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APOSTILA II DE CLINICA DE GRANDES ANIMAIS II

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Julia Silva
 
APOSTILA II DE CLINICA DE GRANDES ANIMAIS II
Medicina Veterinária – Afecções Sistema Locomotor de Equinos
SANTOS, J. S.
1. BIOMECÂNICA DAS CLAUDICAÇÕES
Vista dorsal: tendão extensor digital longo e lateral 
Vista: lateral: ligamento suspensório, ligamento acessório/anular, tendão flexor digital profundo e tendão flexor digital superficial.
OBS: Geralmente são as principais estruturas que sofrem lesões. 
O casco do cavalo é extremamente vascularizado, existe um sistema de contrafluxo (comunicação entre as veias e as artérias), a artéria digital irriga todo casco do cavalo passando pela falange digital se ramificando por todo casco. 
Anatomia do casco 
· Muralha 
· Sola 
· Raninha – sulco lateral, medial e central
· Regiões: 
· Pinça 
· Quarto 
· Talão – bulbo lateral e medial, barras 
OBS: Casco cuidado é sinônimo de cavalo bem cuidado.
OBS: Os cascos sustentam o peso do sistema musculo esquelético equino e sofre 80% das lesões relacionadas. 
Anamnese: deve ser feita tanto com o proprietário quanto o treinador (sabe detalhes do caso do animal) e o ferrador do animal. 
1. Quanto tempo que está mancando?
2. Qual a última vez que foi casqueado?
3. Ocorreu algo estranho durante o treinamento do cavalo?
4. Fez alguma medicação/tratamento? 
5. Qual posicionamento do animal parado e andando?
6. O que acha que causou manqueira no animal? 
7. Ultima vez que o animal foi ferrado?
8. Animal manca quando está com corpo quente (mais indicativo de lesão muscular)?
9. Se está tropeçando (emboletando)?
Passadas do cavalo:
Fase de elevação 1° impacto 2° impacto Breakover
No segundo impacto há uma sobrecarga de apoio, sendo a fase mais nítida de ser observada a claudicação. 
Os tipos de andamentos avaliados em um equino (raças brasileiras) são: trote, passo, galope, marcha e salto.
Fase de apoio: 1° e 2° impacto breakover 
OBS: Breakover é a fase de elevação fase caudal da passada, quando essa fase os membros se alinham colateralmente é classificada como fase caudal, e a partir do momento que esse membro é elevado é considerado como fase cranial do passo).
Classificação da claudicação (AAEP)
Grau 1: apenas ao trote, porem sem movimentos evidentes da cabeça e pescoço. Leve assimetria na elevação dos glúteos.
Grau 2: alterações discretas ao passo. Ao trote, movimentos de cabeça, pescoço e assimetria na elevação dos glúteos evidentes. 
Grau 3: claudicação clara, tanto ao passo quanto ao trote. Movimentos de cabeça, pescoço e garupa são evidentes.
Grau 4: muito evidente ao passo, associado a relutância em se movimentar.
Grau 5: o membro afetado não suporta peso, sendo mantido em posição de repouso.
Deslocamento/movimento da cabeça
Trote em linha reta e em círculo. A cabeça normalmente desloca distal, quando cada membro realiza a posição de apoio/suporte. A maioria das claudicações de membros torácicos são de “impacto”, tipo de claudicação mais proeminente na primeira metade da fase de apoio. 
Trote em círculo: a claudicação piora/fica mais evidente quando o membro claudicante entra para dentro, onde sofre maior impacto. Alguns casos podem exacerbar o membro de fora do círculo:
· Aspecto medial do membro
· Demite de suspensório de boleto
· Desmite check ligamento inferior
· Claudicação alta no membro 
OBS: Se a claudicação não é evidente, bloqueie um dos membros e trote em círculo novamente.
Superfície dura: claudicação de casco e componentes ósseos
Superfície macia: injuria de tendão e ligamentos 
Claudicação de membro posterior 
“quadril solto” técnica da fita branca, comparar o nível de altura entre as fitas na garupa durante o passo e trote do animal. 
Flexões dos membros 
Período de tempo e grau de flexão variam. Flexão do membro dista, boleto mostra os resultados de flexão mais falsos positivos que respondem a anestesia regional.
Bloqueio Perineural 
O bloqueio anestésico perineural é uma técnica de anestesia local, que tem por finalidade, auxiliar o veterinário a localizar a região do provável foco de dor e claudicação. Os anestésicos locais mais utilizados são cloridrato de lidocaína e de mepivacaína a 2 %.
· Bloqueio do nervo digital palmar
· Bloqueio em Anel da Quartela
· Bloqueio Sesamóide Abaxial
· Bloqueio Baixo de Quatro Pontos/Quatro pontos Acima do Boleto
OBS: Se após o bloqueio a claudicação diminuir ou for eliminada, isso significa que a lesão provavelmente é distal ao bloqueio. 
2. SÍNDROME DO NAVICULAR
Anatomia
Patogenia
Casqueamento e ferrageamento inadequado (eixo podofalângico desequilibrado), aprumos do cavalo ruim (quartela em pé), raça (corpo grande e casco pequeno), concussão excessiva forças anormais.
Eixo podofalângico 
Ideal: primeira, segunda e terceira falanges bem alinhadas, traçando uma linha paralela na muralha dorsal do casco, uma dividindo a 1°, 2° e 3° falanges e outra linhas no talão do casco, as 3 linhas estarão paralelas. 
 
