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Livro - Fundamentos e Metodologia do Ensino da Lingua Portuguesa

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FUNDAMENTOS E
METODOLOGIA DO ENSINO DA 
LÍNGUA PORTUGUESA
Veridiana Almeida
Ieda Janz Woitowick
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2ª Edição
Curitiba
2017
Fundamentos e 
Metodologia do 
Ensino da Língua 
Portuguesa
Veridiana Almeida
Ieda Janz Woitowicz
Ficha Catalográfica elaborada pela Fael. Bibliotecária – Cassiana Souza CRB9/1501
A447fe Almeida, Veridiana
Fundamentos e metodologia do ensino da Língua Portuguesa /
Veridiana Almeida, Ieda Janz Woitowicz. 2.ed. – Curitiba: Fael, 2017.
192 p.: il.
ISBN 978-85-60531-97-4
1. Língua portuguesa – Estudo e ensino I. Woitowicz, Ieda
Janz II. Título
CDD 372.4
Direitos desta edição reservados à Fael.
É proibida a reprodução total ou parcial desta obra sem autorização expressa da Fael.
FAEL
Direção Acadêmica Francisco Carlos Sardo
Coordenação Editorial Raquel Andrade Lorenz
Revisão Editora Coletânea
Projeto Gráfico Sandro Niemicz
Capa Vitor Bernardo Backes Lopes
Imagem da Capa Shutterstock.com/Pixelbliss
Arte-Final Evelyn Caroline dos Santos Betim
Sumário
 Prefácio | 5
1. Conceitos e Princípios Básicos para o 
Ensino da Língua Portuguesa | 7
2. Concepções de Linguagem | 25
3. Aquisição e Desenvolvimento da Linguagem | 37
4. Letramento e Práticas de Leitura | 53
5. Letramento e Práticas de Escrita | 65
6. Gêneros Discursivos | 77
7. Sequência Didática e Ensino de Gêneros Textuais | 93
8. Referencial curricular de Língua Portuguesa | 103
9. Parâmetros Curriculares Nacionais 
e a Língua Portuguesa | 111
10. Estruturação dos Objetivos, Conteúdos, Metodologias e 
Recursos Aplicáveis ao Ensino da Língua Portuguesa | 123
11. Análise Linguística versus Gramática Tradicional | 131
12. Reescrita e Correção de Textos | 139
13. Perspectivas de Avaliação Formativa no 
Ensino de Língua Portuguesa | 145
14. O Livro Didático de Língua Portuguesa | 151
15. Práticas Interdisciplinares | 155
16. Saberes Linguísticos: Leitura, Oralidade e Escrita | 161
 Gabarito | 177
 Referências | 187
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
Carlos Drummond de Andrade
O fragmento do poema Procura da Poesia, de Carlos Drum-
mond de Andrade (1945, p. 10), ajuda-nos a refletir sobre a palavra 
e sua carga significativa. Aconselha-nos a espreitar as palavras, escu-
tá-las, seduzi-las, saboreá-las, as quais, “sob a face neutra”, escon-
dem, cuidadosamente, tesouros esplêndidos e inesperados. Elas são 
ativas e nos interrogam, uma vez que podem ultrapassar seus limites 
de significação, conquistar novos espaços e mostrar novas possibili-
dades de perceber a realidade.
Prefácio
– 6 –
Fundamentos e Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa
Em nossa proposta, o caminho que a linguagem percorre é esse: uma 
forma específica de interagir e não simplesmente um conjunto de informa-
ções sobre a língua, sendo o princípio estruturador, o equilíbrio entre tradição 
e modernidade, explícito, mais enfaticamente na reordenação de conteúdos 
tradicionais e na introdução de novos conteúdos que se pautam no universo 
contemporâneo da ciência da linguagem e nas suas produções acerca do 
ensino da língua materna.
Por isso, os capítulos que se seguem propõem trabalhos com a exposição 
da teoria, para possibilitar a reflexão e o senso crítico, e situações que desafiem 
a prática, como a leitura, a produção oral e escrita, sem, no entanto, abstrair-
-se o papel da linguagem na criação estética, na construção de relações huma-
nas significativas e no desenvolvimento da compreensão das relações sociais.
