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Direito Administrativo

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Administrativo
O Direito Administrativo é: um ramo do direito proximamente relacionado ao direito constitucional e possui interfaces com os direitos processual, penal, tributário, do trabalho, civil e empresarial (CESPE),
MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO: "É o ramo do direito público que tem por objeto os órgãos, agentes e pessoas jurídicas administrativas que integram a Administração Pública, a atividade jurídica não contenciosa que exerce e os bens de que se utiliza para a consecução de seus fins, de natureza pública." (CESPE)
O conjunto das prerrogativas e restrições a que está sujeita a administração pública e que não se encontra nas relações entre particulares constitui o regime jurídico administrativo. (CESPE)
Estado, governo e administração pública (Aula 1 e 2 – 28/01/2020)
1. Estado – PJ de direitos que atua em face de particular, utilizando seu poder soberano.
1.1 Conceito: sociedade política e juridicamente organizada em determinado território.
2. Forma de Estado: Federação por desagregação – divisão do poder político do Estado, criando os entes da federação (União, Estados, DF e municípios). Cada ente terá sua autonomia.
2.1 Capacidade FAP – autonomia financeira, administrativa e política.
2.2 Capacidade financeira: dividido na constituição federal.
2.3 Capacidade política: capacidade de escolher os governantes e legislativa, a constituição faz a divisão.
2.4 Capacidade administrativa: capacidade de cada ente prestar serviços para a sociedade, a constituição vai separar qual ente fará cada um dos serviços.
2.4.1 Art. 21 CF -> União
2.4.2 Por exclusão, de interesse regional -> Estados (só um serviço é previsto expressamente: serviço de gás canalizado – art. 26 CF).
2.4.3 Por exclusão, serviços locais -> Municípios 
	
	OBS: Forma de estado diferente do Brasil: Estado unitário, poder concentrado em um só ente.
OBS: Território não é considerado ente da federação, a doutrina entende que tem natureza de autarquias territoriais. 
3. Poderes do Estado – independentes e harmônicos entre si
3.1 Judiciário – 
3.1.1 Função típica: jurisdição e assegura supremacia da CF
3.1.2 Função atípica: Legislativa (regimento interno), administrativa (concurso, contratação).
3.2 Legislativo
3.2.1 Função típica: Legislar e fiscalizar (CPI, art. 59 CF e financeira – arts. 70 a 75 CF – feita com auxílio do TCU),
3.2.2 Função atípica: julgar (ex. impeachment) e administrativa (concurso).
3.3 Executivo
3.3.1 Função típica: administrativa, política.
3.3.2 Função atípica: legislativa (medida provisória) e julgar (CARF - Conselho administrativo regional de fiscais).
	Lei de efeito concreto: é feita para atingir um grupo de pessoas determinadas por certo tempo (ex: lei criada para conceder pensão vitalícia a determinados jogadores). Tem natureza de ato administrativo.
4. Governo: núcleo decisório do Estado que vai definir as diretrizes, metas e as políticas públicas que o Estado terá que alcançar.
4.1 Forma de Governo: República – escolhe representante temporário. 
4.1.1 Diferente de Monarquia – passa de pai para filho
4.2 Sistema de Governo: 
4.2.1 Presidencialismo: independência maior entre o Executivo e o legislativo. O presidente é chefe do Estado.
4.2.2 Parlamentarismo: o presidente necessita do apoio do legislativo. O chefe de governo é uma pessoa oriunda ou indicada pelo parlamento (1º Ministro) e a chefia do Estado é exercida por outra pessoa. 
Administração Pública 
Conceito: conjunto de órgãos, agentes, entidades que executam as políticas públicas do Estado.
Obs.: no Brasil, o PR é o chefe de Estado, do Governo Federal e da Administração Pública Federal. 
Sentidos de ADM pública: 
1) Subjetivo/orgânico/formal: conjunto de órgãos, agentes e entidades públicas.
2) Objetivo/material/funcional: conjunto de atividades desenvolvidos, relacionados à função (fomento, poder de polícia, serviços públicos e intervenção econômica – art. 174 CF).