Quebrado para trás: pinça comprida, talões baixos ou escorridos. Aumenta a tensão no tendão flexor digital profundo e força o osso do navicular. 
 
Quebrado para frente: deformidade flexural articulação interfalangiana proximal Club foot. Aumenta a concussão na região da pinça da sola, e é observado alternância de apoio exagerada. 
 
Sinais Clínicos 
Claudicação – discreta a moderada (graus 1 – 3), inicialmente insidiosa, progressão lenta, comumente bilateral, encurta a passada ou o arco de suspensão, pode piorar em circulação, animal pode tropeçar, na baia: animal faz pequena “montanha” e fica sobre a areia – elevando os talões. 
Diagnostico 
Teste com pinça de casco positivo em região dos talões e região da ranilha, teste da rampa, anestesia perineural, radiografias (perda da junção cortiço-medular. Lise na superfície do córtex flexor, aumento no número e tamanho das invaginações sinoviais, esteseofitos, mineralização do tendor flexor digital profundo e eixo podofalangico quebrado para trás), ultrassonografia e ressonância magnética. 
Bloqueio do nervo digital palmar – localizado axial ao eixo neurovascular, proximal a cartilagem alar, nervo digital palmar medial e lateral (1ml cada). 
Intrasinovial – bloqueio da Bursa do navicular, AID.
 
 
Tratamento 
Retornar o balanço do casco ao normal: realinhamento do eixo podofalângico, elevação dos talões (3 – 6), manter o suporte nos talões (fazer suporte de ranilha), facilitar o breakover (“rolar” a ferradura na pinça, ferradura invertida, posicionar a ferradura mais palmarmente), utilização de bifosfanatos (Tiludronato, Clodronate).
 
Tratamento Intrassinovial
I. Onde injetar? AID, Bursa navicular, Abordagem palmar, Abordagem lateral
II. O que injetar? Triancinolona, Acido Hialurônico, IRAP ou célula tronco 
Tratamento Shockwave
Geração externa de onda de pressão acústica que se propaga através do tecido, não causa nenhuma mudança no osso radiograficamente ou cintilograia, mas a mudanças na condução nervosa e ação analgésica.
Tratamento Cirúrgico
Neurectomia, quando é desejável a insensibilização da região palmar/plantar da extremidade do digito. Indicada apenas para enfermidades com sede na região palmar/plantar da extremidade do digito.
OBS: NÃO atua melhorando o curso da lesão, apenas elimina o sintoma, além de poder induzir o sobreuso do membro e agravar as lesões. 
Complicações: neuroma doloroso, reinervação, infecções, exungulação. 
3. DERMOVILITE EXSUDATIVA
Conhecido como podridão de ranilha ou necrose de ranilha infecção local necrozante em ranilha.
Etiologia
· Baia úmida
· Cascos com talões elevados 
· Péssimos cuidados com as instalações/casco fraco
· Infecções anaeróbica
Anamnese e Sinais Clínicos
Necrose de casco com secreção fétidas, animal usualmente não claudica. 
Tratamento
Remoção da ranilha afetada (casqueamento), aplicação tópica de antimicrobianos (iodo tintura 10%/ formol 5%/ sulfato de cobre), manter casco limpo e seco (pensos no casco).
Preventivo: Casqueamento regular
Dermovilite exsudativa