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Justiça no Brasil da Velha República aos governos militares

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nos órgãos estatais, constitui o centro do trabalho intelectual desenvolvido pelo autor.
Foi com essa visão que ele pôde desenvolver sua defesa do Estado Novo nos seguintes livros:
Problemas de direito corporativo (1938); O idealismo da Constituição (1939), em sua segunda
edição; e, por fim, Problemas de direito sindical (1943).
O Estado novo foi arquitetado como um regime autoritário e modernizador que deveria durar
muitos anos. No entanto, seu tempo de vida acabou sendo curto, não chegando a completar
oito anos.
Os problemas do regime resultaram mais da inserção do Brasil no quadro das relações
internacionais que das condições políticas internas do país. Essa inserção impulsionou as
oposições e abriu caminho para divergências no interior do governo.
Após a entrada na guerra, personalidades de oposição começaram a explorar a contradição
existente entre o apoio do Brasil às democracias e a ditadura de Vargas. No âmbito do
governo, pelo menos, uma figura se mostrou francamente favorável a uma abertura
democrática: Oswaldo Aranha (1894-1960), então ministro das Relações Exteriores.
 RESUMINDO
Segundo o historiador Antônio Mendes Almeida (1997, p. 228), a situação vivida era
contraditória, uma vez que, no próprio país, havia situações semelhantes às combatidas na
guerra. Sendo assim, “a luta da força expedicionária brasileira nos campos europeus deveria
ser complementada a nível interno por uma luta contra a ditadura getulista”.
O desmonte do aparelho repressor foi marcado por importantes transformações jurídico-
institucionais. Destacaremos seis delas a seguir:
Convocação de eleições gerais para dezembro de 1945.
O retorno do sistema partidário, agora formado por partidos nacionais.
União Democrática Nacional (UDN), composta pelos adversários de Getúlio Vargas.
Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), que contava com a proteção política de Vargas.
Partido Social Democrático (PSD), formado por político que apoiavam Vargas.
Partido Comunista Brasileiro (PCB), sob a liderança de Luís Carlos Prestes.
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RETORNO À DEMOCRACIA
 
Foto: Wikimedia commons
 Posse de Eurico Gaspar Dutra como presidente da República, Autor Desconhecido.
Aparentemente colaborando com a transição democrática, Getúlio Vargas autorizou a
formação das chapas que concorreriam às eleições de 1945. Eram três os principais
candidatos:
Brigadeiro Eduardo Gomes (1896-1981). Candidato pela UDN
General Eurico Gaspar Dutra (1883-1974).
Candidato pela coligação
PTB/PSD
Iedo Fiuza (1894-1975), que contava com o apoio formal
de Getúlio Vargas.
Candidato pelo PCB
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A oposição pressionou até que, em 30 de outubro de 1945, Getúlio Vargas foi intimado por
uma junta militar a renunciar. A presidência da República foi entregue interinamente a José
Linhares, então ministro do STF.
Dessa maneira, todo o processo de redemocratização, incluindo a Constituição de 1946, se
daria sem a presença de Getúlio Vargas. No entanto, Eurico Gaspar Dutra, seu ungido, venceu
a eleição presidencial de 1950, demonstrando que, mesmo exilado em sua fazenda no interior
do Rio Grande do Sul, o ex-ditador ainda contava com grande força política.
 
Fonte: Shutterstock.com
 Selo impresso pelo Brasil mostra Getúlio Vargas e João Pessoa por volta de 1930.
As principais características do governo de Eurico Gaspar Dutra foram a promulgação da
Constituição de 1946, que restabeleceu o modelo da democracia liberal burguesa vigente antes
de 1930. Isso reduziu o poder do Estado, aboliu a representação classista e promoveu o
acirramento da Guerra Fria e a cassação do registro do PCB .
Com a promulgação da nova Constituição, completou-se o processo de redemocratização. O
Brasil voltava a ser formalmente uma democracia liberal burguesa, dando início ao período
conhecido como “experiência democrática”. Esse período se estendeu até 1964, quando a
democracia brasileira foi vítima de outra intervenção golpista.
Entre 1945 e 1954, a cena política brasileira foi marcada pelo conflito entre dois modelos de
desenvolvimento.
De um lado, aquilo que se convencionou chamar de “entreguismo”, representado, sobretudo,
pela UDN e baseado na proposta de promover o desenvolvimento nacional graças à
associação com os capitais internacionais. Do outro, estava o que aprendemos a chamar de
“nacional-desenvolvimentismo”, que propunha um desenvolvimento nacional independente do
capital externo.
Buscava-se uma base na indústria pesada, no melhoramento da infraestrutura produtiva do
país e na aliança com os trabalhadores urbanos.
 
