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forçados e abandonos de bebês.
Os problemas de abandono de crianças e a eliminação dos fetos e bebês do sexo feminino foram
tão acentuados que o governo chinês, após alguns anos, flexibilizou a política do filho único
permitindo que, na área rural, caso o primeiro filho fosse do sexo feminino, a família pudesse
ter um segundo bebê. As minorias étnicas também tinham a possibilidade de ter um segundo
filho.
No início do século XXI, a taxa de fecundidade da mulher chinesa atingiu o patamar de 1,5 filho
por mulher em idade fértil - menos do que o proposto pelo professor Paul Ehrlich, no início da
década de 1970.
Pesquisadores e demógrafos afirmam que a China, entre 1979 e 2015, impediu, com a política
do Filho Único, o nascimento de 400 milhões de chineses, ou seja, quase duas vezes a
população do Brasil. Dessa forma, sem ter que investir uma grande soma de recursos na
formação desses jovens, a China conseguiu tirar quase um bilhão de pessoas da pobreza
extrema, investiu pesadamente em tecnologia industrial e em infraestrutura e se transformou
na segunda economia do planeta.
 Mãe chinesa com seu bebê.
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Comentário
Atualmente, a Política do Filho Único não existe mais. Em 2015, a China encerrou essa
política devido a alguns efeitos perversos dessa política. O que impacta mais fortemente a
economia é o envelhecimento da população e a diminuição do número de pessoas em
idade ativa.
Na China, o problema é ainda mais grave porque não há uma política de seguridade social e
previdência universal. Ou seja, não há um sistema de aposentadoria que atinja toda a
população e são os mais jovens que sustentam os mais idosos. Com a elevação do número de
idosos e a diminuição do número de pessoas em idade ativa, não haverá recursos para garantir
a qualidade de vida de milhões de idosos em um futuro próximo.
desequilíbrio entre o número de homens e o número de mulheres ainda existe.
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Em 1950 havia na China 65,2 milhões de homens na idade entre 20 e
34 anos e 59,2 milhões de mulheres na mesma idade. Uma diferença
de quase 6 milhões de potenciais maridos em relação às potenciais
esposas. Em 1980, antes do início efetivo da política de filho único, a
diferença era de 6,6 milhões de homens em relação às mulheres de
20 a 34 anos. Em 2015, o desequilíbrio já tinha passado para 13,4
milhões e em 2040 deverá haver 17,4 milhões de homens em idade
de casar em relação ao número de mulheres da mesma idade.
ALVES, 2016.
 Mudanças na composição etária da população Chinesa de
1950 a 2015. Fonte: Reuters. (Fonte: https://goo.gl/fXdwFz
<https://goo.gl/fXdwFz> . Acesso em: 28 mar. 2018)
Esse fato, mesmo com o fim da Política do Filho Único, fará com que a taxa de crescimento
demográfico não se recupere imediatamente, como é, nesse momento, o desejo do governo
chinês.

Atenção
https://goo.gl/fXdwFz
Outro fato que dificulta a recuperação das taxas de natalidade na China é o fato de que as
mulheres, nas últimas décadas, entraram pesadamente no mercado de trabalho, sobretudo
nas áreas urbanas da China. Dessa forma, o filho único passa a ser uma escolha familiar,
como em todos os países desenvolvidos e em desenvolvimento, e não mais uma imposição
do governo chinês.
Atividade
1. ONU propõe controle demográfico para combater aquecimento global
Menor crescimento da população mundial pode reduzir as emissões de gases estufa, afirma
relatório das Nações Unidas. Documento prioriza acesso das mulheres ao planejamento
familiar e a métodos contraceptivos.
Fonte: DW – Made for Minds. Disponível em https://goo.gl/oyADVb
<https://goo.gl/oyADVb> . Acesso em 28 jan. 2018.
A queda no ritmo de crescimento demográfico é uma realidade mundial. Mas, nos
continentes em que as taxas de crescimento populacional ainda se apresentam elevadas, a
solução dada são as políticas de controle de natalidade. Será que os problemas como os
citados na reportagem não são apenas desculpas para a implementação de políticas de
inspiração malthusianas?
https://goo.gl/oyADVb
2. Por futuro melhor, jovens de Serra Leoa procuram planejamento familiar
Em Serra Leoa, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) apoia o planejamento
familiar, inclusive por meio de barcos em áreas remotas.
