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Disciplina: Geografia da População
Aula 5: Políticas Populacionais
Apresentação:
Nesta aula, discutiremos o que é uma política pública, tendo como foco principal as políticas
populacionais. Em sociedades multifacetadas e desiguais territorialmente, as políticas refletem os
desejos e os embates que existem entre os setores da sociedade.
Uma política populacional não pode ser considerada sinônimo de controle de natalidade ou de redução
populacional, principalmente em países nos quais o crescimento populacional é zero ou negativo.
Decorrentes de realidades distintas, os fluxos migratórios pressionam populações e governos para
elevação das taxas de natalidades, uma vez que a população de um país pode ser um fator de
soberania territorial e salvaguarda de valores culturais.
Objetivos:
Examinar a formulação de uma política populacional como interesse de grupos socioeconômicos
específicos;
Analisar a relação entre as políticas populacionais e o modelo econômico dos Estados;
Identificar as políticas populacionais implementadas por alguns países e suas consequências para
as populações nacionais.
Políticas populacionais
Um dos mais prestigiados geógrafos da atualidade, o francês Claude Raffestin, afirma que para
os Estados a população pode ser considerada um recurso ou um não recurso.
Esse autor afirma que a contagem populacional, nos seus primeiros momentos ainda no século
XVIII, tinha como objetivo conhecer os recursos humanos com que o Estado podia contar
sobretudo na ocupação e na defesa de seu território. Atualmente, o objetivo da contagem da
população não é somente o da estratégia bélica, mas também o do planejamento do
desenvolvimento econômico em seu amplo aspecto.
Conhecer o tamanho de sua população e o ritmo de crescimento ou de encolhimento possibilita
a formulação de políticas públicas buscando resolver problemas já existentes, como, entre
outros:
superpopulação;
desabastecimento alimentar;
vazios populacionais;
desequilíbrio entre os sexos;
estrutura demográfica da população.
 Divisão de população. (Fonte: Shutterstock)
Esses dados também são essenciais para o planejamento futuro, como
se precaver de problemas previdenciários advindos do envelhecimento
da população.
Tanto o planejamento futuro quanto a possibilidade de melhorar a realidade da população
demandam a formulação de políticas populacionais que podem estimular o crescimento ou o
controle da natalidade.
A população pode ser considerada um recurso quando a estrutura demográfica está equilibrada
e a PEA produz riqueza para o desenvolvimento do país. Entretanto, uma população de grandes
dimensões, como a da China ou a da Índia, pode ser considerada um não recurso, pois
demanda grandes investimentos públicos em educação, saúde, infraestrutura, segurança
alimentar.
Esses grandes investimentos podem ser fatores limitantes do crescimento econômico e social do
conjunto da população. Com base nessa abordagem, as políticas populacionais . são
formuladas.
 Ruas movimentadas na Índia (Fonte: Shutterstock)
Conceituando a política populacional
As sociedades atuais são multifacetadas. Ou seja, são compostas de indivíduos de diferentes
origens, níveis sociais, econômicos, profissões, com orientações políticas partidárias distintas,
entre outros. Os interesses são múltiplos. A política é a arte de compatibilizar os diversos
interesses.
Quando uma demanda de um grupo ou setor da sociedade, ou do meio ambiente, assume
proporções que a colocam em evidência, ela pode vir a se tornar o objeto da ação política.
Dessa forma, essa demanda pode entrar na agenda de debates do governo e se transformar no
alvo de uma política pública ..
E o que são políticas públicas?
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Instrumentos utilizados pelo Estado visando equilibrar as demandas e os interesses dos
diferentes grupos internos.
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A importância da formulação de políticas públicas está diretamente conectada à capacidade dos
Estados em mediar os interesses dos diversos setores da sociedade.
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Buscam resolver os desajustes que podem ocorrer entre um setor e os outros, ou ainda entre
um setor e sociedade global.
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Têm a importância de solucionar problemas públicos.
Por que uma política deve ser chamada de
pública?
Para uma política ser chamada de pública ela deve cumprir alguns requisitos.
Deve poder ser aplicada por todo o conjunto do público-alvo. Exemplo: se há uma política
pública de combate a uma determinada doença infantil, todo o conjunto das crianças, na
faixa etária determinada, deve ser vacinado, sem distinção. Uma política pública não pode
discriminar uma parte do público-alvo por motivo algum;
Deve ter uma intencionalidade, uma motivação para a solução de um problema público, da
sociedade, e não uma demanda privada.
Dentro dessa perspectiva, a identificação entre políticas públicas e ações
governamentais faz-se quase imediatamente. Para cada política
formulada, para cada setor da sociedade, estará implícita uma série de
medidas a serem colocadas em prática. Nesse momento, as políticas
públicas tornam-se objeto de estudo da Geografia.
As políticas públicas se configuram como objeto de estudo da Geografia devido ao fato de toda
política pública ser territorializada. Seja uma política pública econômica, educacional, de saúde,
habitacional ou de controle da natalidade, sempre haverá um impacto na organização do
território, que pode ser positivo, gerando melhor justiça espacial e social, ou negativo quando
há um aprofundamento das desigualdades já existentes.
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Exemplo
A política de higienização dos espaços e vacinação das pessoas, no início do século XX,
conduzida por Oswaldo Cruz. Essa foi uma política pública voltada para o controle de várias
epidemias, principalmente as de varíola e febre amarela, que teve impactos espaciais
relevantes. Um deles foi a remoção de comunidades carentes do centro do Rio de Janeiro -
naquele momento, a capital da nova República do Brasil, com a justificativa de serem
insalubres.
 Caricatura de Oswaldo Cruz limpando a imundície do
Morro da Favela. (Fonte: autor desconhecido. Disponível em
https://goo.gl/FbbfDN <https://goo.gl/FbbfDN> .
Acesso em: 28 mar. 2018)
Políticas demográficas
https://goo.gl/FbbfDN
São políticas públicas que visam controlar as taxas de natalidade de um país. Altas taxas de
natalidade podem fazer com que os Estados tenham que investir grande parte de seu PIB nos
setores de saúde e educação, impossibilitando os investimentos em setores produtivos como a
geração de energia, transporte, indústria, entre outros, dentro de uma perspectiva
neomalthusiana, como estudamos na aula 2.
No entanto, as políticas demográficas podem ser voltadas para o estímulo ao crescimento das
taxas de natalidade de uma população. Países de população envelhecida, como alguns
europeus, percebem a necessidade de estimular o crescimento da natalidade devido à
necessidade de aumentar a população em idade produtiva, geradora de riquezas necessárias
para sustentar os jovens em idade escolar, bem como o grande percentual de idosos, como
estudado na aula 4.
Estado e políticas populacionais - populoso
X povoado
O debate sobre o impacto das políticas demográficas na organização do espaço foi muito
importante nas décadas de 1960 e 1970 em praticamente todas as regiões do planeta.
Brasil
No Brasil, com grandes partes do seu território ainda desocupadas e consideradas vazios
demográficos, e em processo de industrialização, esse debate foi particularmente intenso.
No final da década de 1960, setores da sociedade brasileira se uniram para combater as ideias
dos neomalthusianos, consideradas contrárias ao desenvolvimento nacional.
 População brasileira.
Houve crítica forte, em vários setores da sociedade, sobre qualquer tipo de controle de
natalidade . desenvolvido no Brasil.3
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A Igreja Católica sempre se posicionava contra a utilização