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APOSTILA D1 - UN 3

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a utilização dos recursos financeiros, com vistas ao 
atendimento e a realização das ações orçamentárias atribuídas a cada unidade. Como providência inicial da 
execução financeira tem-se a Programação Financeira - PF. 
 
4.4. RESTOS A PAGAR 
Consideram-se Restos a Pagar, ou resíduos passivos, consoante o art. 36 da Lei nº. 4.320/64, as 
despesas empenhadas mas não pagas dentro do exercício financeiro, ou seja, até 31 de dezembro (arts. 35 
e 67 do Decreto nº 93.872/86). Conforme Hélio Kohama, em Contabilidade Pública, Atlas 1991, restos a 
pagar são as despesas empenhadas mas não pagas até o dia 31 de dezembro, distinguindo-se as 
processadas das não-processadas. Portanto, uma vez empenhada a despesa e não sendo paga até o dia 31 
de dezembro, será considerada como restos a pagar, para efeito do encerramento do exercício financeiro. 
Em outras palavras, uma vez empenhada a despesa, ela pertence ao exercício financeiro, onerando as 
dotações orçamentárias daquele exercício. 
 
A limites e Condições para Inscrição em Restos a Pagar 
A regra geral é que as despesas inscritas em restos a pagar a serem liquidadas no exercício 
seguinte deverão contar com disponibilidade de caixa para a sua cobertura, conforme previsto na Lei de 
Responsabilidade Fiscal. A norma prevê ainda que nos dois últimos quadrimestres do último ano da 
legislatura e do mandato do chefe do Poder Executivo não poderá ser assumida obrigação cuja despesa 
não possa ser paga no mesmo exercício, a menos que haja igual ou superior disponibilidade de caixa. De 
acordo com Lei de Crimes Fiscais (Lei n° 10.028/2000), que introduz no Código Penal o art. 359-C, tal 
conduta constitui crime sujeito à reclusão de um a quatro anos. 
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O inciso II do art. 59 da Lei Complementar nº. 101, de 04 de maio de 2000, dispõe que é 
responsabilidade do Controle Interno a fiscalização dos limites e condições a inscrição em Restos a Pagar. 
Em análise simples ao dispositivo da lei, podemos contatar o seguinte: 
• condições para inscrever em restos a pagar = despesa empenhada; 
• limites para inscrição em restos a pagar = existência de disponibilidade financeira por fonte 
de recursos 
 
 
Desta forma a Controladoria Geral, deverá regulamentar por meio de Instrução Normativa as 
regras para inscrição de restos a pagar por fonte de recurso como segue o anexo abaixo: 
 
