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MÓD 3 MANIFESTAÇÕES EXTERNAS DAS DOENÇAS E IATROGENIAS 8ª FASE SP 2 HANSENÍASE

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Situação problema 2 – E o isolamento continua...
ID: Homem, 62 anos, mora em uma antiga colônia para tratamento/isolamento de pacientes com hanseníase. 
QC: deformações em MMSS e no tronco apresenta máculas eritemato-violáceas com diminuição da sensibilidade, perda tecidual na região nasal.
EF: - Adenomegalias ausentes. PA: 120-80 mmHg, FC: 88, fr 12, t: 37.5C
 - Mucosas hipocoradas (+/4+)
 - AR, AC, abdome: SA.
Exames complementares: 
- Exames radiológicos sem alterações.
- Biópsia antiga de lesão na pele no tronco que obtinha hiposensibilidade: lesão granulomatosa com BAAR +. 
- Baciloscopia em linfa: 90% da bacilos íntegros.
Objetivos:
1 - Correlacionar à ocorrência de lesões cutâneas com doenças infecciosas sistêmicas, tomando como base a hanseníase.
As manifestações cutâneas das doenças sistêmicas são tão numerosas e variadas que um único capítulo seria insuficiente para abranger todas elas, mesmo de uma forma superficial. Em vez de fazer isso, o presente capítulo revisa as manifestações cutâneas mais importantes das doenças sistêmicas, a ser identificadas pela maioria dos médicos, e destaca os últimos avanços ocorridos no diagnóstico e na supervisão dessas patologias. Para ter acesso a discussões mais aprofundadas sobre doenças específicas, incluindo suas respectivas manifestações cutâneas, os leitores devem consultar os capítulos dedicados a cada uma dessas condições.
2 - Descrever em relação à hanseníase:
2.2 – Dados epidemiológicos nacionais e internacionais.
https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2017/novembro/22/Guia-Pratico-de-Hanseniase-WEB.pdf 
file:///C:/Users/Usuario/Downloads/boletim-hanseniase-2020-web.pdf 
Entre os anos de 2014 a 2018, foram diagnosticados no Brasil 140.578 casos novos de hanseníase. Entre estes, 77.544 casos novos ocorreram no sexo masculino, o que corresponde a 55,2% do total. No mesmo período, observou-se predominância desse sexo na maioria das faixas etárias e anos. O maior número foi identificado nos indivíduos entre 50 a 59 anos, totalizando 26.245 casos novos.
Quanto a raça, ocorre maior frequência entre os pardos, com 58,3%, seguidos dos brancos, que representaram 24,6%.
Taxa média de detecção de 13,64 casos novos para cada 100 mil habitantes.
Em 2018, o Tocantins foi a Unidade da Federação (UF) que apresentou a maior taxa de detecção geral, 84,87 casos novos por 100 mil habitantes, e sua capital, Palmas, registrou uma taxa de 271,37 casos por 100 mil habitantes, a maior entre as capitais do País. O Mato Grosso ocupou a segunda posição, com 62,08 casos por 100 mil habitantes, e sua capital Cuiabá registrou a taxa de 46,28 casos por 100 mil habitantes. As UF do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, assim como suas capitais, apresentam uma situação de baixa endemicidade.
O Brasil ocupa o segundo lugar mundial em número de casos de hanseníase, perdendo apenas para a Índia. Pesquisa feita pela OMS revelou que em 2017, enquanto o Brasil teve 26.875 casos, a Índia teve 126.164. Na última década, foram registrados cerca de 30 mil casos novos por ano no Brasil.
2.3 – Formas de manifestação clínica.
Pelo Ministério da Saúde, considera-se caso de hanseníase a pessoa que apresenta um ou mais dos seguintes sinais cardinais, a qual necessita de tratamento com poliquimioterapia (PQT): lesão(ões) e/ou área(s) da pele com alteração da sensibilidade térmica e/ou dolorosa e/ou tátil; ou espessamento de nervo periférico, associado a alterações sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas; ou presença de bacilos M. leprae, confirmada na baciloscopia de esfregaço intradérmico ou na biópsia de pele.
A apresentação clínica da doença depende do polo imunológico do indivíduo, podendo variar desde uma lesão única hipocrômica com alteração de sensibilidade que evolui para cura (hanseníase indeterminada), até infiltração difusa da pele com acometimento neurológico gradual e progressivo. Em alguns casos ainda, há apenas o acometimento neural (hanseníase neural pura). O período de incubação é de 2 a 40 anos (mais comumente, 5 a 7 anos).
