A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
6 pág.
Pancreatite Aguda - quadro clínico, diagnóstico e tratamento

Pré-visualização | Página 2 de 3

vias biliares, 
espessamento da parede vesicular. 
 
➔ TC DE ABDOME (com contraste IV): Melhor exame de imagem para diagnosticar as lesões 
pancreáticas e estratificar a doença (PADRÃO- OURO). Permite avaliar detalhes da anatomia pancreática 
e tecidos circunvizinhos. Análise feita durante a fase PORTAL do contraste (65-70s após injetar). Indicado 
apenas na PA agrave!! Pacientes com maiores possibilidades de ter complicações. A maioria dos pacientes 
Amanda Coimbra Pires 
tem PA leve, não tem justificativa de fazer TC de abdome. Os achados da tomografia computadorizada 
abdominal (TC) com contraste contrastado da pancreatite edematosa aguda intersticial incluem aumento 
focal ou difuso do pâncreas com aprimoramento heterogêneo com contraste intravenoso. A necrose do 
tecido pancreático é reconhecida como falta de realce após a administração intravenosa de contraste. 
Se realizada três ou mais dias após o início da dor abdominal, a tomografia computadorizada com contraste 
pode estabelecer com segurança a presença e extensão da necrose pancreática e complicações locais 
e prever a gravidade da doença. 
 
➔ RNM e EUS – ultrassom endoscópico: não se mostraram superiores a TC e são mais caros. Estão 
indicados na suspeita de coledocolitíase associada ou alterações estruturais do pâncreas. Tem sido 
preconizado o emprego da RM com CPRM naqueles casos em que está contra-indicada a utilização de 
contraste iodado endovenoso. 
MAS COMO AVALIAR A GRAVIDADE??? Estratificações de risco: 
Escore de Ranson (1974) > defasado para avaliar. Baixo VPP. Considera pancreatite aguda grave o paciente 
com >= 3 pontos. Quanto maior a pontuação maior a mortalidade. Desvantagem em só poder estratificar 
a gravidade após 48 horas da admissão do paciente. Também possui 2 escores diferentes conforme a 
etiologia. 
Escore APACHE II > mais complexo e inespecífico para a PA. Pode ser calculado a qualquer momento e 
pode ser repetido diariamente para analisar a evolução do paciente. VPP e VPN inferiores ao Ranson. 
Índice Tomográfico de BALTHAZAR > estratifica a gravidade (já que a tomografia deve ser feita apenas em 
pacientes graves). 
Atlanta (1992) > diz que PA grave se: complicações locais (necrose, abscesso) ou alguma falência orgânica 
aguda. Não costuma cair nas provas. 
Tem sido valorizada também a dosagem da PCR > PA grave = PCR >= 150 mg/ml, pico 48-72h após início do 
quadro. Esse pico tardio é uma desvantagem, não permite estratificação precoce, mas tem um VPP alto 
para mortalidade, pois maior é a chance de síndrome inflamatória sistêmica. E a dosagem de IL-6 que é 
mais precoce que a PCR, porém é mais cara e menos disponível. 
TRATAMENTO 
➔ AVALIAÇÃO DA SEVERIDADE DA DOENÇA: Na avaliação inicial, a gravidade da pancreatite aguda 
deve ser avaliada por exame clínico para avaliar perdas precoces de fluidos, falência de órgãos 
(particularmente comprometimento cardiovascular, respiratório ou renal),medição da pontuação da 
síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SIRS). 
TESTES laboratoriais para ajudar a estabelecer a gravidade da pancreatite aguda e orientar o 
tratamento: painel metabólico completo, cálcio sérico, hemograma completo, triglicerídeos séricos e 
lactato. Embora a medida da amilase e lipase sérica seja útil para o diagnóstico de pancreatite, não são 
úteis para prever a gravidade da doença, o prognóstico ou a alteração do tratamento. 
 
➔ Indicações para terapia monitorada ou intensiva: 
●Pacientes com pancreatite aguda grave 
●Pacientes com pancreatite aguda e um ou mais dos seguintes parâmetros: •Pulso 150 batimentos / minuto 
•Pressão arterial sistólica 120 mmHg •Frequência respiratória> 35 respirações / minuto •Sódio sérico 170 mmol 
/ L •Potássio sérico 7,0 mmol / L •PaO 2 7,7 •Glicemia sérica> 800 mg / dL •Cálcio sérico> 15 mg / dL •Anúria 
•Coma 
 
Em pacientes com pancreatite aguda grave, o monitoramento por unidade de terapia intensiva e o suporte 
da função pulmonar, renal, circulatória e hepatobiliar podem minimizar as sequelas sistêmicas. 
 
