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Pancreatite Aguda - quadro clínico, diagnóstico e tratamento

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muscular (proteólise muscular acelerada, 
inclusive do músculo diafragma causando dificuldade de ventilação, atelctasia de bases, possível 
Amanda Coimbra Pires 
pneumonia nosocomial) e proteólise da musculatura periférica. Fazer suporte nutricional por sonda 
nasojejunal com NP se necessário. 
Alguns autores trazem o uso exclusivo de nutrição parenteral total NPT – propensa a diversas complicações, 
como infecções via cateter; pacientes tem mais distúrbios metabólicos como hiperglicemia, alterações 
eletrolíticas; e o tudo digestivo fica um longo período sem receber algum nutriente, os enterócitos intestinais 
não recebem alimentos de forma adequada (70% da energia dos enterócitos provém das moléculas que 
vem do tubo digestivo), então tem que ter algum alimento chegando pelo tubo digestivo para que não 
haja uma atrofia intestinal formando uma grande porta de entrada para infecções bacterianas 
(translocação bacteriana intestinal), muitas enterobactérias gram – ganham a circulação sanguínea do 
paciente por essa via, podendo fazer complicações sépticas com infecções à distância e maior risco de 
morte tardiamente. Portanto o que deve ser feito é: 
Nutrição preferencialmente ENTERAL (cateter nasojejunal), associando ou não a NP em função da 
adequação enteral; se os especialistas julgarem que o paciente não está tendo suporte adequado apenas 
com a nutrição enteral pode-se ter associada a NP (mista). Mas muitos obtém suporte satisfatório apenas 
com enteral. O cateter não deve ser o nasogástrico para não estimular o suco pancreático pela secretina 
e CCK! 
➔ CONDUTAS QUE CAÍRAM POR TERRA: drogas antiproteases (aprotinina, gabexato) não mostraram 
evidências de diminuir a inflamação sistêmica ou a morbimortalidade; não consegue interromper a resposta 
inflamatória já deflagrada que se autoperpetua, UPTODATE 2020 não recomenda até o momento. ATB 
profilático na necrose > 30% (não muda mortalidade e aumenta o risco de infecção fúngica. Quando há 
suspeita de infecção, os antibióticos devem ser iniciados enquanto a fonte da infecção está sendo 
determinada. No entanto, se as culturas forem negativas e nenhuma fonte de infecção for identificada, os 
antibióticos devem ser descontinuados. 
 
➔ GESTÃO DE CONDIÇÕES SUJEITAS A PREDISPOSIÇÃO: 
→ SITUAÇÕES ESPECIAIS: quando fazer CPRE (colangiopancreatografia retrógrada) na PA dentro de 24 hrs 
da admissão? A literatura só reconhece benefício quando: 
- PA biliar + COLANGITE; 
- obstrução do ducto biliar comum (pedra visível na imagem), ducto biliar comum dilatado; 
- ou aumento dos testes hepáticos sem colangite. 
Salvo essa situações, não deve ser feita, pois pode agravar a pancreatite. 
Em pacientes com pancreatite por cálculos biliares e obstrução persistente sem colangite, a CPRE urgente 
(em 24 horas) não é indicada. Nesses pacientes, a CPRE terapêutica pode ser realizada antes da 
colecistectomia, se houver uma forte suspeita de cálculo no ducto biliar. 
Se a suspeita de cálculos persistentes do ducto biliar comum for baixa (por exemplo, se os testes hepáticos 
normalizarem), é preferível um colangiograma intraoperatório durante a colecistectomia para evitar a 
morbidade associada à CPRE. 
→ COLECISTECTOMIA: indicada para todo paciente com PA biliar. Não fazer na vigência da do quadro 
inflamatório agudo, devido à possibilidade de dano, uma vez que o próprio procedimento cirúrgico pode 
exacerbar a resposta inflamatória sistêmica (REMIT- SÍNDROME DA RESPOSTA ENDÓCRINO METABÓLICA 
INFLAMATÓRIA AO TRAUMA). 
A colecistectomia deve ser realizada após a recuperação em todos os pacientes com pancreatite de 
cálculos biliares, incluindo aqueles que foram submetidos a uma esfincterotomia endoscópica . Em 
Amanda Coimbra Pires 
pacientes que tiveram pancreatite leve, a colecistectomia geralmente pode ser realizada com segurança 
dentro de sete dias após a recuperação. 
-PA biliar leve antes da alta hospitalar; 
-Idosos e com alto risco cirúrgico: pode optar por papilomia endoscópica (CPRE), rompendo as fibras do 
esfíncter de oddi, facilitando a liberação dos cálculos. 
-PA grave pode ter que esperar até 6 sem para cirurgia. Em pacientes que tiveram pancreatite necrosante 
grave, a colecistectomia deve ser adiada até que a inflamação ativa desapareça e as coleções de fluidos 
resolvam ou estabilizem.