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Distúrbios Respiratórios do Recém-nascido - Pediatria

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INTRODUÇÃO 
 
 
Logo após o nascimento os alvéolos e todo o órgão 
pulmonar está preenchido pelo fluido pulmonar fetal 
(fluido importante para o processo de desenvolvimento 
do órgão → alveolização). Na primeira respiração, o ar 
entra nas vias aéreas e o líquido começa a substituído 
pelo ar. 
 
Valorizar: 
 História materna → fatores de risco 
 Exame físico do bebê 
 
 
 
Reconhecer e identificar o desconforto respiratório é o 
primeiro passo. 
 
 
 
QUADRO CLÍNICO 
Parâmetros objetivos: 
 - Sincronização toráco-abdominal 
 - Gemidos 
 - Batimento de asa nasal 
 - Tiragem IC 
 - Retração esternal 
 
 
 
Classificação do desconforto respiratório – Boletim 
Silverman-Andersen 
 
 
 
 
Escores: 
 1 a 3 → leve 
 4 a 6 → moderado 
 > 7 → grave (insuficiência respiratória) 
 
 
Insuficiência respiratória → mesmo com mecanismo de 
compensação, não consegue manter a saturação 
adequada. 
 
PRINCIPAIS ETIOLOGIAS 
- Causas mecânicas ou mecânica-cirúrgicas 
- Causas cardiovasculares 
- Causas metabólicas 
- Causas pulmonares 
 
 
@laryssa.lemosd 
 
 
AVALIAÇÃO DA CRIANÇA 
Tórax 
Lactente → caixa torácica é circular 
Escolares → formato semelhante ao adulto (aumento do 
diâmetro transversal) 
Perímetro torácico → PT > PC a partir do segundo ano de 
vida 
 
Sistema Respiratório 
• Lactente → nasal, irregular e predominante 
diafragmática (abdominal). Qualquer obstrução nasal 
pode provocar respiração ruidosa. 
• Anatomia do aparelho respiratório dos lactentes, as 
estruturas pulmonares são curtas e estreitas e volume 
torácico pequeno. 
• No RN, o volume do trato respiratório e das estruturas 
associadas ao aumenta, diminuindo infecções graves. 
 
 
DOENÇAS RESPIRATÓRIAS NEONATAIS PRECOCES 
Mecanismo de insuficiência respiratória nas primeiras a 
72 horas de vida: 
 
Imaturidade pulmonar 
 Síndrome do desconforto respiratório 
 
Intercorrências na gestação, parto e nascimento: 
 Síndrome da Aspiração de Mecônio (SAM) 
 Taquipneia Transitória do RN (TTRN) 
 Síndrome escape ar – Pneumotórax 
Hipertensão Pulmonar Persistente Neonatal 
(HPPN) 
 Pneumonias 
 
Alterações no desenvolvimento e crescimento do 
pulmão antenatal – Malformações congênitas 
 Hérnia diafragmática congênita 
 Malformações Adenomatóide Cística 
 Hipoplasia pulmonar 
 Derrame pleural congênito 
 Enfisema lobar Congênito 
 
TAQUIPNEIA TRANSITÓRIA DO RN – TTRN 
Relacionada a presença da persistência do líquido 
pulmonar após o nascimento. 
 
O pulmão e alvéolos estão a todo momento preenchidos 
pelo líquido pulmonar. Esse líquido é produzido 
intraútero por volta da 18ª semana até a 32ª semana, 
sendo nessa etapa a ocorrência do amadurecimento do 
epitélio respiratório (contido no líquido) e produção de 
pneumócitos tipo I. 
 
O líquido pulmonar é importante para a formação das 
vias aéreas distais e expansão pulmonar a partir da 
segunda metade da gestação. Ele retorna pela traqueia 
e faz parte do líquido amniótico. 
 
Dois dias antes do trabalho de parto inicia-se a 
reabsorção de 70% do líquido pulmonar pelas ocitocinas. 
 
Aproximadamente, 10% do líquido pulmonar é expulso 
pela passagem do feto pelo canal de parto, a partir da 
compressão torácica → expulsão do líquido pulmonar 
pela boca e narinas. 
 
Os outros 20% será drenada pela microcirculação e 
linfáticos nas 24 horas após o parto. 
 
 
 
@laryssa.lemosd 
A TTRN ou síndrome do pulmão úmido é caracterizada 
por um desconforto respiratório leve a moderado, 
geralmente de evolução benigna, decorrente de retardo 
na absorção do líquido pulmonar após o nascimento. 
 
Situações que a reabsorção do líquido pulmonar está 
prejudicada: 
- Cesária eletiva sem trabalho de parto 
- Asfixia perinatal 
- Diabetes e asma brônquica materna 
- Policitemia 
 
 
 
Diagnóstico 
• Fatores de risco: 
 Cesárea sem trabalho de parto; 
 Asfixia; 
 Filho de mãe diabética 
Policitemia (restrição de crescimento 
intrauterino) 
 + 
• Quadro clínico: 
Desconforto respiratório (primeiras 6 horas) que 
melhora em 24 a 48 horas 
 + 
• Raio-X de tórax: 
 Aspecto radiológico típico → infiltrado 
respiratório leve radiado e simétrico, espessamento de 
cisuras interlobares e hiper insuflação pulmonar leve a 
moderado (>8 espassos IC). 
 