 
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Anulação e Cancelamento de Restos a Pagar 
A princípio podemos afirmar que a anulação se aplica mais ao rompimento do compromisso 
assumido (rescisão contratual), quando ao cancelamento se dá por ato da administração, como, por 
exemplo, a insuficiência de recursos. 
Assim, o cancelamento dos empenhos ou sua anulação envolve o cancelamento do negócio, aí 
sendo necessária a análise dos fundamentos jurídicos e da formalização do ato rescisório, nas hipóteses em 
que coubesse. 
Caso não estivessem empenhados, não há cogitar-se qualquer hipótese de anulação ou 
cancelamento. Também é regra que empenhos processados (liquidados) não caberiam o cancelamento, 
somente a anulação caso o produto não atender os padrões contratados (isso verificado depois da 
liquidação) e for devolvido. 
O cancelamento ou baixas de restos a pagar ocorrem pelas seguintes razões: pagamento, 
prescrição, conversão em dívida fundada ou outras razões apuradas em processo formal. 
Por Decreto do Chefe do Executivo deverá ser determinado à instauração de processo 
administrativo para anulação do montante dos saldos de empenhos de exercícios anteriores, inscritos em 
restos a pagar, que ainda não foram liquidados ou reclamados. Deverão ser cancelados os empenhos 
emitidos a partir de 01 de maio do exercício anterior, não liquidados, caso não houver disponibilidade 
financeira na fonte específica, com exceção dos empenhos destinados ao atendimento de obrigações de 
natureza constitucional. 
Dentre as medidas a serem adotadas deverá ser a suspensão de todos pedidos e recebimento 
de materiais, medições de obras e de prestação de serviços sem a manifestação formal da Secretaria da 
Fazenda certificando a disponibilidade financeira para liquidação e quitação da despesa, a partir do início 
dos 180 dias que encerrará o mandato. Excluindo dessa regra somente as despesas de caráter 
imprescindível e necessárias à continuidade das ações governamentais. 
Como já mencionado as inscrições de restos a pagar estão limitadas a disponibilidades 
financeiras e deverão ser evidenciadas por fonte de recursos e os empenhos processados e não 
processados. Entende-se como restos a pagar processados aqueles em que a despesa orçamentária 
percorreu os estágios de empenho e liquidação, restando pendente apenas o estágio do pagamento. 
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Já os restos a pagar não processados são as despesas não liquidadas quando o serviço ou 
material contratado não tenha sido prestado ou entregue e que se encontre, em 31 de dezembro do 
exercício financeiro, em fase de verificação do direito adquirido pelo credor ou quando o prazo para 
cumprimento da obrigação assumida pelo credor estiver vigente. 
Os empenhos processados não deverão ser cancelados, quando provado que o fornecedor de 
bens/serviços cumpriu com a obrigação, sendo computada culpa ao Secretário Municipal da Fazenda por 
ter autorizado ato de despesa sem a comprovada disponibilidade financeira. Todas as despesas inscritas 
em restos a pagar serão segregadas entre as processadas e não pagas e as não processadas. 
Os restos a pagar inscritos na condição de não processados e não liquidados terão validade 
definidas no ato de regulamento de gastos em final de mandato. 
Devendo permanecer válidos, após a data estabelecida, os restos a pagar não processados que: 
✓ às despesas executadas mediante transferência de convênios, contrato de repasses ou 
programas de descentralização; 
✓ sejam relativos às despesas do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, do Ministério 
da Saúde e do Ministério da Educação. 
O pagamento que vier a ser reclamado em decorrência dos cancelamentos efetuados poderá 
ser atendido à conta de dotação denominada “despesas de exercício anterior”, no exercício que ocorrer o 
reconhecimento da dívida, mediante processo administrativo interno ou determinação judicial. 
 
Despesas de Exercícios Anteriores 
As despesas não pagas até 31 de dezembro, cujo empenho não foi emitido em favor do credor, 
que por sua vez forneceu o material ou prestou o serviço, e a despesa foi considerada liquidada por ter 
sido cumprido o terceiro estágio correspondente à liquidação, estando na fase de pagamento, não 
podendo ser inscrita em restos a pagar por não ter sido empenhada ou por insuficiência de disponibilidade 
financeira, será classificada como despesas de exercício anterior. No entanto, requer um procedimento 
administrativo, justificável a sua legalidade e legitimidade para que seja processado o empenho no 
exercício corrente. 
As despesas de exercícios anteriores são originadas de compromissos gerados em exercício 
financeiro anterior àquele em que deva ocorrer o pagamento, para o qual o orçamento continha crédito 
próprio com suficiente saldo orçamentário, mas que não tenham sido processados naquele momento. 
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Existem três tipos de despesas orçamentárias podem ser enquadradas como Despesas de 
Exercícios Anteriores. 
• A primeira seria a despesa que possuía dotação orçamentária em exercício já encerrado, mas 
que, por algum motivo, não foi empenhada na época própria. 
• a segunda diz respeito aos Restos a Pagar que foram cancelados, mas que permanece o 
direito do credor em razão de o fornecedor já ter entregado o bem ou serviço, entre outros. 
• a terceira faz referência aos compromissos reconhecidos após o encerramento do exercício 
financeiro correspondente. 
 
A contabilização das despesas de exercícios anteriores deve ser reconhecida pelo ordenador de 
despesa, identificando o nome do favorecido, a importância a ser paga, a data de vencimento

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