- Fonte Principal - CF – Art. 37 a 41 da CF
- Não é codificado: Não existe código de direito administrativo.
- Taxonomia do Direito Administrativo: Ramo do Direito Público. 
Escolas do Direito Administrativo:
a) Escola do serviço público: Formou-se na França. Inspirou-se na jurisprudência do conselho de Estado francês, a partir do caso Blanco, em 1873 (Pietro 2002). Para essa corrente, o direito administrativo é o ramo do direito que estuda a gestão dos serviços públicos. Teve como defensores Duguit, Jèze e Bonnard. Segundo essa teoria, qualquer atividade prestada pelo Estado é serviço público. No entanto, tal teoria perde força, em virtude de que nem todas as atividades estatais se resumem em serviço público, como, por exemplo, o poder de polícia. Ademais, é possível, com a ampliação das atividades estatais, o exercício de atividade econômica, que, para muitos, não se confunde com serviço público. As atividades comerciais, por exemplo, pertencem ao Direito Empresarial.
b) Critério do poder executivo: Para essa teoria, o direito administrativo se esgota nos atos praticados pelo Poder Executivo. Contudo, exclui os atos do Poder Legislativo e do Judiciário no exercício de atividade administrativa, restringindo, sobremaneira, o direito administrativo ao âmbito do Poder Executivo. Essa teoria não considera a função política exercida pelo Poder Executivo, que não se confunde com a função administrativa.
c) Critério negativista ou residual: Por exclusão, encontra-se o objeto do direito administrativo: aquilo que não for pertinente às funções legislativa e jurisdicional será objeto do direito administrativo.
d) Critério das atividades jurídicas: Administrativo é o conjunto dos princípios e sociais do Estado: Direito que regulam a atividade jurídica não contenciosa do Estado e a constituição dos órgãos e meios de sua atuação em geral. A contenciosa é atribuída ao Judiciário.
e) Critério da Administração Pública: Conjunto de princípios que envolvem a Administração Pública. Conceito apresentado por Hely Lopes Meirelles: “conjunto harmônico de princípios jurídicos que regem os órgãos, os agentes e as atividades públicas, tendentes a realizar concreta, direta e imediatamente os fins desejados pelo estado. ” Esse critério abrange o conceito subjetivo, abrange o conceito material da função administrativa
f) Escola da puissance publique ou potestade pública (distinção entre atividades de autoridade e atividades de gestão): Por essa escola há a distinção entre atividades de autoridade e atividades de gestão. No primeiro caso, o Estado atua com autoridade sobre os particulares, com poder de império, por um direito exorbitante do comum; por outro lado, nas atividades de gestão, o Estado atua em posição de igualdade com os cidadãos, regendo-se pelo direito privado. Leon Dugui, adepto da escola do serviço público, era um "opositor" da teoria da potestade pública, pois para a escola do serviço público não havia a distinção entre atos de império e atos de gestão. Atualmente, o Direito Administrativo não faz essa diferenciação, tanto que os atos de gestão são estudados pelo Direito Administrativo. (Caiu no TRF – 2017 – AJAJ).
g) Critério das Relações Jurídicas: o conjunto de normas que regem as relações entre a administração e os administrados
Sob o aspecto material, a administração representa o desempenho perene, sistemático, legal e técnico dos serviços próprios do Estado ou por ele assumidos em benefício da coletividade.
Sob o aspecto operacional, a administração representa o desempenho perene, sistemático, legal e técnico dos serviços próprios do Estado ou por ele assumidos em benefício da coletividade.
FONTES do DA
1) DIRETAS: devem ser respeitadas e possuem força cogente.
a) PRIMÁRIAS - Lei (principal fonte normativa) + Súmulas Vinculantes
b) SECUNDÁRIAS - Doutrina + Jurisprudência
2) INDIRETAS: costumes (não são escritos)
Função administrativa consiste no dever de o Estado, ou quem aja em seu nome, dar cumprimento, no caso concreto, aos comandos normativos de maneira geral ou individual, para a realização dos fins públicos, sob regime jurídico prevalente de direito público