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psicologia e populaçao em situaçao de rua-CAPSAD

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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE BARRA MANSA
 MARIA CLARA DE ALMEIDA - 20161000287
Tópicos especiais em saúde
BARRA MANSA
2020
PSICOLOGIA E A POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA
	De acordo com a definição da Secretaria Nacional de Assistência Social, a população em situação de rua pode ser definida como um conjunto populacional heterogêneo, composto por pessoas com diferentes realidades, tendo como característica comum a condição de pobreza absoluta, falta de habitação convencional regular, vínculos interrompidos ou fragilizados, sendo sujeitas a usar a rua como espaço de moradia e sustento, por caráter temporário ou permanentemente se configurando num enorme problema social.
	Muitos são os motivos que podem levar um indivíduo a buscar nas ruas um abrigo: a falta de um emprego, perda de vínculos familiares, perda de autoestima, dependência química, acometimentos mentais, violência entre outros, o interesse do Estado para lidar com essa questão é um ponto chave que faz com que a sociedade em geral tenha comportamentos seja de indiferença, preconceito, apatia, violência ou piedade.
	Há registros dessa população em fragilidade desde os século XIV, no entanto, a maior parte dos estudos se dá no século XX, é evidente que a economia e os recursos mudam de acordo com o tempo a cultura vigente porém sabe-se também que com isso o aumento de pessoas em situação de rua é uma realidade que ainda faz parte de muitos países.
	De acordo com a cartilha de Conselho Regional de Psicologia Minas Gerais (CRP-MG,2015),“No Brasil, somente a partir da década de 1980, com a abertura política e a promulgação da Constituição Federal de 1988, essas pessoas têm conseguido espaço na busca de melhores condições de vida, colocando suas demandas na agenda pública”	
	Nesse sentido, o psicólogo enquanto agente nas políticas públicas têm atuado de maneira a promover atendimento possível para essa população atenta através de equipamentos como o Consultório de rua e o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP).
1. ALGUNS TRABALHOS COM A POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA
1.1 Centros POP	
Os Centros de Referência Especializado para a População em situação de Rua (Centro POP) são unidades públicas de referência que tem como objetivo ser um espaço de referência para essa população com vista de possibilitar desenvolver relações de respeito e solidariedade, com atendimento especializado e que oferta, obrigatoriamente esse serviço. Há nesses centros atendimentos individuais e coletivos, oficinas de atividades de socialização, convívio e que busca promover o protagonismo das pessoas em situação de rua.
	É importante destacar que esse serviço público que tem a finalidade de ser uma referência para a população de rua tem como público alvo jovens, adultos, idosos e famílias que tem a rua como moradia e forma de sobrevivência. Em relação as crianças, só se atende no centro POP caso elas estejam acompanhadas de algum responsável.
	As pessoas podem acessar esses serviços espontaneamente ou através de encaminhamento de outros serviços da assistência social ou políticas públicas.
1.2 Consultórios de Rua
Corresponde a equipes multiprofissionais que trabalham no atendimento da população em situação de rua com o foco em diferentes desafio e necessidades dessa população no que se refere a saúde, haja vista que há uma dificuldade para o acesso aos atendimentos nos serviços de saúde. Dessa forma, esse dispositivo visa uma ampliação do acesso da população de rua à atenção básica.
Esses serviços são itinerantes e são ações compartilhadas entre as unidades de saúde e quando necessário também em rede com os CAPS e outros serviços públicos.
1.3 Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPSad)
Os CAPS são estabelecimentos que visam a acolher os portadores de sofrimento mental, pretendendo fortalecer os laços sociais do usuário e integrá-lo ao território em que vive, além de prestar atendimentos médico e psicológico.
Em março de 2002, foram criados os CAPS ad (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas) que são serviços de atenção psicossocial para atendimento de pacientes com transtornos decorrentes do uso prejudicial de álcool e outras drogas, devendo oferecendo atendimento diário, intensivo, semi-intensivo ou não intensivo. Esses serviços, conforme preconiza o Ministério da Saúde, devem contar com planejamento terapêutico individualizado de evolução contínua, possibilitando intervenções precoces, além de apoio de práticas de atenção comunitária e de leitos psiquiátricos em hospitais gerais. Vale ressaltar que a multidisciplinaridade nesses serviços é de fundamental importância para que os atendimentos possam ser mais humanizados, visando a liberdade e autonomia das pessoas e não a reprodução de discursos (Alverga& Dimenstein, 2006; Ministério da Saúde, 2003, 2004, 2005).
O CAPSad deve funcionar como instância de planejamento e implantação de múltiplas estratégias de redução de riscos e danos causados pelo abuso e dependência de substâncias psicoativas, propiciando o fortalecimento de fatores de proteção da saúde, prevenção e tratamento por meio da intervenção terapêutica eficiente, da inserção comunitária e da colaboração de outros segmentos sociais.
2. RECOMENDAÇÕES PARA ATENDIMENTOS DOS CONSULTÓRIOS DE RUA DURANTE A PANDEMIA DE COVID-19
Para as especificidades desse momento de pandemia é necessário o comprometimento das equipes multiprofissionais que já realizam esse trabalho juntamente com um planejamento que deve levar em consideração experiências internacionais. A Fiocruz elaborou uma cartilha de recomendação para o trabalho com pessoas em situação de rua durante a pandemia que elenca algumas ações, como:
1. Garantir a comunicação - rápida e bidirecional - entre trabalhadores da saúde e prestadores de serviços para PSR;
 2. Garantir que os prestadores de serviços, para PSR, tenham acesso a insumos e Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), possibilitando o controle de infecções e o treinamento da equipe; 
3. Preparar-se para a possibilidade de fechamentos de abrigos, em decorrência da escassez de profissional ou usuário e/ou altas taxas de doença entre os usuários;
 4. Planejar onde e como os desabrigados - que estão clinicamente doentes - serão isolados e tratados.
3. CONSTRUÇÃO DE PLANOS DE AÇÃO 
Como sabemos, a população em situação de rua possui inúmeras necessidades e dificuldades em seu dia a dia, que vão desde a fome à falta de um local para dormir. Garantir que esses indivíduos possuam o básico, como a alimentação, atendimento médico, segurança, abrigo, entre outros, é essencial tanto para a sobrevivência quanto para a reintegração dessas pessoas na sociedade. Sem o suprimento dessas necessidades básicas é praticamente impossível que essas pessoas consigam arrumar um emprego por exemplo, visto que o básico para sua sobrevivência não está sendo devidamente atendido. 
A criação de unidades de atendimento e planos de ação vem justamente para garantir que essas pessoas consigam se restabelecer. São medidas que vão muito além de garantir o básico a esses indivíduos, são oportunidades destes darem a volta por cima e retomarem à sua vida. Por isso é essencial que se pense em novos métodos e meios que sejam capazes de atender as necessidades e demandas dessas pessoas, afim de lhe garantir um atendimento mais humanizado e uma oportunidade de reinserção na sociedade.
4. A INFORMAÇÃO SISTEMATIZADA 
É importante ressaltarmos que a utilização de prontuários eletrônicos junto a um sistema é de extrema eficácia no caso da população em situação de rua, uma vez que seu cadastro e todas as informações da população ficará acessível para todos os profissionais do sistema que precisem acessá-las. São uma fonte rica e importante para direcionar decisões adequadas no tratamento da população em situação de rua. 
Sistemas como o e-SUS AB devem ter continuidade no cadastramento dos prontuários eletrônicos das pessoas que se encontram em situação de rua e também da população que já