Amanda Coimbra Pires 
A transferência para uma unidade de terapia intensiva ou monitorada pode ser considerada nos seguintes 
pacientes: 
●SIRS persistentes (> 48 horas) ●Hematócrito elevado (> 44%), nitrogênio da uréia no sangue (BUN) (> 20 mg 
/ dL) ou creatinina (> 1,8 mg / dL) ●Idade> 60 anos ●Doença cardíaca ou pulmonar subjacente, obesidade 
 
➔ GESTÃO INICIAL: O tratamento inicial de um paciente com pancreatite aguda consiste em cuidados 
de suporte com ressuscitação hídrica, controle da dor e suporte nutricional. 
 
➔ FUNDAMENTAL EM TODOS OS CASOS: hidratação venosa rigorosa e individualizada. Todo paciente 
com pancreatite deve ser considerado como “se não ta hipovolêmico ainda, vai ficar”. O paciente esta 
anorexo e vomitando, com instabilidade hemodinâmica e vasodilatação periférica acentuada (choque 
distributivo). 
INDIVIDUALIZADA, pois deve ser controlada em pacientes que possuem comorbidades que precisam ser 
monitorizados muitas vezes por acesso central, sonda vesical para monitorar débito urinário, etc. Nos casos 
mais leves a adm de soro por acesso periférico pode suprir. Hidratação a uma taxa de 5 a 10 mL / kg por 
hora de solução cristalóide isotônica (por exemplo, solução salina normal ou solução de Ringer com lactato) 
a todos os pacientes com pancreatite aguda, a menos que fatores cardiovasculares, renais ou outros fatores 
comórbidos relacionados impeçam a reposição agressiva de líquidos . 
A reposição adequada de líquidos pode ser avaliada por uma melhora nos sinais vitais (frequência cardíaca 
objetivo 0,5 a 1 cc / kg / hora) e redução no hematócrito ( meta de 35 a 44 por cento) e uréia por mais de 
24 horas, principalmente se elas fossem altas no início. 
OS SINAIS VITAIS, INCLUINDO A SATURAÇÃO DE OXIGÊNIO... 
➔ Manter SpO2 > 95%, pois no contexto da Sindrome de Disfunção de Múltiplos órgãos e tecidos é 
comum que esses pacientes evoluam com Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo, por lesão da 
membrana alvéolo capilar pela resposta inflamatória, ocasionando a SARA, infiltrados bilaterais e resposta 
aguda hipoxêmica. Pacientes com hipóxia persistente ou progressiva devem ser transferidos para uma 
unidade de terapia intensiva (UTI) para suporte ventilatório. 
 
➔ Fazer ANALGESIA: O controle adequado da dor requer o uso de opiáceos intravenosos, geralmente 
na forma de uma bomba de analgesia controlada pelo paciente. Hidromorfona ou fentanil(intravenosa) 
pode ser usado. O fentanil está sendo cada vez mais utilizado devido ao seu melhor perfil de segurança. A 
preferência é pelos opióides, **meperidina, a morfina pode ser usada, pois não foi demonstrado que o 
espasmo do esfíncter de oddi traga malefícios, não tem evidencias de que aumente a morbimortalidade! 
 
➔ Suporte NUTRICIONAL: pâncreas é um órgão do sistema digestório. Teoricamente não se deveria 
estimular o pâncreas no caso de pancreatite, uma vez que ele está se autodigerindo e isso pode agravar o 
processo. Numa pancreatite aguda LEVE deixa o paciente em dieta ZERO, vai receber o suporte 
hidroeletrolítico e calórico pela veia periférica. Isso pode ser feito na leve, pois espera-se uma melhora do 
paciente dentro de 3-5 dias, são períodos curtos de dieta zero, e não acarreta grandes prejuízos. Após 
redução da dor e inflamação, na ausência de íleo, náusea ou vômito, a alimentação por via oral pode ser 
iniciada precocemente (dentro de 24 horas), se os marcadores inflamatórios estiverem melhorando . 
Geralmente começamos com uma dieta baixa em resíduo, com pouca gordura e macios. 
 
Nos casos grave não dá para fazer a dieta zero, por dois motivos, 1- a história natural é mais prolongada, 
levando de 4-6 semanas (o paciente morreria de inanição); 2- tbm pq esses pacientes por conta da 
síndrome inflamatória de resposta sistêmica encontram-se em estado hipercatabólico; faz-se necessário 
prover suporte nutricional para evitar uma grande degradação