A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
3 pág.
Resumo do filme "Menina de Ouro"

Pré-visualização | Página 1 de 1

Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Centro de Ciências da Saúde
Departamento de Enfermagem
DISCIPLINA: ÉTICA e BIOÉTICA
 Período 2020. 3
Resumo Reflexivo do Filme - Menina de Ouro
Nome: Maria Améllia Lopes Cabral Data: 15/07/2020
De acordo com a visualização do filme, discorra um texto reflexivo que aborde as questões discutidas no vídeo a luz do referencial ético discutido em sala.
O filme estadunidense chamado “Menina de Ouro” de 2004, tendo como protagonistas os atores Clint Eastwood, Morgan Freeman e Hilary Swank, interpretando respectivamente os personagens Frankie Dunn, Eddie Scrap-Iron Dupris e Maggie Fitzgerald, é uma obra que trata de forma singela e linear importantes aspectos da vida, como por exemplo, a perseverança, a determinação, a força, a superação, as ligações das pessoas e até mesmo a dignidade da morte.
	Inicialmente, no longa-metragem, é possível conhecer o hábil treinador de boxe, Frankie Dunn, dono de uma academia de luta que já treinou muitos campeões. Frankie é um homem retraído e obstinado, consumido pelo afastamento de sua filha, mantém aproximação apenas com seu único e fiel amigo Eddie Scrap-Iron Dupris, ex-boxeador que, depois de uma longa carreira, mora e cuida da academia onde um dia já foi aluno. Nesse meio tempo, entre treinos com grandes lutadores e consecutivas vitórias, na academia surge a personagem Maggie Fitzgerald, uma mulher de 31 anos que sonha em ser boxeadora profissional e inclusive, abdica de muitas coisas para realizar tal intento, incluindo sua cidade natal, e mesmo assim, enfrenta muitos obstáculos até que Frankie aceite treiná-la, como a dificuldade financeira e o preconceito. 
	Pelo fato de ser uma mulher, por ter mais de 30 anos e por não ter suas habilidades corretamente lapidadas ainda, Frankie se recusa inúmeras vezes de treiná-la, mas, seu amigo, Scrap, acaba ajudando Maggie com alguns conceitos básicos de luta e Frankie resolve finalmente ensiná-la boxe. Aliada à determinação e coragem de Maggie, a inegável persistência de Frankie na lutadora a tornou uma campeã em todas as lutas que ela concorria, e com isso, no decorrer do tempo, os dois criam um laço fraternal muito forte, pois, tinham muito em comum, visto que, Maggie tem uma família de base desestruturada e acaba sendo solitária também, então, Frankie torna-se seu único companheiro de boxe e de vida, priorizando sempre a proteção dela.
	Infelizmente, no auge de sua carreira, Maggie sofre um grave incidente que lesiona suas vértebras cervicais e compromete sua medula espinal, consequentemente, deixando-a tetraplégica e freando seu grande sonho de continuar sendo uma boxeadora profissional. Neste contexto, sua família apenas demonstra interesse por seu dinheiro, desrespeitando totalmente seu estado de vulnerabilidade, então, mais uma vez, Frankie faz-se seu porto seguro. No contexto do hospital, Maggie respira por meio de aparelhos e seu quadro clínico só piora, uma vez que, precisa amputar uma das pernas devido às ulcerações provocadas pela imobilidade de seu corpo. 
	Diante dessa conjuntura, Maggie não vê mais sentido em continuar sua vida, e decide que deseja terminá-la com as boas lembranças que teve nos ringues de luta por onde passou, pois, segundo ela, todos seus objetivos foram alcançados, sendo assim, ela faz um pedido muito importante ao seu companheiro Frankie: que ele desligue os respiradores e abrevie a vida dela para que cesse com seu contínuo sofrimento. 
	Apesar de Frankie sofrer em ver a situação que a ex-aluna se encontrava, ele primariamente recusou seu pedido porque desejava viver mais tempo ao lado dela e não queria se despedir, porém, Maggie insistiu e até mesmo provocou machucados nela mesma para sensibilizar Frankie e então ele acabou cedendo e provocando a digna morte de sua fiel companheira. 
Desse modo, apesar do filme não ser polêmico ao ponto de trazer um assunto como “os benefícios e malefícios da prática da eutanásia”, ele provoca a reflexão de até onde uma pessoa pode interferir na decisão da vida do outro, seja ela um familiar ou um profissional da saúde, pois, sabe-se que com a dinamização da tecnologia na medicina e com o passar do tempo na história, a morte tem sido um tabu que se deseja ser evitado e distanciado a todo custo, porém, com essa prática, muitas vezes podemos observar ao nosso redor casos parecidos com o de Maggie, em que o paciente não tem um potencial real de melhora e mesmo assim aparelhos os mantém vivo biologicamente, ignorando sua saúde psíquica e desrespeitando sua autonomia, ou seja, levando a prática da distanásia, que nada mais é do que a obstinação terapêutica, ou melhor dizendo, são atos médicos excessivos e fúteis que apenas prolongam a vida de forma quantitativa mas não qualitativa, aumentando o processo da dor e sofrimento físico e psicológico na morte. 
Logo, o que o personagem Frankie promoveu à Maggie, foi justamente o contrário deste conceito, ou seja, ele abreviou a vida de alguém que estava sofrendo intensamente, simplesmente por compaixão, expressando sua morte sem dor ou sofrimento, diminuindo seu processo agônico e respeitando a autonomia e liberdade de Maggie de dispor sobre a própria vida, em outras palavras, Frankie praticou a eutanásia. Por conseguinte, a partir desta análise faz-se notório perceber que a medicina é necessária sempre que pode aliviar o sofrimento humano e curar o que é possível, porém, deve-se ter ciência de que além do direito à vida, todas as pessoas devem ter a liberdade de dizer adeus à ela com dignidade, pois a finitude humana é biológica e inevitável e distanciar-se dela de forma distanásica, prolongando indevidamente o processo de morrer, é o mesmo que desprezar a independência dos indivíduos e causar-lhes danos físicos e psicológicos que são escusáveis.

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.