Fonte: ONU Brasil, 2017. Disponível em https://goo.gl/SdFg8P
<https://goo.gl/SdFg8P> Acesso em 28 jan. 2018.
Planejamento familiar não pode ser confundido com políticas de controle de natalidade. A
diferença entre o planejamento familiar e o controle de natalidade reside no(a):
 a) Na imposição de métodos contraceptivos, no caso do planejamento familiar.
 b) Na liberdade de escolha da configuração familiar, no caso do controle de natalidade.
 c) Na existência de medidas punitivas, no caso do controle de natalidade.
 d) Na existência de políticas educativas e de esclarecimento, no caso do controle de
natalidade.
 e) Na imposição da configuração familiar, no caso do planejamento familiar.
https://goo.gl/SdFg8P
3. População envelhece e China revê controle de natalidade
O temor dos especialistas é de que o aumento no número de idosos, aliado à baixa taxa de
natalidade, emperre o robusto crescimento econômico vivenciado pelo país nos últimos
anos. Nos últimos dez anos, a população chinesa com idade igual ou superior a 60 anos
aumentou 3,3%, englobando agora 13,3% de todos os habitantes do país asiático.
Fonte: Revista Veja, 28/04/2011. Disponível em https://goo.gl/MYAYoh
<https://goo.gl/MYAYoh> . Acesso em 28 jan. 2018.
Analise as frases sobre a política chinesa de controle da natalidade.
I. Desde o início da década de 1980, o governo chinês implementou uma rígida política de
controle da natalidade que restringiu os nascimentos a um único filho por mulher.
II. Desde o início da década de 1980, o governo chinês implementou uma política de
controle da natalidade que permitia, mediante um pagamento ao Estado, que a mulher
tivesse um segundo filho.
III. Desde o início da década de 1980, o governo chinês implementou uma rígida política
de controle da natalidade que teve como consequência a queda da natalidade e o
envelhecimento da população.
Estão corretas as frases:
 a) I, apenas.
 b) II, apenas.
 c) I e II, apenas.
 d) I e III, apenas.
 e) II e III, apenas.
https://goo.gl/MYAYoh
4. As políticas populacionais podem ter como objetivo tanto o incentivo à natalidade
quanto o controle do número de filhos por mulher. No caso das políticas de incentivo à
natalidade, os países ou regiões que mais investem recursos com esse propósito são:
 a) Os europeus devido ao envelhecimento de suas populações e à necessidade de
aumentar a população economicamente ativa.
 b) Os Estados Unidos para defender suas tradições culturais e combater a forte migração
de latinos para o seu território.
 c) Os latino-americanos que estão passando pelo processo de transição demográfica sem
terem suas economias estabilizadas.
 d) Os asiáticos que possuem populações muito pequenas ou em processo de
envelhecimento.
 e) Os africanos que estão perdendo muita população devido à migração para outros
países.
Notas
Política Pública
segundo especialistas, política pública é tudo o que os governos decidem fazer ou não fazer. Uma
política pública se difere de uma política privada por abranger todo o conjunto da população e, quando
necessária, ser impositiva.
Políticas populacionais
Políticas públicas que visam restringir ou estimular as taxas de fecundidade e de natalidade de
determinada população.
Controle de natalidade
Políticas impostas pelos governos limitando o número de filhos por mulher, promovendo uma drástica
redução da taxa de natalidade e a diminuição da população.
Referências
ALVES, José Eustáquio Diniz. As políticas populacionais e os direitos reprodutivos: "o choque de
civilizações" versus progressos civilizatórios. In: CAETANO, A. J.; ALVES, J. E. D.; CORRÊA, S.
(Orgs.), Dez anos do Cairo: tendências da fecundidade e direitos reprodutivos no Brasil. Campinas:
Abep e UNFPA, 2004.
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CAMARANO, Ana Amélia. Os novos idosos brasileiros: muito além dos 60. Rio de Janeiro:

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