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Justiça no Brasil da Velha República aos governos militares

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reunidos no STF.
Esses estudos, portanto, desconstroem a imagem caricata da Primeira República, na qual as
oligarquias rurais tinham um poder supremo sobre todas as instituições e reinavam
olimpicamente diante de uma sociedade civil amorfa e passiva.
Como pudemos perceber, essa caricatura não se sustenta em estudos mais cuidadosos que,
longe de negar o enorme poder das oligarquias cafeicultoras na época, nos mostram um
cenário mais complexo. A justiça, afinal, gozava em tal cenário de alguma autonomia, enquanto
a sociedade civil era uma força relevante nas disputas travadas no campo jurídico.
Essa relevância da sociedade civil fica ainda mais evidente na década de 1920, era marcada
por grande agitação social e pelo desgaste do pacto político que sustentou a Primeira
República.
Você sabia que esse período é chamado de “a grande instabilidade” e que ficou
conhecido por sua grande instabilidade social?
As historiadoras Marieta Ferreira e Surama Conde Sá Pinto (2019) argumentam que esse
período foi marcado por uma grande instabilidade social, econômica e política.
No que se refere ao viés econômico, a década de 1920 foi um período de instabilidade. Seus
primeiros anos são marcados pela baixa dos preços internacionais do café, havendo graves
resultados na economia brasileira, como a alta da inflação e crise fiscal sem precedentes. Mas
também ocorreu uma expansão do setor cafeeiro. Segundo as historiadoras (2019), “passados
os primeiros momentos de dificuldades, o país conheceu um processo de crescimento
expressivo que se manteve até a Grande Depressão em 1929”.
Posteriormente, houve uma diversificação da agricultura, o desenvolvimento das atividades
industriais, a expansão de empresas e o surgimento de novos estabelecimentos ligados à
indústria de base. Esse foi um importante sinal da complexificação da economia brasileira.
Em concomitância a essas mudanças, ocorreu a ampliação dos setores urbanos e o
crescimento das camadas médias da classe trabalhadora, assim como uma ampliação de
interesses das elites econômicas. “Em seu conjunto, essas transformações funcionariam como
elementos de estímulo a alterações no quadro político [questionando] as bases do sistema
oligárquico da Primeira República”, explicam Ferreira e Pinta (2006, p. 1-2).
A grande instabilidade
O ano de 1922 foi emblemático da crise estrutural e do esgotamento do pacto oligárquico
efetivado pela “política dos governadores”. Houve vários eventos de crise nesse ano:
A “reação republicana” que marcou as eleições de 1922, as mais acirradas em muito tempo e
disputadas entre Arthur Bernardes (1875-1955), candidato das oligarquias, e Nilo Peçanha,
representando as oposições.
A revolta de oficiais de baixa patente do Exército realizada no Rio de Janeiro, no Forte de
Copacabana, evento de fundação do “Tenentismo”, que marcou o retorno dos militares a uma
postura de maior intervencionismo político.
A Semana de Arte Moderna realizada em São Paulo, que verbalizou, no plano da estética, as
insatisfações com aquele estado de coisas.
Os conflitos se agudizariam ainda mais nos anos seguintes, resultando em uma ruptura
institucional em 1930, logo depois das eleições presidenciais disputadas entre Júlio Prestes
(1842-1946), candidato das oligarquias dominantes, e Getúlio Vargas (1882-1954), que era da
oposição.
As eleições, expostas a toda sorte de manipulações e fraudes, como era comum na Primeira
República, deram a vitória para Júlio Prestes. No entanto, a frente ampla de opositores —
formada por militares, oligarquias dissidentes e classes médias – chamada de “Aliança Liberal”
não aceitou o resultado e pôs em marcha um levante armado conhecido como “Revolução de
1930”.
Teve início, assim, outro momento da história política e institucional brasileira que ficou
conhecido como “Era Vargas”. Essa era foi caracterizada por profundas transformações
institucionais e jurídicas. É sobre essas transformações que nos debruçaremos no próximo
módulo.
Um especialista falará neste vídeo sobre a transição política entre a Primeira República e o
chamado Período Vargas
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. A HISTÓRIA DA JUSTIÇA E DO DIREITO NA PRIMEIRA REPÚBLICA É
MARCADA PELA DISSONÂNCIA ENTRE A LEGISLAÇÃO E A REALIDADE
SOCIAL E POLÍTICA, O QUE FEZ COM QUE RUI BARBOSA, DESILUDIDO,
TENHA DITO NÃO SER AQUELA A “REPÚBLICA DOS SEUS SONHOS”.
ASSINALE, ENTRE AS ALTERNATIVAS A SEGUIR, A QUE MELHOR
EXPLICA ESSA DISSONÂNCIA.
A) A dissonância se deu porque a legislação, de inspiração socialista, não foi capaz de reverter
os rumos já avançados do capitalismo industrial brasileiro.
B) A dissonância se deu porque a legislação, monarquista, não foi capaz de reverter os
costumes políticos republicanos difundidos na população.
C) A dissonância se deu porque a legislação, de inspiração liberal, não foi capaz de regular os
costumes políticos oligárquicos, autoritários e violentos.
D) A dissonância se deu porque a legislação, de inspiração oligárquica, não foi capaz de
regular costumes políticos liberais e democráticos.
E) A dissonância se deu porque a legislação, de inspiração fascista, não foi capaz de regular
costumes políticos liberais e democráticos.
2. O FEDERALISMO FOI UM DOS PRINCIPAIS VALORES AFIRMADOS
PELA CONSTITUIÇÃO REPUBLICANA DE 1891. APONTE A ALTERNATIVA
QUE MELHOR DEFINE O FEDERALISMO E A FORÇA POLÍTICA DESSE
PRINCÍPIO NAQUELA CONJUNTURA.
A) O federalismo consiste na sobreposição do poder central aos poderes locais, o que atraía
bastante as elites fluminenses, as mais poderosas do período em virtude da agroexportação de
tabaco.
B) O federalismo consiste na sobreposição dos poderes locais ao poder central, o que atraía
muito as elites paulistas, as mais poderosas do período em virtude da agroexportação de café.
C) O federalismo consiste na sobreposição do poder central aos poderes locais, o que atraía
muito as elites fluminenses, as mais poderosas do período em virtude da agroexportação de
açúcar.
D) O federalismo consiste na sobreposição do poder central aos poderes locais, o que atraía
muito as elites paulistas, as mais poderosas do período em virtude da agroexportação de
tabaco.
E) O federalismo consiste na igualdade entre poder central e poderes locais, o que atraía muito
as elites fluminenses, as mais poderosas do período em virtude da agroexportação de tabaco.
GABARITO
1. A história da justiça e do direito na Primeira República é marcada pela dissonância
entre a legislação e a realidade social e política, o que fez com que Rui Barbosa,
desiludido, tenha dito não ser aquela a “república dos seus sonhos”. Assinale, entre as
alternativas a seguir, a que melhor explica essa dissonância.
A alternativa "C " está correta.
 
