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Endócrino - Fisiologia da Tireoide

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POR: AMANDA CALFA
PARTE: 03
COD: AMANDA6995
FISIOLOGIA - TIREÓIDE 
 
 Origem da Tireóide 
 Pode-se afirmar que a formação da glândula tireóide é bem precoce, pois ela 
começa a se formar no primeiro mês de vida intrauterina. Entre o 2º e o 3º arco 
faríngeo surge a glândula tireoidiana. Posteriormente, antes do final da gestação, a 
glândula tireoidiana já formada migra para a região dos grandes vasos do pescoço. 
Essa migração ocorre através do ducto tireoglosso, que regride até antes do 
nascimento, podendo haver um remanescente (vestígio) chamado lobo piramidal. Há 
casos em que ele não regride, tendo uma grande propensão a formar células tumorais. 
 
 Anatomia da Tireóide 
 Através desta imagem, nota-se a 
riqueza de irrigação que a glândula 
tireoidiana possui. Observa-se a artéria 
tireoidiana superior, que faz a irrigação, 
principalmente da região superior da 
tireoide; a veia tireoidiana superior ao 
lado; a veia tireoidiana inferior logo 
abaixo, juntamente com a artéria 
tireoidiana inferior. Uma importante 
informação, além dos vasos, é a presença 
do nervo laríngeo recorrente, que passa 
abaixo da tireoide. 
 Ela apresenta dois lobos; 
geralmente um é um pouco maior que o 
outro, unidos por uma região central 
(istmo tireoidiano). Há quem descreva a 
glândula tireoidiana como uma letra H ou 
duas asas de borboleta. Encontra-se 
abaixo do chamado pomo de adão na 
cartilagem tireoidiana, na garganta. A glândula tireoidiana pesa, em média, de 15 a 30 
gramas. 
 
 Aplicação Clínica 
 Pacientes com hipertrofia da glândula tireoidiana queixam-se de modificação 
na voz (rouquidão). Essa disfunção ocorre por conta da compressão no nervo laríngeo 
recorrente e é o principal sinal da hipertrofia da tireoide. 
 Muitas vezes, durante procedimentos cirúrgicos para a retirada da tiroide, o 
nervo laríngeo recorrente pode ser lesionado, de modo que alguns pacientes podem 
apresentar alteração da voz. 
 Aplicação Clínica 
 A princípio, para fazer identificação de alguma patologia na glândula 
tireoidiana, o avaliador pede para que o paciente fique de barriga para cima, na 
posição supina, com o pescoço levemente estendido. Com os dedos indicador e médio, 
realiza-se facilmente a palpação das regiões, visto que a glândula tireoidiana se 
encontra entre os músculos esternocleidomastoideos e abaixo da cartilagem. Se a 
glândula está em um tamanho normal, não é possível senti-la, mas quando há 
qualquer alteração acarretando o aumento da tireoide, o avaliador rapidamente 
conseguirá palpar o volume. 
 
 Fisiologia da Tireóide 
 
 Composição do Colóide 
 A substância que está dentro do coloide é a proteína tireoglobulina – formada 
por cerca de 70 tirosinas (aminoácido). E são nessas tirosinas que irão ocorrer as 
inclusões de iodo. 
 Algumas tirosinas vão estar presentes com 4 moléculas de iodo (chama-se 
tetraiodotironina/tiroxina/T4) e com 3 moléculas de iodo (chama-se 
triiodotironina/T3). 
 
 Eixo de Regulação 
Para existir a ativação desses hormônios, tem que haver um eixo de regulação: 
hipotálamo  hipófise  glândula tireoide célula-alvo 
 O hipotálamo secreta o 
hormônio de liberação tireoidiano 
(TRH); esse atua na hipófise 
anterior para que ela possa liberar 
o TSH (hormônio tireoestimulante). 
O TSH vai até a glândula tireoidiana 
e permite a liberação do T3 e T4, 
que vão agir em diversas células-
alvo. 
 O T3 reverso não tem 
função fisiológica, mas sempre é 
fabricado e vai para a reciclagem. 
Na embriologia ele ainda tem certa 
atuação. O T2 também não tem função hormonal. 
 
 
 
DIT + DIT peroxidase tireiodiana T4 
DIT + MIT peroxidase tireoidiana T3 REVERSO 
MIT + DIT peroxidase tireoidiana T3 NORMAL 
MIT + MIT peroxidase tireiodiana T2 (diiodotirosina) 
 
OBS: observamos monoiodotirosina, diiodotirosina, triiodotironina e tetraiodotironina. 
Essa mudança de nomenclatura é devido à saída de serina ou da desidroalanina. 
 