Assim, a língua é vista de forma integrada e dinâmica. Constitui-se e 
nos constitui, cria e recria, humaniza e nos projeta em direção ao outro, ao 
mundo e à vida. Sem a linguagem, seríamos incapazes de realizações que nos 
transcendem e nos distinguem, isto é, que nos tornam únicos.
É com esse cuidado e com respeito que esse material oferece subsídios aos 
Fundamentos e Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa. No entanto, 
a “chave” que abre esse potencial expressivo da linguagem, para entrar no 
mundo das palavras com uma abordagem que lhes evidencia a especificidade, 
e, ao mesmo tempo, permite várias leituras, está com você, aluno(a)!
Por isso... “trouxeste a chave”?
As autoras
1
Conceitos e Princípios 
Básicos para o Ensino 
da Língua Portuguesa
Os conceitos e princípios que serão abordados neste capí-
tulo servirão de base para as demais explanações do discurso ao 
longo do presente material, uma vez que a maioria das pessoas uti-
liza as palavras “linguagem”, “língua” e “fala” para designar a mesma 
realidade. Porém, do ponto de vista linguístico, esses termos não 
devem ser confundidos.
É evidente que a distinção que se faz entre “linguagem”, 
“língua” e “fala” tem caráter meramente metodológico, pois esses 
três conceitos revelam aspectos diferentes de um processo amplo, 
a comunicação humana. Isso, provavelmente, explica o motivo por 
que as pessoas empregam essas palavras para designar a mesma rea-
lidade. O enfoque também será dado às variações linguísticas, já que 
no interior de uma mesma língua, há muitas variações.
No entanto, tais assuntos não têm a intenção de se esgo-
tar aqui. Sugere-se o trabalho expansivo a que o conhecimento está 
Fundamentos e Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa
– 8 –
subordinado: a pesquisa para complementar as leituras com textos variados 
sobre o conteúdo, tendo como objetivo proporcionar outras instigantes refle-
xões acerca do ensino da língua materna no cotidiano escolar.
1.1 Linguagem
Atribui-se o nome de linguagem a todo sistema de sinais convencionais 
que permite a realização de atos de comunicação. É o meio pelo qual a expres-
são de sentimentos, ideias, desejos e pensamentos se concretiza, por isso ela 
está presente em todas as atividades humanas. A linguagem se origina da 
necessidade do homem se comunicar com o outro e consigo mesmo, já que é 
impossível transmitir informações mente a mente.
A linguagem é um fenômeno natural equivalente para todos os homens, 
ainda que se manifeste em línguas que se fizeram historicamente desiguais. 
Câmara Jr. (1977, p. 159) propõe a seguinte definição:
linguagem. Faculdade que tem o homem de exprimir seus estados 
mentais por meio de um sistema de sons vocais chamado língua, que 
os organiza numa representação compreensiva em face do mundo 
exterior objetivo e do mundo subjetivo interior.
Assim, observa-se que são bastante estreitos os laços entre pensamento e 
linguagem. O homem desenvolveu sua inteligência graças à linguagem e seu 
aperfeiçoamento. Enquanto o animal, sem linguagem, não evolui, o homem 
tem imensas possibilidades de transformações.
Há inúmeras linguagens: a linguagem dos surdos, a linguagem dos sinais 
de trânsito etc. De acordo com o sistema de sinais que o indivíduo utiliza, 
costuma-se dividir a linguagem em verbal e não-verbal.
 2 Linguagem verbal: é aquela cujos sinais utilizados para atos de 
comunicação são as palavras. A língua utilizada para atos de comu-
nicação é a língua verbal. A palavra verbal provém do latim verbale, 
que, por sua vez, provém de verbu, que significa palavra.
 2 Linguagem não-verbal: é aquela que utiliza para atos de comuni-
cação outros sinais que não as palavras. Por exemplo: o conjunto 
de sinais de trânsito utilizado para orientar motoristas, as bandeiras 
– 9 –
Conceitos e Princípios Básicos para o Ensino da

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