 
Evolução 
 Evolução benigna x Falência Respiratória 
 
Quadro clínico subestimado nas primeiras horas de vida, 
RN pode evoluir com falência respiratória → hipóxia e 
vasoconstricção → evolução para HPPN. 
 
Conduta 
• Oxigenioterapia se necessário 
 
• Medidas gerais: 
 Hidratação 
 Oferta calórica: dieta ou soroterapia 
 Controle térmico 
Prevenir/tratar complicações, controle 
metabólico 
 
• Aguardar evolução 
 
PNEUMONIAS ADQUIRIDAS INTRAÚTERO OU NO 
CANAL DO PARTO 
Fatores de risco: 
 Infecção materna (ITU/Corioamnionite) 
 TPP por causa desconhecida 
Ruptura precoce e prolongada das membranas 
(>18 horas) 
 TP prolongado 
 Manipulação obstétrica excessiva 
 
Diagnóstico 
 Sinais clínico (exame físico) + evolução 
 
Raio X de tórax: 
 Infiltrados pulmonares 
 Condensação 
 Broncogramas aéreos 
 
 
 
@laryssa.lemosd 
 
Observação! 
Várias doenças com imagens radiológicas semelhantes. 
 
Todo RN com desconforto respiratório por mais de 6 
horas → solicitar raio-x 
 
 
Conduta 
• Oxigenioterapia 
 
• Medidas gerais (igual TTRN) 
 
• Início imediato de antibioticoterapia endovenosa 
Ampicilina (ou Penicilina) + Gentamicina (ou 
Amicacina) 
Tempo: 7 a 10 dias 
 
• Estabilização hemodinâmica 
 
• Suporte ventilatório se necessário 
 
SÍNDROME DA ASPIRAÇÃO DE MECÔNIO - SAM 
Causada pela eliminação de mecônio intraútero e sua 
aspiração. 
 
• Eliminação de mecônio: 
 - Sofrimento fetal 
 - Maturidade 
- Compressão mecânica durante o trabalho de 
parto 
 
• Aspiração de mecônio: 
- Sofrimento fetal → movimentos respiratórios 
tipo gasping 
 - Após o nascimento nas primeiras respirações 
 
Etipatogenia da presença do mecônio nas vias aéreas: 
1. Ação Obstrutiva/Mecânica 
Espesso ou dendo → obstrução de grandes vias aéreas 
Partículas menores → obstrução de vias distais com 
atelectasias 
Frequentemente padrão valvular → permite a entrada 
de ar, mas não permite a saída, causando o 
aprisionamento de ar nas unidades alveolares. 
Áreas hiper insufladas → baro- ou volutrauma 
 
2. Ação inflamatória local do mecônio 
Pneumonite química e necrose celular → pode ser 
agravada por infecção secundária ao longo das horas ou 
dias que RN permanece no quadro. 
Contêm substâncias que induzem agregação plaquetária 
com micro tombos nos vasos pulmonares que libera 
substâncias vasoativas e vasoconstrictoras no leito 
vascular, levando a hipertensão pulmonar. 
Altera a ação do surfactante → inativação do surfactante 
(↓ manutenção da tensão alveolar). 
 
Quadro Clínico: 
 • Presença de mecônio no cordão umbilical, pele, unhas 
e vernix meconioso; 
• Sinais de pós maturidade ou Restrição de crescimento 
intrauterino; 
• Cianose refratária → não responde a oferta de oxigênio 
Irritabilidade; 
• Convulsão; 
• Sinais e sintomas do desconforto respiratório clássico. 
 
Evolução 
A SAM atinge em geral RN a termo ou pós-termo com 
história de asfixia perinatal e líquido amniótico meconial. 
Os sintomas respiratórios são de início precoce e 
progressivo, com presença de cianose grave. 
 
Quando não há complicações – baro/volutrauma e/ou 
hipertensão pulmonar -, o mecônio vai sendo 
gradativamente absorvido, com melhora do processo 
inflamatório e resolução do quadro em 5 a 7 dias. 
 
Critérios de Diagnóstico 
• Antecedente de líquido amniótico meconial 
• Desconforto respiratório 
• Alterações radiológicas 
• Ausência de outras causas que justifiquem o 
desconforto respiratório. 
 
Alterações radiológicas: 
- Comprometimento heterogêneo do parênquima 
pulmonar 
- Atelectasia, hiperinsuflação pulmonar 
- Infiltrado alveolar grosseiro (heterogêneo) 
- Condensação lobar. 
- Enfisema/Pneumotórax/Pneumomediastino 
- Cisurite/derrame pleural 
 
 
 
Complicações 
 Pneumotórax