A inspiração da legislação brasileira ao longo da Primeira República foi o liberalismo norte-
americano, que não foi capaz de disciplinar os costumes políticos oligárquicos.
2. O federalismo foi um dos principais valores afirmados pela Constituição republicana
de 1891. Aponte a alternativa que melhor define o federalismo e a força política desse
princípio naquela conjuntura.
A alternativa "B " está correta.
 
O federalismo fortaleceu os poderes locais em detrimento do poder central, o que atraía muito
as elites paulistas envolvidas com a agroexportação de café, já que elas desejavam autonomia
administrativa para defender seus interesses.
MÓDULO 2
 Identificar o aparato jurídico desenvolvido na Era Vargas (1930-1945)
TRANSFORMAÇÕES NA JUSTIÇA, NO
DIREITO E NAS LEIS DURANTE OS
GOVERNOS DE GETÚLIO VARGAS
 
Autor: Domínio público. Fonte: Wikimedia Commons / Licença (CC BY 3.0...)
 Getúlio Vargas, presidente do Brasil entre 1930 e 1945 e de 1951 a 1954.
O político gaúcho Getúlio Vargas governou o Brasil em duas ocasiões:
 
1930-1945:
O período conhecido como a “Era Vargas” foi caracterizado por profundas transformações
jurídico-institucionais na estrutura do Estado brasileiro.
 
1951-1954:
Na segunda ocasião, houve um “governo democrático”.

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