 Formação de T3 e T4 
 A célula cuboide tireoidiana que está em volta do folículo tem uma membrana 
voltada para os capilares e outra voltada para o coloide. Na membrana voltada para o 
capilar existe uma bomba de transporte de iodeto junto com sódio (NIS - simporte de 
sódio-iodeto); essa bomba vai transportar o iodeto e o sódio para o interior da célula. 
Ao mesmo tempo o Complexo de Golgi e o Retículo Endoplasmático serão importantes 
no fenômeno de secreção. Eles vão ser 
responsáveis pela formação da tireoglobulina 
(proteína bastante abundante nos coloides); 
uma vez formada será direcionada para a 
região folicular. 
 Percebam que a todo tempo chega 
tireoglobulina e iodeto. Mas para eles se 
ligarem é necessário ocorrer a oxidação do 
iodeto (passando da forma reduzida para 
oxidada) pela enzima tireoperoxidase. A 
atuação da enzima tireoperoxidase é seguida 
por uma oxidação (NADPH em NADP+) e formação do peróxido de hidrogênio. 
 Uma vez formado o iodo oxidado ele pode se ligar a tirosinas da tireoglobulina. 
A enzima iodinase vai acelerar essa 
ligação/organificação do iodo. Após isso, as tirosinas 
vão estar repletas de iodo, formando T3, T4, T3 
reverso, T2 ou MIT. Então esse conjunto vai ser 
captado para o interior da célula cuboide, formando 
vesículas. 
 Uma vez dentro da célula, lisossomos vão 
liberar suas enzimas na região das vesículas. Essas 
enzimas são capazes de clivar a ligação que os 
hormônios e substâncias possuem com a molécula 
da tireoglobulina. Logo, as proteases irão tratar de 
separar o que é hormônio ativo (T3 e T4), das substâncias que não formaram 
hormônios ativos. Aquelas substâncias que formaram hormônios ativos irão passar 
para a corrente sanguínea. Já aquelas substâncias que não formaram hormônios ativos 
vão sofrer a ação da enzima deiodinase que realiza a retirada do iodo para realizar o 
processo de reciclagem, pois essas substâncias serão recicladas para tentar formar 
hormônios ativos. 
 
 Liberação dos Hormônios na Circulação 
 Quando os hormônios caem na corrente sanguínea, como são lipossolúveis, 
precisam de proteínas de ligação para que possam transitar no sangue. As proteínas de 
ligação utilizadas pelos hormônios tireoidianos são: albumina, globulina ligadora de 
hormônio tireoidiano e pré-albumina ligadora de hormônios tireoidianos. De forma 
geral, mais de 99% dos hormônios tireoidianos estão ligados a proteínas plasmáticas e 
uma pequena fração está na forma livre. 
A distribuição de ligação T4 e T3: 
T4 T3 
5% albumina 35% albumina 
15% TBPA 27% TBPA 
80% TBG 38% TBG 
 
OBS: em alguns livros há uma separação. Por exemplo, chamam a TBG de proteína 
ligadora de T4, por estar mais associada a T4, mas ela também pode se ligar a T3. 
 
 A quantidade de hormônio formado pela glândula tireoidiana e livre no sangue 
é muito maior para T4 do que para T3. Observem o gráfico abaixo para a quantidade 
de hormônio produzido pela tireoide e compare: 
 
 Conversão de T4 em T3 
 Apesar de 80% ser T4 e somente 20% ser T3, quando os hormônios T4 chegam 
aos sitios ativos das células-alvo, há uma conversão de T4 para T3. Logo, a maior parte 
de T3 é formado fora da tireoide. 
 Quando a célula-alvo for no fígado, rins ou músculo esquelético, é a deiodinase 
ou desiodase I que vai agir. Já quando as células-alvo forem a hipófise, sistema 
nervoso central e placenta, é a deiodinase ou desiodase II que atuará. 
 Total 
Porcentagem na 
forma livre 
Concentração 
absoluta na forma 
livre 
T4 100nmol/l 0,03 30pmol/l 
T3 1,8nmol/l 0,3 5pmol/l 
 
 Aplicação Clínica 
 Os hormônios tireoidianos podem ficar no coloide por até 4 meses ligados a 
proteína tireoglobulina. Ou seja, se o individuo está com sintomas que se assemelham 
ao hipotireoidismo, só pode ser se aqueles sintomas já tiverem cursando há 3 ou 4 
meses. 
 
 Função do TSH 
 O TSH é responsável por todos os fenômenos que envolvem a tireoide. Ele leva 
o nome de hormônio tireoestimulante, pois ele estimula todas as etapas de 
funcionamento da glândula tireoidiana. 
 Assim, o TSH