata-se de uma criação 
da Academia de Ciências da União Soviética.
Nos Estados Unidos, pode-se destacar a intensa produção de HQs, filmes e 
músicas que transmitiam à população valores capitalistas, produzindo uma 
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imagem negativa de seus adversários soviéticos. As propagandas 
incentivavam o American Way of Life - Estilo de Vida Americano.
Mais contribuições teóricas sobre o 
conceito
Noam Chomsk foi um importante intelectual que considerou a cultura de 
massa, também, uma forma de totalitarismo. Para ele, o processo de 
massificação da cultura opera a serviço de interesses econômicos de poucos. 
Isso faz com que uma lógica totalitária seja mantida em benefício de um poder 
hegemônico.
Adorno e Horkheimer por sua vez trouxeram a ideia de que a Cultura de 
Massa incorpora certos antagonismos sociais no que produz, de forma a 
reproduzi-los ao invés de combatê-los. Sendo assim, ela alcançaria a 
hegemonia e reforçaria padrões. Para eles, a indústria cultural era um meio de 
propagar ideais capitalistas via arte e cultura.
Uma crítica externa à indústria cultural, que posteriormente passa a estar no 
berço dessa indústria é o fenômeno do movimento punk. Nas décadas de 1970 
e 1980, que em um contexto de manifestações culturais de contestação, 
incorporaram produtos, marginalizando seu conteúdo crítico original.
Walter Benjamin explora a ideia de que a cultura de massa era um fenômeno 
complexo, que não poderia ser explorado apenas pelo ângulo da destruição 
das culturas tradicionais e populares. Para o pensador, a massificação da 
cultura tem um caráter democratizante, que permite a distribuição da arte

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