Nas lesões cutâneas da doença, classicamente manifestadas por manchas hipocrômicas, a sensibilidade térmica é a mais precocemente afetada, podendo ser testada com a comparação de tubos com água morna e fria ou com algodão seco e embebido em éter. Pode-se verificar a sensibilidade tátil com teste do monofilamento de Semmes-Weinstein (6 monofilamentos: 0,05; 0,2; 2; 4; 10 e 300 g) nos pontos de avaliação de sensibilidade em mãos e pés, algodão ou fio dental, e a dolorosa, com estesiômetro ou ponta de caneta. É comum haver anidrose e perda dos pelos nas lesões.
O acometimento neural leva a espessamento dos nervos periféricos, podendo ser simétrico ou não. Os nervos mais acometidos, em ordem de frequência, são: tibial posterior, ulnar, mediano, fibular comum, facial e radial. Esse acometimento pode estar acompanhado de outros comemorativos, como hipoidrose, amiotrofia, parestesias, paresias das áreas correspondentes ao nervo acometido. A dor desses pacientes tem recebido atenção, ela que classicamente se desenvolve após a cura bacteriológica e é do tipo neuropática e de difícil tratamento.
Classificação de Madri: hanseníase indeterminada (PB), tuberculóide (PB), dimorfa (MB) e virchowiana (MB).
Na forma tuberculoide, encontram-se poucas lesões, geralmente infiltradas e com acometimento de poucos nervos, porém com grande intensidade de dano, nesta forma clínica predomina a imunidade celular do hospederio. No polo imunológico oposto, o humoral, há a forma virshowiana ou lepromatosa, com infiltração difusa da pele, lesões mal definidas, madarose das sobrancelhas e espessamento neural difuso e progressivo. Entre esses dois polos o paciente pode apresentar lesões mistas (dimorfo ou borderline). 
Hanseníase tuberculoide (HT): É a forma menos grave da doença e resulta em sintomas confinados à pele e aos nervos periféricos.
•Verificam-se uma ou várias máculas hipopigmentadas ou placas com margens nítidas hipoestésicas e que perderam as glândulas sudoríparas e os folículos pilosos. Os BAAR são poucos ou estão ausentes.
•Observa-se espessamento assimétrico de um ou vários nervos periféricos – mais frequentemente os nervos ulnar, auricular posterior, fibular e tibial posterior – associado à hipoestesia e miopatia.
Hanseníase lepromatosa (HL): Os pacientes desenvolvem Pápulas/nódulos cor da pele ou ligeiramente eritematosos. As lesões crescem, e novas lesões aparecem e coalescem. Tardiamente: nódulos cutâneos distribuídos simetricamente, placas elevadas e infiltração dérmica difusa que pode causar fácies leonina, perda das sobrancelhas e pestanas, lóbulos das orelhas pendulares e descamação cutânea.
•Inúmeros bacilos estão presentes na pele (até 109/g), nos nervos e em todos os órgãos, exceto nos pulmões e no SNC.
•O espessamento e o dano aos nervos costumam ser simétricos e causados por invasão bacilar.
* Outros tipos de acometimento: vias respiratórias superiores, câmara anterior dos olhos, testículos.
Hanseníase borderline (HB): As lesões são intermediárias entre as formas tuberculoide e lepromatosa e consistem em máculas, pápulas e placas. A anestesia e a diminuição da sudorese são proeminentes nas lesões.
Manifestações clínicas gerais 
Membros: neuropatia sensorial, úlceras plantares, infecção secundária; paralisias ulnar e fibular, articulações de Charcot. O carcinoma espinocelular pode se desenvolver em úlceras crônicas dos pés. 
Nariz: congestão nasal crônica, epistaxe; destruição da cartilagem com deformidade do nariz em sela. 
Olhos: paralisias de nervos cranianos, lagoftalmia, insensibilidade da córnea. Na HL, a câmara anterior do olho pode ser acometida com uveíte, glaucoma e formação de cataratas. Pode ocorrer lesão da córnea secundariamente à triquíase e neuropatia sensorial, infecção secundária e paralisia muscular.
Testículos: podem ser acometidos na LL com consequente hipogonadismo.
2.4 – Classificações clínicas e baciloscopia.
Pode ser feita por meio de