Autor: Agência Brasil. Fonte: Wikimedia Commons / Licença (CC BY 3.0...)
 Eurico Gaspar Dutra, presidente do Brasil (1946-1951).
Os conflitos entre esses dois projetos de desenvolvimento se deram nos quadros da Guerra
Fria. O relacionamento entre os militares e a política foi outro elemento de instabilidade nas
relações políticas do período.
Getúlio Vargas retornou à cena política em 1950, quando disputou e venceu as eleições
presidenciais. Chefiando um governo de coalizão, que contou até com o apoio de lideranças da
oligarquia paulista, como Ademar de Barros, Vargas tentou lavar sua imagem, livrando-se da
pecha de ditador e agindo como um líder democrático.
 ATENÇÃO
Vale ressaltar que Vargas não abandonou a agenda econômica nacionalista, industrializante e
sensível aos direitos dos trabalhadores urbanos. O ano de 1953 foi emblemático dessa agenda
por conta da fundação da Petrobras, empresa estatal cuja finalidade era monopolizar a
exploração do petróleo, e da inserção do 13° salário no conjunto das leis trabalhistas.
A atuação do governo contrariou interesses internacionais e do próprio empresariado nacional,
radicalizando os conflitos herdados da década de 1930, o que levou à crise do suicídio de
Getúlio Vargas no ano de 1954.
Nos dez anos seguintes, a instabilidade política cresceria ainda mais, resultando no golpe civil-
militar de 1964, que instaurou a ditadura militar no Brasil. Verificamos que, ao longo de seus
vinte e um anos de existência, esse regime montou uma estrutura jurídica autoritária e fez da
justiça uma arma contra os direitos humanos fundamentais.
CONTINUIDADES DA JUSTIÇA A PARTIR
DA REDEMOCRATIZAÇÃO: DESAFIOS E
MANUTENÇÕES
Um especialista abordará neste vídeo as continuidades da justiça desde a denominada
redemocratização.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. TODA A LEGISLAÇÃO POSTA EM PRÁTICA ENTRE 1930 E 1934 PODE
SER LIDA A PARTIR DA NOÇÃO DE “ESTADO DE COMPROMISSO”,
FORMULADA PELO HISTORIADOR BORIS FAUSTO. ASSINALE, ENTRE
AS ALTERNATIVAS A SEGUIR, AQUELA QUE MELHOR EXPLICA ESSA
AFIRMAÇÃO.
A) A noção de “Estado de compromisso” formulada por Boris Fausto remete à hegemonia
militar nos primeiros anos do governo de Getúlio Vargas. Nesse sentido, toda a legislação
aprovada no período atendeu diretamente ao projeto de nação desenvolvido pelos “tenentes”.
B) A noção de “Estado de compromisso” formulada por Boris Fausto remete à hegemonia das
oligarquias dissidentes nos primeiros anos do governo de Getúlio Vargas. Nesse sentido, toda
a legislação aprovada no período atendeu diretamente ao projeto de nação desenvolvido pelas
oligarquias dissidentes.
C) A noção de “Estado de compromisso” formulada por Boris Fausto remete à hegemonia da
oligarquia paulista nos primeiros anos do governo de Getúlio Vargas. Nesse sentido, toda a
legislação aprovada no período atendeu diretamente ao projeto de nação desenvolvido em São
Paulo.
D) A noção de “Estado de compromisso” formulada por Boris Fausto remete à hegemonia das
oligarquias católicas nos primeiros anos do governo de Getúlio Vargas. Nesse sentido, toda a
legislação aprovada no período atendeu diretamente ao projeto de nação desenvolvido pela
Igreja Católica brasileira.
E) A noção de “Estado de compromisso” formulada por Boris Fausto remete aos esforços do
governo de Getúlio

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